O Metrô do Rio pode ganhar uma nova extensão até a Praça XV, no Centro da capital fluminense. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Governo do Estado estudam uma operação de financiamento para tirar o projeto do papel, em uma iniciativa considerada prioritária para melhorar a mobilidade na Região Metropolitana.
A proposta prevê a construção de aproximadamente 3,5 quilômetros de novos trilhos, com investimento estimado em R$ 3,3 bilhões. O projeto está entre as 15 intervenções apontadas como prioritárias pelo Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), elaborado pelo BNDES em parceria com o Ministério das Cidades.
A extensão é particularmente importante porque levaria a Linha 2 para uma área central de grande circulação e permitiria uma conexão mais direta com outros meios de transporte.
Projeto pode mudar deslocamento pelo Centro
A chegada da Linha 2 à Praça XV é discutida há décadas e representa uma antiga promessa de expansão do sistema metroviário carioca.
A ideia é criar uma ligação subterrânea entre a região do Estácio e a Praça XV, passando pelo Centro. O projeto também prevê integração com a estrutura metroviária já existente e com outros modais de transporte.
A expansão pode beneficiar moradores de diferentes regiões da cidade e da Região Metropolitana que diariamente precisam atravessar o Centro para chegar ao trabalho, instituições de ensino e outros serviços.
A ligação com a Praça XV também tem importância estratégica por aproximar o metrô do sistema de barcas, ampliando as possibilidades de integração entre transporte sobre trilhos e transporte aquaviário.
R$ 68 bilhões em projetos de mobilidade
A extensão da Linha 2 não está sendo analisada isoladamente.
O estudo elaborado pelo BNDES e pelo Ministério das Cidades identificou 15 projetos prioritários para a mobilidade da Região Metropolitana do Rio. Juntos, eles representam investimentos estimados em R$ 68 bilhões e contemplam a ampliação de aproximadamente 544 quilômetros de redes de metrô, VLT, BRT e transporte ferroviário.
Entre as intervenções indicadas estão a implantação do Metrô Gávea–Del Castilho, a transformação dos corredores BRT Transoeste e Transcarioca em sistemas de VLT e a criação de uma ligação de VLT entre Botafogo, Leblon e Gávea.
A proposta, portanto, faz parte de um plano muito maior para ampliar a infraestrutura de transporte da região metropolitana.
Metrô até a Praça XV é um projeto antigo
A extensão da Linha 2 até a Praça XV não é uma ideia nova. O trecho já apareceu em projetos do metrô carioca desde a elaboração da rede básica do sistema.
Parte da estrutura chegou, inclusive, a ser construída. Obras iniciadas no fim dos anos 1980 chegaram a avançar entre o Estácio e a região da Carioca, mas foram posteriormente paralisadas em meio à crise financeira do Estado e à falta de recursos.
A possibilidade de retomada voltou a ganhar força em diferentes momentos nas últimas décadas, mas acabou esbarrando em dificuldades financeiras e políticas.
Estudos posteriores chegaram a prever estações em áreas como Estácio, Catumbi, Cruz Vermelha, Carioca e Praça XV, criando uma ligação direta entre diferentes pontos do Centro.
Agora, a discussão volta ao centro das atenções com a possibilidade de financiamento articulada pelo BNDES.
Estado negocia alívio de dívida
O anúncio ocorre em meio a uma negociação mais ampla entre o Governo do Estado e o BNDES.
Em reunião, o governador em exercício Ricardo Couto e o presidente do banco, Aloizio Mercadante, chegaram a um entendimento para renegociar dívidas relacionadas ao financiamento de obras da Linha 4 do metrô e dos trens urbanos.
Segundo as informações divulgadas, a renegociação pode representar uma redução de até R$ 242 milhões no pagamento de juros da dívida estadual. A medida está relacionada à adesão do Rio ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados.
O cenário abre espaço para discutir novos investimentos em infraestrutura sem abandonar o esforço de reorganização das contas públicas.
Rio quer ampliar rede de transporte
A expansão metroviária é considerada estratégica para reduzir a dependência dos ônibus e melhorar a conexão entre diferentes regiões da capital e municípios da Região Metropolitana.
O próprio Governo do Estado já apresentou anteriormente um plano mais amplo de expansão do sistema, com previsão de novas linhas e estações. Um estudo divulgado pelo governo estimou investimentos de aproximadamente R$ 28 bilhões para uma série de intervenções, incluindo novas conexões metroviárias.
A extensão da Linha 2 até a Praça XV aparece, portanto, como uma das peças de um projeto muito maior de transformação da mobilidade fluminense.
Obra ainda depende de financiamento e etapas técnicas
Apesar da perspectiva positiva, a extensão até a Praça XV ainda não é uma obra em execução. O momento atual é de estudo e negociação para viabilizar o financiamento.
Antes do início efetivo das obras, ainda são necessárias etapas técnicas, financeiras, jurídicas e administrativas.
O projeto, no entanto, volta a ganhar força justamente por estar incluído entre as prioridades do estudo nacional de mobilidade e por contar com a participação do BNDES nas discussões sobre financiamento.
Se avançar, a obra poderá representar uma das principais ampliações do transporte sobre trilhos do Rio nos próximos anos, levando o metrô para uma das áreas mais importantes e movimentadas da cidade.
Entenda o contexto
A extensão da Linha 2 até a Praça XV prevê aproximadamente 3,5 quilômetros de novos trilhos e investimento estimado em R$ 3,3 bilhões. O projeto foi apontado como uma das prioridades do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, desenvolvido pelo BNDES e pelo Ministério das Cidades, que reuniu 15 grandes propostas para a Região Metropolitana do Rio.
Ao todo, os projetos identificados somam R$ 68 bilhões em investimentos e preveem a expansão de 544 quilômetros de redes de transporte. A ligação até a Praça XV é discutida há décadas e chegou a ter obras iniciadas no passado, mas a falta de recursos impediu sua conclusão.
Agora, o Estado e o BNDES estudam uma nova possibilidade de financiamento, enquanto também negociam a redução dos juros de dívidas relacionadas a obras anteriores do metrô e dos trens.