Precisar de dinheiro com urgência pode transformar o crédito pessoal em uma saída rápida. O problema é que a facilidade para conseguir o empréstimo pode esconder uma conta muito mais pesada no fim.
Uma pesquisa da Proteste, associação de defesa do consumidor, comparou o custo do crédito pessoal em 14 instituições financeiras e encontrou diferenças expressivas entre as opções disponíveis. Em alguns casos, um empréstimo de poucos milhares de reais pode terminar custando mais que o dobro do valor recebido.
O levantamento analisou quatro cenários: empréstimos de R$ 3 mil e R$ 6 mil, com pagamentos em 12 ou 18 parcelas. Para fazer a comparação, foi considerado o Custo Efetivo Total (CET), indicador que reúne juros, tributos, taxas e demais despesas da operação.
E é justamente aí que está o detalhe que muita gente deixa passar.
R$ 3 mil podem virar mais de R$ 8,5 mil
Na simulação de R$ 3 mil divididos em 18 parcelas, o Banrisul apresentou CET de 47,34% ao ano. Nesse cenário, o consumidor pagaria R$ 4.020,66 ao final do contrato.
Já na opção mais cara analisada, o custo chegava a 401,83% ao ano, com o total da dívida alcançando R$ 8.528,04. Ou seja: dependendo da instituição, a diferença passa de R$ 4,5 mil para quem pegou exatamente o mesmo valor. Os números mostram por que olhar apenas para o valor da parcela pode ser uma armadilha.
Uma prestação aparentemente acessível pode esconder um custo final muito maior.
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O banco mais barato da pesquisa
Em todas as simulações analisadas, o Banrisul apresentou o menor CET entre as instituições avaliadas. Para o empréstimo de R$ 3 mil em 12 parcelas, por exemplo, o custo era de 46,85% ao ano, enquanto uma das opções mais caras chegava a 466,01% ao ano.
Na mesma simulação, o consumidor pagaria R$ 3.671,64 no Banrisul contra R$ 6.795,24 na opção mais cara.
A diferença não está apenas no tamanho da parcela. Ela aparece principalmente quando se soma tudo o que será desembolsado até o fim do contrato.
E quando o empréstimo é de R$ 6 mil?
A diferença também aparece quando o valor emprestado aumenta.
Na simulação de R$ 6 mil em 12 parcelas, o Banrisul novamente apresentou o menor CET, de 46,85% ao ano. Já a Portocred registrou o maior, com 409,58% ao ano.
Em 18 parcelas, o levantamento apontou outro contraste importante: o consumidor pagaria R$ 8.041,14 no Banrisul, enquanto a simulação mais cara chegaria a R$ 16.597,08 na Losango.
É uma diferença de mais de R$ 8,5 mil entre as duas opções para o mesmo valor contratado.
O que é o CET e por que você precisa olhar para ele?
O Custo Efetivo Total, conhecido como CET, é um dos principais números que o consumidor deve observar antes de contratar um empréstimo.
Isso acontece porque a taxa de juros anunciada não necessariamente representa todo o custo da operação.
O CET considera o conjunto de encargos, tributos, taxas e despesas envolvidos no crédito. Por isso, ele permite uma comparação mais realista entre diferentes propostas.
Na prática, não basta perguntar:
“Quanto vou pagar por mês?”
A pergunta mais importante é:
“Quanto vou pagar ao todo?”
Crédito pessoal pode virar uma armadilha
A pesquisa da Proteste também apontou o crédito pessoal como um dos fatores associados ao endividamento dos brasileiros, ao lado do cartão de crédito e do desemprego.
A facilidade de contratação ajuda a explicar parte desse cenário.
O crédito pessoal costuma ter contratação rápida e pouca burocracia. O consumidor solicita o valor, passa pela análise da instituição, aguarda a aprovação e, se o pedido for aceito, recebe o dinheiro.
O problema começa quando a facilidade para pegar o dinheiro faz o consumidor deixar de avaliar quanto terá de devolver.
Quando vale a pena pegar um empréstimo?
A recomendação de especialistas ouvidos pela Proteste é evitar o crédito pessoal sempre que possível.
Mas existe uma situação em que ele pode fazer sentido: quando o empréstimo substitui uma dívida ainda mais cara.
Um exemplo seria trocar uma dívida do cartão de crédito ou do cheque especial por uma linha com custo menor.
Ainda assim, a comparação precisa ser feita antes da contratação.
Outra recomendação é evitar que as parcelas comprometam mais de 30% da renda mensal, segundo a orientação citada na reportagem.
O que analisar antes de contratar
Antes de aceitar a primeira oferta que aparecer no aplicativo do banco, vale conferir:
Custo Efetivo Total (CET);
taxa de juros;
número de parcelas;
valor de cada prestação;
valor total pago ao final;
tarifas e outros encargos;
possibilidade de antecipar parcelas;
impacto da dívida no orçamento mensal.
Uma diferença aparentemente pequena na taxa pode representar milhares de reais ao longo do contrato.
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Entenda o contexto
O crédito pessoal não exige que o consumidor informe ao banco qual será a finalidade do dinheiro, diferentemente de modalidades específicas, como financiamentos de imóveis ou veículos. Os prazos podem variar de acordo com a instituição e a operação.
Por isso, a responsabilidade pela decisão passa também pela capacidade de pagamento do consumidor.
A pesquisa mostra que o mesmo valor emprestado pode gerar dívidas completamente diferentes, dependendo da instituição escolhida e das condições oferecidas.
No fim das contas, a pergunta não deveria ser apenas se o banco libera o dinheiro.
É preciso descobrir quanto esse dinheiro vai custar depois que sair da conta.
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