Um terremoto de magnitude 5 atingiu o norte do Tibete, na China, nesta quinta-feira (27), apenas um dia depois da avalanche de gelo, rochas e lama que devastou áreas da região do Himalaia e deixou centenas de mortos e desaparecidos na fronteira entre o Nepal e o território chinês.
O novo tremor ocorreu a uma profundidade de aproximadamente 10 quilômetros, segundo medições divulgadas por centros de monitoramento geológico. Apesar da sequência de acontecimentos, o terremoto desta quinta ocorreu a centenas de quilômetros das áreas mais atingidas pela tragédia anterior.
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Até o momento, não há informação de que o novo terremoto tenha provocado mortes ou grandes danos.
O abalo aumenta, porém, a preocupação em uma região que já enfrenta uma enorme operação de busca e resgate, comunidades destruídas e o risco de novas inundações.
Onde aconteceu o terremoto?
O tremor desta quinta-feira foi registrado no norte do Tibete, região autônoma da China localizada no Planalto Tibetano.
A magnitude informada foi de 5, nível capaz de ser percebido pela população e eventualmente provocar danos, principalmente em construções mais vulneráveis.
A profundidade relativamente baixa do terremoto também chama atenção. Tremores mais próximos da superfície podem ser sentidos com maior intensidade nas áreas próximas ao epicentro.
Ainda assim, os primeiros relatos não indicam uma nova destruição comparável à registrada na quarta-feira.
Terremoto tem relação com a avalanche?
Até o momento, não há indicação de que o terremoto desta quinta-feira tenha provocado a avalanche ocorrida no dia anterior.
Esse ponto é importante porque as primeiras informações sobre a tragédia de quarta chegaram a indicar a ocorrência de um terremoto próximo à fronteira entre Nepal e China.
Posteriormente, o Serviço Geológico dos Estados Unidos revisou os dados.
A análise mostrou que o sinal registrado pelos equipamentos não havia sido provocado por um terremoto convencional. O próprio deslocamento gigantesco de gelo e rochas gerou vibrações no solo fortes o suficiente para serem detectadas pelos sensores sísmicos.
O evento produzido pelo colapso teve intensidade equivalente a um tremor de magnitude 5,2.

O que provocou a tragédia na fronteira com o Nepal?
As análises mais recentes apontam que a devastação começou com o colapso de uma geleira no Himalaia.
Uma enorme quantidade de gelo, pedras e outros materiais desceu pela montanha e atingiu o sistema de rios da região.
A força do fenômeno provocou uma inundação repentina que avançou por áreas habitadas.
Casas, estradas, pontes e veículos foram atingidos. Imagens registradas durante a tragédia mostram moradores correndo enquanto uma enorme massa de água, lama e destroços avança pelas localidades.
Centenas morreram e buscas continuam
Os números da tragédia ainda estão sendo atualizados pelas autoridades e podem mudar conforme as equipes conseguem chegar às regiões isoladas.
Nesta quinta-feira, equipes de resgate continuam procurando sobreviventes e desaparecidos dos dois lados da fronteira.
A operação é considerada especialmente difícil por causa da quantidade de lama e escombros, além da destruição de estradas e pontes.
Helicópteros estão sendo utilizados para alcançar comunidades isoladas e transportar ajuda.
Entre os desaparecidos também há estrangeiros. A região recebe turistas e peregrinos de diversos países, especialmente pessoas que seguem em direção ao Monte Kailash, considerado sagrado por diferentes religiões.
Outro risco preocupa as autoridades
Além das buscas pelos desaparecidos e do terremoto registrado nesta quinta, outro problema mantém a região em alerta.
O deslocamento de terra, gelo e pedras provocou bloqueios naturais em cursos d’água.
Quando um rio é bloqueado dessa maneira, a água começa a se acumular atrás da barreira formada pelos destroços, criando uma espécie de represa natural.
O perigo acontece caso essa barreira se rompa.
Uma grande quantidade de água poderia ser liberada rapidamente e provocar uma nova inundação nas regiões mais baixas.
Por isso, autoridades e especialistas monitoram o nível da água e as condições das barreiras naturais formadas depois da tragédia.
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Por que o Himalaia é uma região tão vulnerável?
A cordilheira do Himalaia está localizada em uma das áreas geologicamente mais ativas do planeta.
A região é resultado do encontro das placas tectônicas Indiana e Euroasiática. O movimento contínuo dessas enormes estruturas da crosta terrestre provoca terremotos com frequência.
Foi esse processo geológico que formou o próprio Himalaia ao longo de milhões de anos.
Ao mesmo tempo, cientistas acompanham outro fator de risco: o rápido derretimento das geleiras.
O aumento das temperaturas pode tornar áreas montanhosas mais instáveis, favorecendo o desprendimento de gelo e rochas e aumentando a possibilidade de inundações repentinas provocadas pelo rompimento de lagos glaciais ou bloqueios naturais.
Isso significa que terremotos, deslizamentos e fenômenos relacionados às geleiras podem representar ameaças diferentes, mesmo quando acontecem na mesma região.
O que acontece agora?
As prioridades continuam sendo encontrar desaparecidos, retirar moradores das áreas consideradas perigosas e garantir acesso às comunidades isoladas.
Equipes também monitoram rios e lagos formados depois do desastre para tentar identificar rapidamente qualquer sinal de rompimento.
O terremoto desta quinta adiciona mais um elemento de preocupação, mas, até o momento, não há indicação de uma nova tragédia provocada pelo tremor.
As autoridades seguem acompanhando possíveis réplicas e outros movimentos sísmicos na região.
ENTENDA O CONTEXTO
A fronteira entre Nepal e Tibete foi atingida na quarta-feira (26) por uma enorme avalanche de gelo, pedras e lama provocada pelo colapso de uma geleira.
O material avançou pelo sistema de rios e gerou uma inundação repentina que destruiu comunidades, estradas e pontes e deixou centenas de vítimas.
Inicialmente, sensores registraram um sinal que chegou a ser interpretado como terremoto. Análises posteriores mostraram que o próprio colapso da geleira havia produzido a atividade sísmica detectada.
Nesta quinta-feira (27), porém, um terremoto de fato foi registrado no Tibete. O abalo teve magnitude 5 e aconteceu a centenas de quilômetros das principais áreas atingidas pelo desastre anterior.
Agora, além das buscas pelas vítimas, autoridades acompanham a possibilidade de novas inundações provocadas por bloqueios nos rios e monitoram a atividade sísmica da região.
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