Pesquisa nacional do instituto Real Time Big Data mantém o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da corrida ao Planalto, mas coloca o escritor Augusto Cury (Avante) no centro do tabuleiro eleitoral ao registrá-lo pela primeira vez na casa dos dois dígitos.
O levantamento, feito por telefone com 2 mil eleitores em todo o país e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-03490/2026, redesenha o mapa da disputa e pressiona as campanhas de Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL), até aqui pilares da polarização.
Levantamento testa cenário com e sem Pablo Marçal
A pesquisa divulga dois cenários para o primeiro turno, um incluindo e outro excluindo Pablo Marçal (PRTB), declarado inelegível pela Justiça Eleitoral, mas ainda presente no debate público. Em ambos, Lula aparece à frente, seguido por Flávio Bolsonaro, com Cury emergindo como principal alternativa fora do eixo tradicional.
O instituto resume o quadro: “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as intenções de voto para o primeiro turno das eleições presidenciais”. O texto técnico também registra a guinada do candidato do Avante: “Augusto Cury, candidato do Avante, teve alta expressiva nas intenções de voto, passando de 1% para entre 10 e 11 pontos”.
A mudança numérica é considerada relevante porque ocorre em intervalo curto de tempo e em pesquisa com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Na prática, o escritor deixa o pelotão dos nanicos e se instala no grupo competitivo, ao lado de Lula e Flávio.
Terceira via volta ao centro do debate
O desempenho de Cury aciona alertas nas campanhas dos dois líderes. Dirigentes de partidos que orbitam o entorno de Flávio admitem que o crescimento do escritor fere a tese de polarização consolidada, segundo a qual não haveria espaço para uma terceira via viável.
Um articulador político aliado de Flávio Bolsonaro, que acompanha pesquisas internas e pediu para não ser identificado, descreve o movimento como a materialização de um risco mapeado há semanas: “Levantamentos internos indicam a viabilidade de um candidato alternativo, desde que consiga furar a polarização”.
Essa percepção ganha força ao se observar o desempenho dos demais nomes testados. Clariana Barão (DC), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara (UP), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Wilson Grassi (Democrata) somam, juntos, 2% das intenções de voto. Nenhum deles atinge 1% individualmente, o que confirma a concentração da disputa em torno de três candidaturas.
Crescimento de Cury mexe em estratégias e alianças
Nos bastidores, o avanço de Cury afeta cálculos de tempo de TV, alianças partidárias e, sobretudo, de financiamento. Partidos de centro que até aqui avaliavam uma acomodação entre Lula e Flávio começam a enxergar na candidatura do Avante um ativo de barganha, seja para um apoio no primeiro turno, seja como potencial parceiro de segundo turno.
Para Lula e Flávio, o desafio imediato é conter a erosão em segmentos mais voláteis do eleitorado, especialmente entre indecisos e eleitores de centro que rejeitam a polarização. Em reuniões internas, assessores de comunicação discutem ajustes de discurso, reposicionamento em redes sociais e reforço de agendas regionais para recuperar protagonismo no noticiário.
O avanço de um candidato classificado como “outsider” também pressiona o conteúdo do debate público. Especialistas em marketing político ouvidos por campanhas rivais avaliam que propostas voltadas à saúde mental, qualidade de vida e frustração com a política tradicional tendem a ganhar espaço, temas associados à trajetória de Cury como escritor.
Polarização em xeque, mas cenário ainda volátil
A pesquisa de hoje não elimina a polarização, mas mostra fissuras. Lula continua numericamente à frente, com Flávio em segundo, porém o salto de Cury reorganiza a disputa em três blocos e obriga os principais candidatos a revisar narrativas que tratavam a eleição como plebiscito entre governo e oposição.
Dentro das campanhas, há divergências sobre o peso real do fenômeno. Enquanto um dirigente do Centrão admite que “o Augusto Cury está correspondendo a essa expectativa do eleitor”, outro coordenador ligado a Flávio relativiza, nos diálogos internos, o potencial do autor de autoajuda de sustentar esse patamar ao longo da campanha.
Os números da Real Time Big Data serão agora submetidos ao escrutínio de agregadores estatísticos, como o Carta/Colectta, que cruza levantamentos registrados na Justiça Eleitoral e calcula tendências diárias com base em amostra, metodologia e atualidade. A convergência ou não das próximas pesquisas definirá se o desempenho de Cury marca uma inflexão duradoura ou um pico passageiro.
Para os partidos, a mensagem é clara: a eleição segue aberta. O surgimento de uma alternativa competitiva à esquerda e à direita amplia o leque de possibilidades para o segundo turno e pode forçar pactos mais amplos de governabilidade, qualquer que seja o vencedor. Até lá, cada nova rodada de pesquisas tende a ser examinada com lupa por campanhas, investidores e eleitores em busca de sinais firmes num cenário ainda em transformação.
O que mostra a pesquisa Real Time Big Data de hoje?
A pesquisa Real Time Big Data, registrada no TSE sob o código BR-03490/2026, mostra Lula na liderança, Flávio Bolsonaro em segundo lugar e Augusto Cury entre 10% e 11% das intenções de voto, após 2 mil entrevistas telefônicas em todo o país, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Por que o crescimento de Augusto Cury preocupa Lula e Flávio Bolsonaro?
O crescimento de Augusto Cury para a faixa de 10% a 11% preocupa Lula e Flávio Bolsonaro porque cria uma terceira via competitiva, rompe a narrativa de duelo exclusivo entre governo e oposição e pode atrair eleitores de centro, recursos de campanha e aliados que hoje orbitam as duas principais candidaturas.