A Marginal Tietê registrou ao menos 207 roubos de celular no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento realizado a partir de registros de ocorrências policiais. O número chama atenção porque é superior ao total registrado em 621 cidades do estado de São Paulo durante o mesmo período.
A quantidade de crimes registrados na importante via expressa da capital paulista supera, por exemplo, os números de municípios como São José dos Campos, que teve 165 ocorrências, e São José do Rio Preto, com 137 registros.

Via registra crimes em diferentes trechos
O levantamento considerou os registros que mencionam a Marginal Tietê por seus diferentes nomes, além dos acessos vinculados à via. Também foram retiradas ocorrências em duplicidade, como casos em que coincidiam o nome da delegacia, o ano e o número do boletim de ocorrência.
Foram considerados exclusivamente os roubos, situação em que há violência ou ameaça contra a vítima. Furtos, nos quais não existe necessariamente confronto ou ameaça, ficaram fora da contagem.
Também foram contabilizados somente os crimes ocorridos e registrados em 2026, dentro do período analisado.
A metodologia permite visualizar a dimensão dos roubos ao longo de uma via que atravessa diferentes regiões da capital e apresenta características muito distintas de tráfego e circulação.
Congestionamentos favorecem ação de criminosos
Um dos fatores que aumentam a preocupação é o trânsito frequentemente intenso na Marginal Tietê.
Congestionamentos e pontos de lentidão são comuns na região, inclusive fora dos horários considerados de pico. A redução da velocidade dos veículos e os momentos em que carros permanecem praticamente parados podem criar oportunidades para criminosos abordarem motoristas e passageiros.
Na última semana, um vídeo que circulou nas redes sociais chamou atenção justamente por mostrar pessoas em atitude suspeita nas proximidades da Ponte Júlio de Mesquita Neto, na Barra Funda.
Os indivíduos foram apontados como supostos integrantes da chamada “Gangue da Bananeira”, nome dado ao grupo devido ao uso de uma planta como ponto de esconderijo antes de possíveis abordagens.
A bananeira mostrada no local acabou sendo cortada.
Dois registros aparecem próximos ao local
Apesar da repercussão do vídeo, os dados analisados mostram que a maior concentração de registros não está necessariamente restrita ao ponto onde o grupo teria sido filmado.
No levantamento, foram encontradas duas ocorrências no primeiro semestre em trechos relativamente próximos à área onde a chamada Gangue da Bananeira teria atuado.
Isso significa que a distribuição dos roubos ao longo da Marginal Tietê é mais ampla e envolve diferentes pontos da via.
Os registros identificados na análise aparecem espalhados por vários bairros e trechos, alguns deles a mais de 10 quilômetros de distância da região da Barra Funda.
Vila Guilherme teve 22 roubos
Entre os pontos com maior número de ocorrências aparece a região da Vila Guilherme, onde a Marginal Tietê recebe o nome de Avenida Morvan Dias de Figueiredo.
Nesse trecho, foram contabilizados 22 roubos de celular no primeiro semestre.
A concentração de casos demonstra que o problema não está restrito à área central da marginal ou aos pontos que ganharam maior visibilidade nas redes sociais.
Além disso, o registro de crimes em diferentes regiões mostra que motoristas e passageiros podem estar vulneráveis em diversos pontos do trajeto.
Avenida Otaviano Alves de Lima teve 26 registros
Outro trecho conhecido por um nome diferente é a Avenida Otaviano Alves de Lima, que também integra a Marginal Tietê.
Foram registrados 26 roubos de celular nessa área durante o período analisado. Os casos, entretanto, aparecem distribuídos por diferentes bairros ao longo de aproximadamente 7 quilômetros.
A distribuição dos registros reforça que não existe apenas um ponto concentrado de atuação criminosa, mas diferentes locais com ocorrências ao longo da extensa via.
Número chama atenção pelo tamanho da via
A comparação com os municípios paulistas ajuda a dimensionar o problema.
Enquanto cidades inteiras registraram menos de 200 ocorrências de roubo de celular durante o primeiro semestre, a Marginal Tietê, considerada como uma única área viária dentro da capital, chegou a 207 registros.
São José dos Campos, uma das maiores cidades do interior paulista, teve 165 ocorrências no período. São José do Rio Preto registrou 137.
A comparação não significa que a Marginal tenha necessariamente uma taxa de criminalidade maior do que essas cidades, já que são realidades territoriais e populacionais diferentes. O dado, porém, evidencia a quantidade absoluta de roubos concentrada em uma única via.
Motoristas ficam expostos durante a lentidão
O cenário de trânsito pesado também aumenta a sensação de insegurança entre motoristas que utilizam a Marginal diariamente.
Em momentos de congestionamento, os veículos permanecem próximos uns dos outros e com pouca capacidade de deslocamento. Essa característica pode facilitar abordagens rápidas, principalmente quando os celulares ficam visíveis dentro dos carros.
O problema também pode atingir passageiros e pessoas que utilizam acessos, pontos de parada ou trechos próximos à marginal.
A concentração de ocorrências em diferentes regiões reforça a necessidade de atenção por parte de quem circula pela via.
Levantamento considera registros de 2026
Para chegar aos 207 casos, foram analisados registros que citam a Marginal Tietê por seus diferentes nomes e acessos.
As ocorrências repetidas foram retiradas da contagem para evitar distorções. Também foram considerados apenas os casos classificados como roubo e registrados ao longo de 2026.
O levantamento permite, portanto, identificar a dimensão das ocorrências registradas oficialmente, embora o número real de crimes possa ser diferente, já que nem todos os episódios necessariamente são comunicados às autoridades.
A sequência de registros ao longo da Marginal Tietê reforça o alerta para uma das principais vias da capital paulista, onde o intenso movimento de veículos, os congestionamentos e a extensão do trajeto criam desafios adicionais para a segurança pública.