Polícia retira câmeras clandestinas e investiga uso por facções em Campina Grande

Equipamentos instalados irregularmente em postes podem ter sido usados para acompanhar policiais e grupos rivais. Operação mobilizou cerca de 30 agentes, viaturas e drones nesta terça-feira (25)
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A Polícia Civil da Paraíba retirou nove câmeras de vigilância instaladas irregularmente em postes de iluminação pública de Campina Grande, nesta terça-feira (25). A principal suspeita investigada é de que os equipamentos pudessem estar sendo usados por organizações criminosas para acompanhar a movimentação das forças de segurança e de grupos rivais.

A ação faz parte da Operação Integrada Paraíba Mais Segura e contou com aproximadamente 30 policiais, dez viaturas e apoio do Corpo de Bombeiros. Drones também foram utilizados para mapear os locais onde os dispositivos estavam instalados.

A investigação tenta agora descobrir quem colocou as câmeras nos postes, quem tinha acesso às imagens e se existia uma estrutura maior de monitoramento clandestino espalhada pela cidade.

Por que as câmeras chamaram a atenção da polícia?

O problema não é simplesmente a existência de câmeras de segurança. Segundo a Polícia Civil, os equipamentos foram instalados em postes públicos sem autorização dos órgãos responsáveis e estavam posicionados em locais considerados estratégicos.

A suspeita é de que as imagens pudessem fornecer informações em tempo real sobre a movimentação policial e sobre a presença de integrantes de grupos criminosos rivais.

Na prática, um sistema desse tipo poderia funcionar como uma espécie de vigilância paralela do território, permitindo acompanhar quem entra e sai de determinadas áreas.

A hipótese ainda está sob investigação. As autoridades buscam elementos para identificar os responsáveis e determinar exatamente como as imagens eram utilizadas.

Polícia investiga câmeras clandestinas que teriam sido usadas para monitorar ruas e controlar territórios. Nove equipamentos foram retirados.

Drones ajudaram a encontrar equipamentos

As autoridades já vinham realizando diligências havia semanas para localizar os pontos onde as câmeras estavam instaladas.

Durante a operação desta terça-feira, drones foram utilizados para ampliar o mapeamento. A tecnologia permitiu localizar inclusive novos dispositivos além daqueles que já estavam no radar dos investigadores.

A retirada dos equipamentos contou com o apoio do Corpo de Bombeiros por causa da instalação nos postes.

Há divergência em relatos publicados sobre a quantidade retirada — algumas fontes locais mencionam dez equipamentos concentrados em dois pontos do bairro Santa Terezinha, enquanto a comunicação da operação informa nove câmeras retiradas em diferentes locais.

Quem recebia as imagens?

Essa é uma das principais perguntas que a investigação tenta responder.

A Polícia Civil deverá analisar os equipamentos e buscar informações que permitam identificar quem realizou as instalações e, principalmente, para onde as imagens captadas eram transmitidas.

Também será necessário esclarecer quem financiou e manteve a estrutura e se outras câmeras fazem parte da mesma rede.

Até agora, a polícia não divulgou a identificação de suspeitos responsáveis pela instalação.

Caso pode não estar restrito a Campina Grande

O uso de câmeras clandestinas como possível ferramenta de vigilância de organizações criminosas já chamou a atenção das forças de segurança em outras regiões da Paraíba.

Em julho, oito equipamentos clandestinos foram retirados no Centro de João Pessoa, segundo informações divulgadas sobre ações semelhantes realizadas no estado.

As autoridades tratam esse tipo de estrutura como um possível instrumento para antecipar operações policiais, observar rivais e ampliar o controle de determinadas áreas.

Por isso, as diligências em Campina Grande não terminam com a retirada realizada nesta terça-feira.

Polícia procura outras câmeras

Durante o trabalho de mapeamento, novos pontos suspeitos foram identificados.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam para localizar outros equipamentos instalados irregularmente e responsabilizar os envolvidos.

A análise das câmeras já recolhidas também poderá ajudar a revelar como o sistema funcionava e se havia conexão entre os diferentes dispositivos.

ENTENDA O CONTEXTO

A operação realizada nesta terça-feira em Campina Grande faz parte das ações estaduais de enfrentamento ao avanço de organizações criminosas.

As câmeras chamaram a atenção porque estavam instaladas sem autorização em postes de iluminação pública e poderiam funcionar como uma rede clandestina de vigilância.

A suspeita da Polícia Civil é de que organizações criminosas pudessem utilizar as imagens para acompanhar tanto a movimentação policial quanto a circulação de grupos rivais, fortalecendo o controle sobre determinadas regiões.

Nove câmeras foram retiradas durante a operação, que mobilizou policiais, bombeiros, viaturas e drones.

Agora, os investigadores querem descobrir quem instalou os equipamentos, quem recebia as imagens e até onde pode chegar essa possível rede clandestina de monitoramento.

Carregar Comentários