Mais de 130 câmeras clandestinas são apreendidas e expõem como o tráfico monitorava a Grande João Pessoa

Equipamentos eram usados para acompanhar a movimentação de policiais e controlar territórios; ação integrada já retirou mais de 130 dispositivos em quatro meses.
Redação NC News
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Mais de 130 câmeras de monitoramento clandestinas foram apreendidas nos últimos quatro meses na Região Metropolitana de João Pessoa, na Paraíba. Segundo as investigações, os equipamentos eram utilizados por grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas para vigiar comunidades e acompanhar a movimentação das forças de segurança.

A retirada dos dispositivos faz parte de uma operação integrada entre as polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros. E o trabalho está longe de terminar: novas diligências devem ser realizadas para localizar outros pontos de monitoramento e identificar quem instalou os equipamentos.

Câmeras viraram ferramenta do crime

A estratégia chamou atenção das autoridades porque os equipamentos não funcionavam apenas como sistemas comuns de segurança.

Segundo a polícia, as câmeras permitiam que criminosos acompanhassem a chegada de viaturas e controlassem a circulação em determinadas áreas. Em alguns locais, os dispositivos estavam instalados em postes ou ligados a centrais de monitoramento.

A utilização desse tipo de tecnologia mostra uma mudança na forma de atuação das organizações criminosas. Em vez de depender apenas de observadores nas ruas, os grupos passaram a contar também com vigilância eletrônica para proteger seus pontos de atuação.

Central foi encontrada em Gramame

Na quarta-feira (26), uma das ações ocorreu no bairro de Gramame, na Zona Sul de João Pessoa. A Polícia Militar encontrou uma central de monitoramento dentro de um residencial que, segundo as investigações, era coordenada pelo tráfico. Onze câmeras foram retiradas e apreendidas no local.

A suspeita é de que o sistema fosse utilizado para identificar a aproximação de policiais e acompanhar a movimentação no território.

Equipamentos também estavam em postes

A ofensiva não ficou restrita à capital. Em Campina Grande, dez câmeras foram retiradas de postes de iluminação pública na Vila Cabral na terça-feira (25). A Polícia Civil investiga se os equipamentos também eram utilizados por traficantes para monitorar a movimentação em outros bairros.

A operação contou ainda com apoio do Corpo de Bombeiros e, em ações anteriores, drones foram utilizados para ajudar na localização dos dispositivos.

Por que os criminosos instalaram as câmeras?

A principal suspeita é que os equipamentos façam parte de uma estratégia de controle territorial.

Na prática, o sistema permite que integrantes de grupos criminosos saibam quando uma viatura se aproxima, acompanhem a circulação em determinadas ruas e tenham uma visão antecipada de possíveis operações policiais.

A Polícia Civil afirma que a retirada dos equipamentos é apenas uma parte do trabalho. O objetivo agora é descobrir quem instalou as câmeras, quem operava os sistemas e qual era a ligação dos responsáveis com organizações criminosas.

O superintendente da Polícia Civil, Cristiano Santana, afirmou que a operação continua:

“É um trabalho que permanece, cumprindo mandados de prisão e busca e apreensão, mas sem esquecer desse trabalho perene de remover essa vigilância.”

A operação ainda não terminou

Segundo a Polícia Civil, novas diligências serão realizadas para localizar outros pontos de monitoramento clandestino e identificar os responsáveis pela instalação dos equipamentos.

A investigação também deverá analisar os equipamentos apreendidos para tentar descobrir como as imagens eram transmitidas, quem tinha acesso ao sistema e de que forma as informações eram utilizadas pelos criminosos.

Entenda o contexto

A apreensão de mais de 130 câmeras ocorre em meio a uma série de ações contra estruturas utilizadas por organizações criminosas na Paraíba.

O objetivo das forças de segurança é desmontar não apenas pontos de tráfico, mas também mecanismos utilizados para controlar territórios, dificultar operações policiais e monitorar comunidades.

O caso de Gramame mostra como essa estratégia funcionava na prática: uma central de monitoramento instalada dentro de um residencial e conectada a equipamentos espalhados pela região.

Agora, a investigação tenta chegar às pessoas por trás do sistema. A retirada das câmeras impede o monitoramento clandestino, mas a identificação de quem instalou e operava os equipamentos será fundamental para responsabilizar os envolvidos.

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