A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo ponto de tensão para Flávio Bolsonaro (PL): o filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O longa, que ainda nem chegou aos cinemas, passou a ocupar espaço no debate eleitoral depois que vieram à tona informações sobre o financiamento da produção e a relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Durante a sabatina sexta-feira (28), Flávio foi questionado sobre o assunto e defendeu a operação. O candidato afirmou que o dinheiro foi destinado ao filme, e não a ele pessoalmente.
O problema é que as investigações ainda tentam esclarecer a origem e o caminho de parte dos recursos.
O dinheiro que colocou o filme no centro da investigação
Segundo informações divulgadas durante a apuração do caso, Vorcaro teria destinado R$ 61 milhões para o financiamento do filme. O valor fazia parte de uma negociação que teria chegado a R$ 134 milhões.
Flávio reconheceu que pediu recursos ao banqueiro para a produção, mas sustenta que se tratou de uma relação privada e sem irregularidades.
“Eu não recebi dinheiro nenhum. Foi um patrocínio para quem fez o filme”, afirmou o candidato.
A defesa da produtora responsável pelo longa apresentou uma perícia particular segundo a qual a produção teria consumido cerca de US$ 13,4 milhões, aproximadamente R$ 75 milhões.
O documento, porém, não esclarece integralmente a origem dos recursos repassados por um fundo americano identificado como Havengate Development Fund LP. O próprio perito responsável afirmou que não mapeou a origem desse dinheiro.
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Por que a história voltou a pressionar Flávio?
O assunto ganhou força justamente durante a campanha presidencial.
Flávio já havia prometido apresentar uma prestação de contas detalhada sobre o financiamento do filme. Segundo reportagens sobre o caso, essa documentação não foi apresentada integralmente no prazo anunciado.
Na sabatina, o candidato voltou a afirmar que as informações já estariam disponíveis.
A questão é que a existência de documentos sobre parte da operação não significa que todas as dúvidas levantadas pelas investigações tenham sido respondidas.
Uma perícia privada apresentada pela produtora apontou que não houve utilização de dinheiro público na produção. Mas essa conclusão se restringe ao conjunto de documentos analisados pelo perito e não encerra as investigações oficiais.
O que Flávio diz sobre Vorcaro?
O candidato tenta delimitar a relação com o ex-banqueiro ao financiamento do filme.
Durante a entrevista, afirmou que a única relação que manteve com Vorcaro estava relacionada à produção.
Flávio também comparou o investimento no filme a outros aportes feitos por Vorcaro em projetos privados e classificou o financiamento como uma operação de boa-fé.
A investigação, entretanto, busca justamente esclarecer como o dinheiro circulou e qual foi sua origem.
PF e STF investigam o caso
O financiamento do Dark Horse é alvo de diferentes frentes de investigação. Uma delas, no Supremo Tribunal Federal, apura os repasses associados a Vorcaro.
Outra investigação envolve materiais apreendidos na chamada Operação Wi-Fi e tenta esclarecer se recursos públicos, incluindo valores relacionados a emendas parlamentares, poderiam ter sido utilizados para financiar a produção.
Isso não significa que esteja comprovado que dinheiro público foi usado no filme.
A questão ainda está sob investigação.
É justamente essa diferença que se tornou importante no debate eleitoral: há documentos, versões e perícias, mas também existem pontos sobre o financiamento que ainda precisam ser esclarecidos.
A resposta de Flávio na sabatina
Questionado sobre o contrato e sobre a prestação de contas, Flávio não apresentou os documentos durante a entrevista.
Ele afirmou que as informações já haviam sido divulgadas pela imprensa e voltou a sustentar que a perícia apontou ausência de dinheiro público na produção.
A resposta, porém, não encerrou as dúvidas sobre a origem dos recursos.
E é aí que o Dark Horse deixou de ser apenas um filme sobre Jair Bolsonaro e passou a representar também um problema político para o filho do ex-presidente.
O impacto na campanha
Flávio tenta construir uma candidatura presidencial própria, mas carrega ao mesmo tempo o peso do sobrenome Bolsonaro e a necessidade de responder a questionamentos sobre sua atuação política e empresarial.
O Dark Horse adiciona uma nova frente de desgaste porque envolve dinheiro, investigação, um banqueiro preso e a produção de uma obra sobre seu próprio pai.
A oposição já utiliza o caso politicamente.
No primeiro programa eleitoral de rádio, Lula explorou justamente o episódio e reproduziu um áudio relacionado ao pedido de dinheiro a Vorcaro.
Ou seja: a discussão sobre o filme já saiu do campo da produção cinematográfica.
Entrou definitivamente na campanha presidencial.
O que ainda precisa ser esclarecido?
As investigações ainda precisam responder algumas perguntas:
Qual foi exatamente a origem dos recursos utilizados na produção?
Qual foi o caminho do dinheiro atribuído a Vorcaro?
Qual foi o papel do fundo Havengate na operação?
Quanto foi efetivamente gasto no filme?
Quem foram todos os investidores?
Houve ou não utilização de recursos públicos?
A prestação de contas apresentada é suficiente para esclarecer a operação?
Até que essas respostas estejam concluídas, não é possível afirmar que houve desvio de dinheiro público ou irregularidade no financiamento do filme.
O que existe, neste momento, é uma investigação em andamento e uma disputa política cada vez mais intensa em torno do caso.
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ENTENDA O CONTEXTO
Dark Horse é um filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro e foi produzido pela Go Up Entertainment.
O longa passou a ser alvo de questionamentos depois que vieram a público negociações envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
A defesa da produtora apresentou uma perícia que aponta custo de aproximadamente US$ 13,4 milhões, mas a documentação não esclarece integralmente a origem de todos os recursos.
Flávio afirma que o dinheiro foi utilizado na produção e nega irregularidades.
As investigações continuam.
E, enquanto isso, o filme que deveria contar a história política de Jair Bolsonaro ganhou uma nova função na eleição de 2026: tornou-se um dos assuntos que mais pressionam seu filho durante a disputa pela Presidência.
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