Um eclipse solar total previsto para agosto de 2027 promete transformar o dia em noite por até 6 minutos e 23 segundos em oito países, enquanto o Brasil se prepara para um eclipse lunar quase total na noite de 27 para 28 de agosto de 2026.
Do deserto africano ao Oriente Médio, um laboratório a céu aberto
O alinhamento de Sol, Lua e Terra em agosto de 2027 forma uma faixa de sombra de cerca de 258 quilômetros de largura. Essa “estrada escura” atravessa Espanha, Marrocos, Argélia, Líbia, Egito, Arábia Saudita, Iêmen e Somália, com o ponto de maior duração no Egito.
Na prática, quem estiver dentro dessa faixa verá o Sol desaparecer atrás da Lua por mais de seis minutos, um tempo incomum mesmo para eclipses totais. A escuridão repentina deve derrubar a temperatura, revelar estrelas em pleno dia e expor a corona solar, a tênue atmosfera externa que só aparece quando o disco solar fica encoberto.
A longa duração do fenômeno não é acaso. A Lua estará próxima do perigeu, o ponto de sua órbita em que fica mais perto da Terra. Nessa posição, parece maior no céu e cobre o Sol com folga, ao mesmo tempo em que a sombra se desloca mais devagar sobre o planeta. O efeito combinado estica a totalidade até os 6 minutos e 23 segundos.
Esse intervalo coloca o eclipse de 2027 entre os mais longos do século. Só perde para eventos de duração máxima de 6 minutos e 39 segundos, registrados em julho de 2009, e para um futuro eclipse previsto para junho de 2114, com 6 minutos e 32 segundos. Os demais eclipses totais deste século costumam oferecer entre dois e quatro minutos de escuridão.
Corrida de cientistas e turistas para a faixa da sombra
A rara combinação de longa duração e céu limpo em boa parte do norte da África e do Oriente Médio já mobiliza expedições internacionais. Grupos de astrônomos programam instalar telescópios em regiões de deserto, longe da poluição luminosa, para monitorar a corona solar, medir variações na atmosfera terrestre e acompanhar em detalhe o vento solar.
Esse tipo de eclipse funciona como um laboratório natural. A súbita queda de luz permite observar como a temperatura do ar responde em minutos, como aves e insetos mudam de comportamento e como a ionosfera, camada ionizada da atmosfera, reage à interrupção da radiação solar. Em geral, esses fenômenos exigem equipamentos espaciais; durante a totalidade, podem ser medidos do solo.
A perspectiva de mais de seis minutos de “noite ao meio-dia” também aquece o turismo científico. Cidades no traçado da sombra já entram no radar de agências especializadas, que vendem pacotes combinando observação do eclipse com roteiros culturais e visitas a sítios arqueológicos. Autoridades locais avaliam investimentos em infraestrutura, controle de trânsito e comunicação de risco para evitar acidentes e danos à visão do público.
A observação segura é ponto central dessa preparação. Especialistas em observação solar reforçam que o Sol nunca pode ser encarado diretamente sem filtro adequado, mesmo quando a Lua cobre a maior parte do disco. “Apenas durante a totalidade completa é seguro retirar a proteção por alguns instantes”, orientam. No instante em que um filete de luz reaparece, a proteção precisa voltar ao rosto.
Brasil sem eclipse solar total até 2045, mas com Lua em destaque
O Brasil fica fora da faixa do eclipse solar de 2027 e não verá o fenômeno nem de forma parcial. O próximo eclipse solar total visível a partir do território brasileiro só ocorre em 12 de agosto de 2045, o que cria um hiato de quase duas décadas sem um evento desse porte para o público nacional.
Enquanto isso, o céu brasileiro oferece outra oportunidade de espetáculo astronômico. Na noite de 27 para 28 de agosto de 2026, todo o país poderá acompanhar um eclipse lunar quase total, quando a Lua entra profundamente na sombra da Terra. A fase parcial, aquela em que a “mordida” no disco lunar é mais evidente, dura 3 horas e 18 minutos.
A astrônoma do Observatório Nacional Josina Oliveira do Nascimento destaca que, embora classificado como parcial, o fenômeno será visualmente extremo. “O fenômeno vai obscurecer 96,2% da Lua, o que o torna visualmente quase um eclipse total”, afirma. A Lua mergulha na parte mais escura da sombra terrestre, a umbra, e deve adquirir o tom avermelhado característico.
Ao contrário do que acontece com o Sol, o eclipse lunar é totalmente seguro para os olhos. Não é preciso óculos especiais, filtros ou telescópios. Basta ter céu limpo e linha de visão desobstruída. “Para ver o eclipse da Lua não é preciso nenhum aparato, basta olhar e contemplar pelo tempo que quiser”, reforça a astrônoma.
O Observatório Nacional planeja transmitir o evento ao vivo, ampliando o acesso para quem enfrentar céu nublado. A instituição pretende usar a ocasião para explicar a mecânica dos eclipses, mostrar imagens de alta resolução e responder dúvidas do público nas redes.
Fenômenos raros, calendário longo
O par de eclipses de 2026 e 2027 ajuda a dimensionar a escala de tempo desses eventos. Um eclipse solar total com mais de seis minutos de escuridão só volta a ocorrer em meados de 2114, um intervalo de quase 87 anos. “Esse intervalo de quase 87 anos demonstra a raridade extrema da mecânica cósmica e a importância de aproveitar essa oportunidade geracional”, registram dados oficiais de agências espaciais.
Para o Brasil, a espera por um eclipse solar total visível até 2045 se combina com um calendário mais favorável de eclipses da Lua. Depois do evento quase total de agosto de 2026, o cronograma inclui eclipses menos marcantes em 2027 e eclipses lunares totais visíveis a partir do fim da década. Cada episódio tende a funcionar como porta de entrada para novos interessados em astronomia.
A comunidade científica defende que essa sequência seja usada como gancho para fortalecer a educação científica, investir em observatórios públicos e formar guias e divulgadores especializados em turismo astronômico. Nas regiões que receberão a sombra do eclipse solar de 2027, governos discutem campanhas de informação sobre segurança ocular e protocolos para receber milhares de visitantes em poucas horas.
Os próximos anos devem consolidar essa agenda. Enquanto a Lua se prepara para quase apagar o próprio brilho diante dos brasileiros em 2026, astrônomos afinam cálculos e logística para perseguir a sombra de 258 quilômetros que, em 2027, vai cruzar desertos, mares e fronteiras levando o dia à escuridão.
Quando será o eclipse solar mais longo do século?
O eclipse solar total com maior duração máxima deste século ocorre em um evento já registrado em julho de 2009, com 6 minutos e 39 segundos de totalidade, enquanto o eclipse previsto para agosto de 2027 chega a 6 minutos e 23 segundos e o de junho de 2114 deve alcançar 6 minutos e 32 segundos.
Quais países vão ficar no escuro durante o eclipse solar?
O eclipse solar total de agosto de 2027 vai lançar sua faixa de totalidade sobre oito países, escurecendo por alguns minutos áreas da Espanha, Marrocos, Argélia, Líbia, Egito, Arábia Saudita, Iêmen e Somália, sempre dentro de uma faixa de sombra de aproximadamente 258 quilômetros de largura ao longo do traçado.
O eclipse solar será visível no Brasil?
O eclipse solar total de agosto de 2027 não será visível no Brasil, nem como parcial, porque a faixa de sombra se concentra entre sul da Europa, norte da África e Oriente Médio, e o próximo eclipse solar total que poderá ser visto a partir do território brasileiro só está previsto para 12 de agosto de 2045.
Por que o eclipse solar de 2027 é considerado raro?
O eclipse solar total previsto para agosto de 2027 é considerado raro porque oferece até 6 minutos e 23 segundos de escuridão, perto do recorde do século, graças à Lua próxima do perigeu e ao alinhamento geométrico preciso, algo que só volta a ocorrer com duração superior décadas depois, em 2114.
Quantos minutos vai durar o escurecimento durante o eclipse solar?
O escurecimento máximo do eclipse solar total de agosto de 2027 dura 6 minutos e 23 segundos em seu ponto central, no Egito, embora a totalidade seja um pouco menor nas demais regiões da faixa de 258 quilômetros de sombra que atravessa Espanha, norte da África e Oriente Médio ao longo do trajeto.
Quais cuidados são recomendados durante a observação do eclipse solar?
A observação de qualquer eclipse solar exige filtros especiais, como óculos certificados para observação do Sol ou filtros apropriados em telescópios e câmeras, porque olhar diretamente para o disco solar sem proteção pode causar queimaduras irreversíveis na retina; só durante a totalidade completa é seguro retirar a proteção por breves instantes.