Saúde mental: “As pessoas acabam perdendo a oportunidade de melhorar porque não procuram ajuda”, alerta psiquiatra

Em entrevista ao Papo NC News, Dr. Luiz Scocca falou sobre aumento dos transtornos mentais, redes sociais, TDAH, depressão, ansiedade, uso de medicamentos e a importância de buscar ajuda profissional
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental no mundo, segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS). O cenário acende um alerta para problemas como ansiedade e depressão e também chama atenção para os impactos da rotina, do excesso de cobrança, do isolamento e do uso intenso das redes sociais.

Foi justamente sobre esse cenário que o Papo NC News conversou com o médico psiquiatra Luiz Scocca. Em entrevista conduzida por Alex Sampaio, o especialista falou sobre os principais transtornos mentais, os desafios enfrentados por adolescentes, o papel das redes sociais e a importância de não adiar a procura por ajuda.

Mais diagnósticos ou mais sofrimento?

Segundo Scocca, o crescimento dos números não pode ser explicado apenas pelo fato de que hoje existem mais diagnósticos.

O especialista destaca que houve uma mudança importante na forma como a sociedade encara a saúde mental. Com menos estigma e maior acesso à informação, mais pessoas passaram a reconhecer sintomas e procurar atendimento.

Mas existe outro lado. O sofrimento mental também aumentou.

Durante a entrevista, o psiquiatra explicou que fatores como pressão, cobrança e estresse constante podem contribuir para esse cenário. Para ele, o cérebro humano não foi feito para permanecer permanentemente em estado de alerta.

O resultado pode aparecer na forma de ansiedade, depressão e outros transtornos que afetam diretamente a qualidade de vida.

 

Ansiedade, depressão e outros transtornos

Ao ser questionado sobre os transtornos mais comuns, Scocca colocou a ansiedade entre os principais problemas de saúde mental.

A depressão também aparece entre os quadros de maior impacto, podendo provocar prejuízos na vida pessoal e profissional.

O psiquiatra ainda citou problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas, transtornos de personalidade, transtorno bipolar e esquizofrenia.

Mas existe uma diferença fundamental: ter determinadas características ou experimentar determinados sentimentos não significa necessariamente ter um transtorno mental.

É justamente por isso que o diagnóstico precisa ser feito por um profissional.

Leia mais:

Papo NCNews: Antony Andryw, CEO da Ayra, revela como a Tecnogames Brasil está levando a cultura geek para o Norte

Redes sociais aumentam a vulnerabilidade?

Um dos momentos mais importantes da entrevista aconteceu quando o assunto chegou aos adolescentes.

Para Scocca, as redes sociais não criaram os transtornos mentais, mas podem funcionar como amplificadores de vulnerabilidades.

A adolescência já é uma fase marcada por mudanças hormonais, necessidade de pertencimento e busca por aceitação. Nesse ambiente, comparação constante, cyberbullying e pressão para estar sempre conectado podem aumentar o sofrimento.

O excesso de tempo de tela também pode prejudicar momentos de descanso e convivência.

A consequência é uma geração que, muitas vezes, está permanentemente conectada, mas pode experimentar justamente o contrário: mais isolamento e menos contato interpessoal.

 

O celular pode virar uma dependência?

Durante o Papo NC News, Alex Sampaio questionou o especialista sobre casos em que jovens apresentam comportamentos explosivos quando têm o acesso ao celular interrompido.

Scocca citou a nomofobia, termo utilizado para descrever o medo ou desconforto relacionado à falta de acesso ao celular.

O médico explicou que o uso de determinadas plataformas pode estar associado a mecanismos de recompensa no cérebro. Por isso, controlar o tempo de tela pode ser importante, especialmente entre crianças e adolescentes.

Veja também:

Óleos essenciais podem transformar sua rotina? Entenda os benefícios e os cuidados da aromaterapia no Papo NC News

O alerta, porém, não é para demonizar a tecnologia.

A questão é entender quando o uso deixa de fazer parte da rotina e começa a prejudicar a vida da pessoa.

A família pode ser fundamental para perceber os sinais
Um dos pontos destacados pelo psiquiatra foi o papel da rede de apoio.

Muitas vezes, a própria pessoa não percebe ou não aceita que está enfrentando um problema. Amigos, familiares, parceiros e pessoas próximas podem identificar mudanças de comportamento e ajudar a encaminhar o indivíduo para atendimento especializado.

Para Scocca, um dos maiores erros é justamente demorar para procurar ajuda.

“As pessoas acabam perdendo a oportunidade de melhorar porque não procuram ajuda”, afirmou o psiquiatra durante a entrevista.

O alerta vale especialmente quando mudanças de comportamento começam a comprometer relações pessoais, trabalho, estudos, sono ou outras áreas da vida.

Nem todo sofrimento significa transtorno mental

Outro ponto levantado durante a conversa foi a chamada “autodiagnose” nas redes sociais.

Com vídeos e conteúdos sobre saúde mental circulando diariamente, tornou-se comum encontrar pessoas afirmando ter determinado transtorno depois de identificar alguns sintomas em si mesmas.

Scocca fez um alerta para esse comportamento. Sentir ansiedade em determinadas situações não significa necessariamente ter um transtorno de ansiedade.

Da mesma forma, apresentar algumas características associadas a narcisismo, impulsividade ou outros comportamentos não significa automaticamente possuir um diagnóstico.

O especialista reforçou que a avaliação precisa considerar a história individual de cada pessoa.

“Nós não tratamos um diagnóstico. A boa psiquiatria trata o indivíduo”, explicou.

Medicamento não é necessariamente para a vida toda

A relação entre psiquiatria e medicamentos também foi discutida.

Scocca explicou que nem todo tratamento psiquiátrico depende exclusivamente de medicamentos e que a medicalização precisa ser feita com critério.

Dependendo do caso, o tratamento pode envolver medicamentos, psicoterapia, mudanças de hábitos e acompanhamento de outros profissionais. E existe outro ponto importante: o tempo de tratamento varia de pessoa para pessoa.

Alguns pacientes podem precisar de medicamentos durante períodos específicos, enquanto outros podem necessitar de tratamento prolongado.

Por isso, interromper, iniciar ou alterar uma medicação por conta própria não é recomendado.

O trabalho também entrou no debate

A conversa também abordou o impacto da vida profissional sobre a saúde mental.

O aumento da pressão por resultados, a cobrança constante e a dificuldade de estabelecer limites podem contribuir para o crescimento de casos de burnout, problema relacionado especificamente ao contexto de trabalho.

O tema ganhou espaço nas discussões sobre saúde ocupacional justamente porque o sofrimento psicológico também afeta produtividade, afastamentos e qualidade de vida.

Para o psiquiatra, cuidar da saúde mental no ambiente profissional precisa ser uma preocupação permanente.

Sono, atividade física e desconexão também fazem parte do cuidado

No fim da entrevista, Scocca destacou que a prevenção passa por hábitos cotidianos.

Dormir bem, manter uma alimentação adequada, praticar atividade física, cultivar relações pessoais e encontrar momentos para se desconectar podem contribuir para uma rotina mais saudável.

Isso não significa substituir tratamento médico quando ele é necessário.

A ideia é justamente o contrário: construir uma rotina que ajude a preservar a saúde e permita identificar mais cedo quando alguma coisa não está bem.

O especialista também chamou atenção para a necessidade de buscar ajuda profissional antes que o problema se agrave.

O que acontece quando a pessoa procura ajuda?

Para Scocca, procurar um profissional não significa necessariamente receber um diagnóstico ou começar imediatamente a tomar medicamentos. O primeiro passo é entender o que está acontecendo.

A partir daí, o profissional pode avaliar sintomas, histórico, rotina, relações pessoais e outros fatores para definir qual é a melhor abordagem.

O tratamento é individual. Por isso, informações encontradas na internet ou em ferramentas de inteligência artificial não substituem uma avaliação profissional.

Um alerta que vale para todos

A entrevista mostrou que saúde mental não é um assunto restrito a quem já possui um diagnóstico.

É também uma questão de prevenção, informação e atenção aos sinais.

O cenário mundial reforça a dimensão do problema: mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais, segundo a OMS.

Mas, para o Dr. Luiz Scocca, existe espaço para mudança. O ponto central é não esperar o sofrimento chegar ao limite para buscar ajuda.

Como resumiu o próprio especialista durante o Papo NC News:

“As pessoas acabam perdendo a oportunidade de melhorar porque não procuram ajuda.”

Entenda o contexto

O Papo NC News recebe convidados para discutir assuntos que fazem parte da vida dos brasileiros. Neste episódio, apresentado por Alex Sampaio, o convidado foi o médico psiquiatra Luiz Scocca, que falou sobre saúde mental, TDAH, ansiedade, depressão, insônia, dependência química, redes sociais e os desafios de buscar ajuda.

Mais lidas do NC NEWS:

Trem da Alegria se reúne após 40 anos e prepara novos shows

Aos 20 anos, brasileira vira a bilionária mais jovem do mundo com fortuna ligada à WEG

 

Carregar Comentários