“Segunda já tenho que estar fora?”: Vorcaro consultou Moraes sobre fuga dois dias antes de ser preso

Mensagens mostram banqueiro perguntando ao ministro do STF se deveria deixar o país véspera da Operação Compliance Zero — PF vê indícios de que Moraes o municiava com informações da investigação
Redação NC News
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A crise que envolve o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ganhou um capítulo ainda mais grave: mensagens reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo mostram que Vorcaro perguntou diretamente ao ministro do STF se precisaria fugir do país, dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal ao tentar embarcar para Dubai em um avião particular.

Em 15 de novembro do ano passado, o dono do extinto Banco Master escreveu a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.

Na sequência, emendou outras três perguntas ao ministro: se o “juiz Ricardo” era o mesmo do caso, se o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, estava sabendo do que se passava, e se havia algo que pudesse ser feito.

No dia seguinte — véspera do cumprimento do mandado de prisão —, Vorcaro voltou a perguntar se havia “alguma chance” de a prisão acontecer já na manhã seguinte.

“Acha que segunda já tenho que estar fora?”

Para investigadores da PF, o teor das conversas permite deduzir que Moraes fornecia a Vorcaro informações sobre o andamento da Operação Compliance Zero, incluindo datas e horários de diligências programadas pela própria Polícia Federal — o tipo de dado que, se confirmado, comprometeria diretamente a isenção do ministro no caso.

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O contrato da mulher de Moraes

As mensagens se somam a outro ponto que já vinha sendo tratado como sensível: o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e o próprio Vorcaro.

Uma imagem do documento também evidencia uma edição atribuída ao ministro Alexandre de Moraes no contrato de R$ 131 milhões. O registro acrescenta um novo elemento à discussão sobre a relação entre o magistrado, o escritório da esposa e o empresário.

Procurada, a banca confirmou o valor e afirmou, em nota, que seu setor de compliance “solicitou informações” ao ministro, na condição de marido da sócia diretora, sobre eventuais impedimentos legais para o fechamento do contrato — como ações sob a relatoria de Moraes no STF ou participação em julgamentos de interesse do cliente.

Mensagens Mostram Pedido De Cartões Para Filhos

As imagens de conversas de WhatsApp acrescentam outro elemento à relação entre pessoas ligadas ao escritório de Viviane Barci de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro. Em uma das mensagens, Guilherme Benazzi, que afirma trabalhar com Viviane, procura um contato para tratar de cartões de crédito destinados a Giuliana e Alexandre, mencionados na conversa como filhos dela.

Na sequência, uma conversa atribuída a Adriana Solano Master registra que Guilherme havia entrado em contato para solicitar a emissão dos cartões. A mensagem informa ainda que o limite seria de R$ 300 para cada cartão e pergunta se poderia dar prosseguimento ao procedimento.

As mensagens, datadas de 2 de outubro de 2025, indicam uma interação direta para viabilizar o serviço financeiro e mostram que o contato envolvendo pessoas do escritório de Viviane não se restringia às questões relacionadas ao contrato milionário. O material, porém, não permite concluir, isoladamente, quem seria o responsável pelo pagamento das despesas ou qual seria a finalidade dos cartões.

As duas imagens registram uma sequência de conversas sobre a emissão dos cartões. Na primeira, Guilherme Benazzi se apresenta a um interlocutor como alguém que trabalha com Viviane e pede um contato para tratar dos cartões de Giuliana e Alexandre. O interlocutor então fornece o contato de Adriana Solano Master. Na segunda imagem, Adriana confirma que foi procurada por Guilherme, também identificado por ela como alguém que trabalha com a “dra. Viviane”, e pergunta se pode seguir com a emissão dos cartões, com limite de R$ 300 para cada um.

O ponto central do material é a existência do contato e da solicitação registrada nas mensagens. As imagens não comprovam, por si só, eventual vínculo financeiro mais amplo entre os envolvidos nem permitem atribuir a terceiros responsabilidades que não estejam expressamente demonstradas no conteúdo.

Caso já mobiliza votos dentro do STF

As novas revelações se juntam a outra frente que já corre nos bastidores da Corte. Como mostrou a CNN Brasil, informações sobre um suposto pedido de Moraes de proteção a Vorcaro junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, levaram o ministro André Mendonça a avaliar um pedido formal de abertura de investigação contra o colega ao presidente do STF, Edson Fachin. Mendonça já mapearia os votos favoráveis à apuração dentro do plenário.

O Banco Central ainda não se manifestou sobre o trecho da mensagem em que Vorcaro cita Gabriel Galípolo.

O que está em jogo

Se confirmado o teor das mensagens, o caso deixa de ser apenas sobre um contrato familiar ou um pedido informal de ajuda e passa a levantar suspeita de vazamento de informações sigilosas de uma operação policial em andamento — o tipo de acusação capaz de justificar, sozinha, um pedido de investigação dentro do Supremo. A pressão sobre Moraes cresce justamente no momento em que aliados de Mendonça já discutem números para uma eventual votação no plenário

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