O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu, neste sábado (29), o segundo compromisso de campanha em Minas Gerais. Em Belo Horizonte, ele participou do ato “Mulheres com Lula”, na Serraria Souza Pinto, no Centro da capital, em um evento voltado à discussão de políticas públicas para as mulheres e à mobilização do eleitorado feminino.
O ato reuniu cerca de 5 mil apoiadoras, segundo a organização. O espaço tem capacidade para até 5,2 mil pessoas em eventos. O encontro foi organizado pela Secretaria Nacional de Mulheres do PT, com articulação da primeira-dama, Janja Lula da Silva.
Ministras, secretárias, lideranças políticas e candidatas ao Senado por Minas participaram da programação. Entre elas, Áurea Carolina (PSOL) e Marília Campos (PT). Os homens presentes no palco foram Lula, o candidato do PT ao governo de Minas, Patrus Ananias, e o candidato a vice, Jarbas Soares.
Minas Gerais é considerado um estado estratégico para a disputa presidencial. São mais de 16 milhões de eleitores aptos a votar em 2026, o segundo maior eleitorado do país. A agenda deste sábado ocorreu uma semana depois da primeira visita de campanha de Lula ao estado. No dia 21, também em Belo Horizonte, o presidente participou do lançamento da candidatura de Patrus ao governo, em um ato que reuniu cerca de 20 mil pessoas, segundo a organização.
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Foco nas políticas para as mulheres
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou durante o evento a criação da pasta no atual governo e apresentou ações voltadas à proteção e à autonomia feminina.
“Desde 2023, as mulheres brasileiras passaram a ter um ministério para chamar de seu. Quando o presidente Lula criou o Ministério das Mulheres, foi uma escolha de projeto de país, o reconhecimento de que as mulheres são protagonistas da democracia, do desenvolvimento e da construção do nosso futuro”, afirmou.
Segundo a ministra, o governo também ampliou ações de combate à violência contra a mulher, atendimento especializado e políticas de autonomia econômica.
Patrus Ananias também fez um discurso direcionado às mulheres e relembrou a esposa, Vera, que morreu há três anos. O candidato afirmou que aprendeu, na vida pública, que políticas funcionam melhor quando as mulheres participam das decisões.
“Eu aprendi na vida pública, onde as mulheres estão presentes, que as ações e as políticas públicas funcionam melhor”, disse.

Lula começa discurso falando da própria família
Ao iniciar o discurso, Lula falou sobre a relação com a mãe, dona Lindu, e sobre a influência das mulheres em sua trajetória. Ele também mencionou a atual mulher, Janja, e afirmou viver o que considera seu melhor momento como ser humano.
O presidente aproveitou o encontro para defender uma maior divisão das tarefas domésticas entre homens e mulheres. Segundo Lula, atividades como cuidar dos filhos, limpar a casa e acompanhar crianças doentes ainda são atribuídas majoritariamente às mulheres.
“Quanto mais compartilhamento tiver em tudo, inclusive no serviço de casa, fica melhor para todo mundo. Todo mundo trabalha menos, todo mundo fica mais dentro de casa e todo mundo vai ter mais tempo para depois fazer o que quiser”, afirmou.
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Fim da escala 6×1
Na sequência, Lula mirou uma das principais pautas trabalhistas em discussão no Congresso: o fim da escala 6×1. O presidente afirmou que a proposta deverá ser aprovada nesta semana e relacionou a mudança à possibilidade de trabalhadores terem mais tempo para a família e para a própria vida.
“É que nós vamos aprovar essa semana o fim da escala 6×1. Para que a mulher e os jovens tenham mais tempo de cuidar da sua própria vida, mais tempo para cuidar das crianças, mais tempo para passear e, inclusive, mais tempo para namorar também”, disse.
A declaração foi um dos principais momentos políticos do discurso e reforçou uma pauta que vem sendo associada à redução da jornada e à melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores.

Lula pede participação maior das mulheres na política
O presidente também destacou que as mulheres são maioria no eleitorado brasileiro, mas ainda não ocupam a maior parte das cadeiras no Congresso e em outros espaços de poder.
Lula atribuiu parte dessa diferença à forma como as mulheres votam e fez um chamado para que elas apoiem candidaturas femininas.
“Deus já fez vocês maioria. Exerçam esse direito de vocês. Deus já deu para nós o que nenhuma de vocês pediu. Agora, pelo amor de Deus, ajudem a fundar este país”, afirmou.
No Brasil, as mulheres representam cerca de 52% do eleitorado. Em Minas Gerais, o cenário também se repete, com maioria feminina entre os eleitores.
“Rico vota em rico”
Em outro trecho do discurso, Lula fez uma crítica à escolha de candidatos por parte dos eleitores mais pobres. Ao falar sobre representação política e interesses econômicos, afirmou que entende quando pessoas ricas apoiam candidatos ricos, mas questionou quando o voto ocorre de forma diferente da própria realidade econômica.
“Quando eu passo na rua e vejo a casa de um rico com a propaganda de um rico, eu compreendo, porque o rico vota no rico, porque está defendendo os seus interesses. Agora, quando eu passo na casa e vejo o povo defendendo o rico, eu fico perguntando: o que esse pobre pensa?”, declarou.
A fala foi acompanhada de um apelo para que o eleitor avalie as propostas e os interesses defendidos pelos candidatos.
Crítica à desvalorização dos garis
Lula também falou sobre trabalhadores responsáveis pela limpeza urbana. O presidente afirmou que existe uma percepção de que determinadas profissões são menos valorizadas socialmente e citou os garis como exemplo.
“Eu fico pensando se aquelas pessoas que fazem a limpeza na rua soubessem da importância do trabalho deles, se eles soubessem que, se eles não tirarem o lixo durante uma semana, até as pessoas que não enxergam o médico durante o dia inteiro vão passar a enxergar”, disse.
Na sequência, Lula afirmou que o problema não está no trabalhador, mas na falta de reconhecimento e de oportunidades. O presidente defendeu que o Estado deve atuar para garantir condições de igualdade.
“É o Estado que tem que garantir a igualdade de oportunidade. É o Estado que tem que garantir que a filha da empregada doméstica possa disputar a mesma vaga da universidade que a filha da patroa, que o trabalhador da fábrica possa disputar a mesma vaga”, afirmou.

Aceno ao eleitorado feminino
Ao longo do discurso, Lula apresentou números e programas do terceiro mandato que, segundo ele, beneficiaram mulheres. Entre as ações citadas estão o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida, a Lei da Igualdade Salarial, políticas de saúde da mulher, a distribuição de absorventes pelo programa de dignidade menstrual, as Casas da Mulher Brasileira e medidas de combate ao feminicídio.
O presidente também destacou que 84% dos beneficiários do Bolsa Família são mulheres e que a maior parte dos contratos do Minha Casa, Minha Vida é registrada em nome feminino.
A estratégia do encontro foi clara: Lula mirou o eleitorado feminino e fez um aceno às mulheres de todo o país, apresentando políticas do governo e defendendo maior participação delas na política e no mercado de trabalho.
O presidente encerrou o discurso reforçando a ideia de que as mulheres devem ocupar mais espaços de decisão e que políticas públicas devem garantir autonomia, proteção e igualdade de oportunidades.