A eleição de 2026 entra nesta sexta-feira (28) em uma nova fase. A partir desse dia, candidatos à Presidência, aos governos estaduais e aos demais cargos passam a ocupar oficialmente o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.
A propaganda do primeiro turno será exibida até 1º de outubro, três dias antes da votação.
Na disputa presidencial, a diferença de exposição entre as campanhas chama atenção. Lula terá o maior tempo de propaganda, seguido por Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado e Augusto Cury também terão espaço no horário eleitoral, enquanto candidatos como Romeu Zema e Renan Santos não terão tempo nos blocos destinados à propaganda em rede.
Quanto tempo cada candidato terá?
A divisão definida pela Justiça Eleitoral leva em consideração a representação dos partidos e federações no Congresso.
No primeiro turno, a coligação de Lula (PT) terá 5 minutos e 31 segundos de propaganda por dia.
Flávio Bolsonaro (PL) ficará com 4 minutos e 20 segundos.
Na sequência aparecem:
Ronaldo Caiado (PSD): 2 minutos e 2 segundos
Augusto Cury (Avante): 35 segundos
Já Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não terão tempo nos blocos de propaganda presidencial, em razão da representação partidária exigida pelas regras.
Quando a propaganda vai ao ar?
No caso da Presidência da República, os programas serão exibidos às terças, quintas e sábados.
No rádio, os blocos vão ao ar das 7h às 7h12min30 e das 12h às 12h12min30.
Na televisão, os horários reservados são das 13h às 13h12min30 e das 20h30 às 20h42min30.
Além dos programas em bloco, as campanhas também terão direito às chamadas inserções, que aparecem ao longo da programação das emissoras.
É justamente nesse espaço que a diferença de exposição pode ficar ainda mais evidente.
Lula terá vantagem também nas inserções
A distribuição definida pelo Tribunal Superior Eleitoral prevê 433 inserções para a coligação de Lula.
O PL, de Flávio Bolsonaro, terá 339.
O PSD, de Ronaldo Caiado, ficará com 159, enquanto o Avante, de Augusto Cury, terá 47 inserções.
Na prática, isso significa que a campanha de Lula terá não apenas o maior bloco de propaganda, mas também mais oportunidades de aparecer durante a programação das emissoras.
O primeiro dia terá ordem definida por sorteio
As campanhas também já sabem quem abrirá o horário eleitoral no primeiro dia.
Na estreia, a ordem será:
Augusto Cury → Ronaldo Caiado → Flávio Bolsonaro → Lula.
Depois da primeira exibição, a ordem será alterada de forma rotativa para evitar que um mesmo candidato fique sempre com a primeira ou a última posição.
A posição pode parecer um detalhe, mas é estratégica para as campanhas porque o primeiro programa pode chamar a atenção do eleitor e o último pode encerrar o bloco com a mensagem mais recente.
E os candidatos aos governos?
O sistema também vale para as disputas estaduais.
Em cada estado, o tempo será distribuído de acordo com a representação dos partidos e federações.
Em São Paulo, por exemplo, a propaganda eleitoral também começa nesta sexta-feira. Tarcísio de Freitas terá uma das maiores fatias de tempo na disputa pelo governo paulista, enquanto os adversários precisarão trabalhar com espaços menores.
A televisão passa, portanto, a ser um dos principais campos de batalha da eleição.
O que os candidatos podem fazer na propaganda?
O horário eleitoral gratuito existe para que partidos e candidatos apresentem propostas, ideias e posicionamentos ao eleitorado.
A propaganda, porém, precisa respeitar as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
O conteúdo não pode ser utilizado livremente para qualquer tipo de ataque ou informação. Há restrições específicas sobre o que pode ser veiculado, especialmente quando envolve ofensas, informações falsas, conteúdo que possa configurar propaganda irregular ou ataques à honra de adversários.
Além disso, as emissoras de rádio e televisão também estão submetidas a restrições durante o período eleitoral.
Por que o horário eleitoral é tão importante?
Mesmo com o crescimento das redes sociais, o rádio e a televisão continuam sendo importantes ferramentas para alcançar eleitores em larga escala.
A principal vantagem é justamente a possibilidade de levar a mensagem da campanha diretamente para dentro da casa do eleitor, sem depender de que ele procure o candidato nas redes.
Para quem disputa a Presidência, o tempo disponível pode ser usado para construir imagem, apresentar propostas, atacar adversários ou responder a críticas.
E é aí que começa uma nova fase da campanha. Lula terá mais tempo para apresentar sua narrativa.
Flávio Bolsonaro terá espaço suficiente para tentar transformar a eleição em uma disputa mais polarizada.
Caiado e Cury precisarão aproveitar cada segundo disponível para ganhar visibilidade.
Enquanto isso, candidatos sem tempo de propaganda em bloco terão de depender ainda mais de debates, entrevistas, eventos, redes sociais e cobertura jornalística para chegar ao eleitor.
A disputa muda de ritmo
O início do horário eleitoral marca uma mudança importante na campanha de 2026.
Até agora, candidatos dependiam principalmente de agendas públicas, entrevistas, debates, redes sociais e cobertura dos veículos de comunicação.
A partir de sexta-feira, as campanhas terão espaço próprio para falar diretamente com milhões de eleitores.
E o primeiro programa pode dar uma pista importante sobre a estratégia de cada candidatura.
O que Lula vai mostrar?
Como Flávio Bolsonaro vai tentar enfrentar o maior tempo do adversário?
Caiado conseguirá transformar seus pouco mais de dois minutos em vantagem?
E como os candidatos sem horário eleitoral vão compensar a ausência na televisão?
A corrida pelo voto entra, agora, também na disputa pela atenção do eleitor.
Entenda o contexto
A propaganda eleitoral gratuita do primeiro turno será exibida de 28 de agosto a 1º de outubro. O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro.
Na corrida presidencial, apenas quatro candidaturas terão tempo nos blocos de propaganda: Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury.
A distribuição favorece Lula, que terá a maior exposição, seguido por Flávio.
Agora, começa a fase em que cada segundo de televisão e rádio poderá ser usado para tentar convencer o eleitor, e também para definir a narrativa que cada campanha pretende levar até o dia da votação