O deputado distrital Gabriel Magno (PT-DF) protocolou uma Notícia de Fato no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pedindo a investigação de repasses financeiros feitos por empresas fornecedoras do Governo do Distrito Federal (GDF) à Faceng Engenharia Ltda., empresa pertencente ao marido da governadora Celina Leão (PP), Fabrício Faleiro, e à filha do casal.
Segundo a representação, baseada em reportagem publicada pelo jornal O Globo, a empresa Real JG Facilities, uma das principais prestadoras de serviços terceirizados do GDF, transferiu cerca de R$ 1,4 milhão para a Faceng por meio de 14 parcelas mensais de R$ 100 mil, entre maio de 2025 e junho de 2026.
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Entenda o que aconteceu
De acordo com o documento encaminhado ao MPDFT, os pagamentos ocorreram durante o período em que Celina Leão deixou a Vice-Governadoria e passou a ocupar o comando do Executivo distrital. Além dos valores atribuídos à Real JG Facilities, a representação aponta um repasse adicional de R$ 100 mil realizado pela 3J Facilities, empresa ligada ao mesmo grupo empresarial.
O parlamentar argumenta que os pagamentos merecem apuração por envolverem uma empresa pertencente a familiares da governadora e uma fornecedora que mantém contratos expressivos com a administração pública do Distrito Federal.

Questionamentos sobre os serviços prestados
Um dos principais pontos levantados na denúncia envolve as notas fiscais emitidas pela Faceng. Segundo o documento apresentado ao Ministério Público, os registros conteriam descrições consideradas genéricas dos serviços prestados, sem detalhamento de projetos, endereços das obras ou medições técnicas que permitam identificar de forma precisa a execução dos trabalhos.
A defesa de Fabrício Faleiro e a Real JG Facilities afirmaram que os pagamentos ocorreram por serviços privados de assessoria e acompanhamento de obras que não teriam qualquer relação com contratos mantidos junto ao GDF.
Para o deputado, entretanto, a falta de detalhamento das atividades exige uma análise mais aprofundada por parte dos órgãos de controle para verificar a regularidade das operações.
Contratos bilionários entram no radar da apuração
A representação também relaciona os repasses privados ao crescimento dos contratos públicos firmados pela Real JG Facilities com o governo distrital. Segundo o levantamento citado no documento, a empresa acumulou aproximadamente R$ 1,66 bilhão em empenhos liquidados entre 2019 e 2026.
Outro ponto destacado envolve o pagamento de cerca de R$ 328,9 milhões em indenizações por serviços executados sem cobertura contratual formal entre 2025 e 2026. De acordo com a denúncia, a maior parte desses valores estaria concentrada na Secretaria de Educação do Distrito Federal.
O parlamentar sustenta que o volume dos contratos e dos pagamentos públicos reforça a necessidade de esclarecer a natureza dos repasses feitos à empresa ligada à família da governadora.
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Pedido de investigação e próximos passos
Na representação, Gabriel Magno pede a abertura de um inquérito civil, a preservação de documentos e registros considerados relevantes para a investigação e a adoção de medidas para garantir a integridade das provas.
O documento também solicita que eventuais indícios de crimes envolvendo autoridades com foro especial sejam encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR) para análise.
Caso o Ministério Público entenda que existem elementos suficientes, a Notícia de Fato poderá evoluir para procedimentos investigatórios mais amplos, incluindo requisição de documentos, oitivas de envolvidos e análise de contratos públicos.
Entenda o contexto
A denúncia surge em meio a um cenário de ajuste fiscal e contingenciamento orçamentário no Distrito Federal. O parlamentar argumenta que diversos fornecedores e prestadores de serviços têm relatado atrasos em pagamentos do governo, enquanto empresas ligadas aos contratos investigados continuaram recebendo recursos públicos de forma significativa.
Para o autor da representação, a situação levanta questionamentos sobre possível conflito de interesses, eventual favorecimento financeiro e respeito à ordem cronológica de pagamentos prevista na administração pública. Já os envolvidos negam irregularidades e sustentam que as transações ocorreram dentro da legalidade e em atividades privadas desvinculadas do governo.
A partir da análise do MPDFT, caberá aos órgãos de controle verificar se os repasses possuem justificativa técnica e comercial compatível ou se há elementos que justifiquem o aprofundamento das investigações.
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