Fernanda Rodrigues troca temporariamente os estúdios de TV pelo campo e assume a dianteira de um projeto ambiental que muda o destino de uma fazenda antes abandonada. A atriz conduz a recuperação da área rural com plantio de árvores nativas, cultivo orgânico de café em sistema agroflorestal e reforma completa das estruturas da propriedade.
Fazenda abandonada vira vitrine de sustentabilidade
A iniciativa está em curso neste momento e transforma um terreno degradado em área de preservação e produção orgânica. A fazenda, cuja localização não é divulgada, passa a concentrar esforços de conservação ambiental, agricultura sustentável e potencial futuro de turismo rural.
O coração do projeto está na recomposição da vegetação nativa. Fernanda participa da coordenação do plantio de mais de 120 mil árvores brasileiras, que começam a redesenhar a paisagem e a devolver sombra, umidade e abrigo para a fauna. Ela resume a proposta em uma frase: o projeto inclui “o plantio de mais de 120 mil árvores nativas, a preservação de nascentes e a produção agrícola sustentável”.
A recuperação de nascentes é outro eixo central. As áreas de água, antes vulneráveis à erosão e ao assoreamento, agora recebem cercamento, manejo do solo e cinturões de vegetação. O objetivo é garantir que os cursos d’água sigam vivos e limpos, alimentando o entorno e ajudando a regular o clima local.

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Café orgânico em 40 hectares de agrofloresta
No campo produtivo, a fazenda aposta no café como carro-chefe, mas em um modelo distante da monocultura tradicional. Cerca de 40 hectares são destinados ao cultivo do grão em sistema de agrofloresta, em que os cafezais convivem com árvores nativas e espécies frutíferas.
Esse arranjo cria diferentes alturas e sombras, imitando a lógica da mata. A diversidade de plantas ajuda a controlar pragas de forma natural, melhora a infiltração de água e protege o solo contra o sol forte e a chuva pesada. As folhas que caem formam uma camada de matéria orgânica que alimenta as raízes e reduz a necessidade de insumos externos.
A produção é totalmente orgânica, sem uso de defensivos químicos. A fazenda trabalha com adubação natural e manejo integrado de pragas. A escolha busca proteger a saúde de trabalhadores, consumidores e do próprio ecossistema, além de responder à demanda crescente por cafés mais sustentáveis e rastreáveis.
Reforma das estruturas e impacto além da porteira
O projeto não se limita ao plantio. Fernanda também conduz uma reforma ampla das estruturas da antiga fazenda. A casa-sede e construções de apoio passam por revitalização para receber equipes, parceiros e, no futuro, visitantes interessados em conhecer de perto o modelo implantado.
A recuperação física da propriedade tem efeito simbólico: um espaço largado volta a ter função econômica e ambiental. Galpões podem ser adaptados para beneficiamento do café, armazenamento de mudas ou atividades educativas, como oficinas sobre plantio de árvores, compostagem e produção orgânica.
O impacto ultrapassa a cerca da fazenda. A recomposição da vegetação com 120 mil árvores nativas tende a aumentar a biodiversidade, atrair aves e polinizadores e criar corredores verdes entre fragmentos de mata. A melhoria do solo e da água beneficia propriedades vizinhas e comunidades que dependem desses recursos.

Pressão por mudança no campo e exemplo público
A iniciativa coloca luz sobre um contraste crescente no meio rural. Enquanto parte da agricultura ainda aposta em modelos intensivos, com grande uso de agrotóxicos e pouca diversidade, o projeto liderado por Fernanda mostra que é possível combinar produção e conservação, inclusive em áreas que estavam improdutivas.
Esse tipo de experiência acaba funcionando como vitrine e também como pressão. Produtores que seguem métodos convencionais podem enfrentar cobrança maior de consumidores, redes varejistas e exportadores por práticas mais limpas. A visibilidade de uma atriz conhecida acelera esse movimento ao levar o tema para públicos que raramente acompanham debates agrários.
Setores ligados ao meio ambiente, à agricultura familiar e ao turismo rural observam com atenção. Uma fazenda com cafezais orgânicos em 40 hectares de agrofloresta, nascentes preservadas e infraestrutura reformada tem potencial para receber visitas técnicas, escolas e até roteiros de fim de semana focados em natureza e gastronomia.
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Próximos passos e efeito multiplicador
A continuidade do projeto depende da manutenção dos investimentos e do envolvimento das comunidades do entorno. A expectativa é que, com a consolidação da produção de café e o crescimento das árvores nativas, a fazenda se torne autossustentável financeiramente, reduzindo a necessidade de aporte externo.
O engajamento público de Fernanda abre espaço para parcerias com organizações ambientais, pesquisadores, investidores de impacto e órgãos governamentais interessados em políticas de restauração florestal e apoio à agricultura orgânica. A propriedade pode virar campo de teste para novas técnicas de manejo, certificação e comercialização de produtos sustentáveis.
Se bem-sucedida, a experiência tende a servir de modelo para outras áreas rurais abandonadas. A transformação de uma fazenda ociosa em polo de conservação e produção orgânica aponta um caminho possível para conciliar recuperação ambiental, geração de renda e resposta às mudanças climáticas. A história ainda está em curso, mas já recoloca a paisagem da fazenda — e o papel de celebridades em causas ambientais — em outro patamar.
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