A nova pesquisa Quaest sobre a eleição presidencial de 2026 mostra uma disputa cada vez mais apertada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), enquanto o escritor Augusto Cury (Avante) aparece como uma das principais novidades da corrida ao Palácio do Planalto.
O levantamento foi realizado com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em todo o país, entre 30 de agosto e 1º de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
No cenário principal de primeiro turno, Lula aparece com 37% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 29%, e Augusto Cury, com 10%. Renan Santos tem 3%, enquanto Ronaldo Caiado e Romeu Zema registram 1% cada.
A diferença entre Lula e Flávio, porém, fica ainda menor quando o instituto simula um eventual segundo turno.
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Lula e Flávio ficam praticamente empatados no segundo turno
Em uma disputa direta entre os dois principais nomes, Lula aparece com 42%, contra 41% de Flávio Bolsonaro. Considerando a margem de erro, o cenário representa um empate técnico.
O resultado chama atenção porque mostra uma distância muito menor do que aquela registrada no primeiro turno. A vantagem de Lula, que chega a oito pontos no cenário com 29% para Flávio, cai para apenas um ponto percentual quando os dois passam a disputar diretamente a Presidência.
O instituto também testou Lula contra outros quatro adversários.
Contra Augusto Cury, o petista aparece com 40%, enquanto o escritor marca 34%. Diante de Renan Santos, Lula tem 43%, contra 36% do adversário.
Já contra Ronaldo Caiado, o presidente registra 42%, enquanto o governador de Goiás aparece com 37%. No cenário contra Romeu Zema, Lula chega a 44%, contra 33% do mineiro.
Cury ganha espaço e muda o desenho da disputa
O desempenho de Augusto Cury é um dos pontos que mais chamam atenção no levantamento.
Com 10% no primeiro turno, o escritor aparece isolado na terceira posição e passa a ocupar um espaço relevante entre os candidatos que tentam se apresentar como alternativa à disputa entre lulismo e bolsonarismo.
A ascensão de Cury já vinha sendo registrada em outros levantamentos recentes. O candidato tem associado seu crescimento a um discurso de pacificação e tentativa de reduzir a polarização política.
A própria Quaest decidiu testar, nesta rodada, um segundo turno entre Lula e Cury. O resultado mostra vantagem do presidente, mas uma diferença menor do que a observada em alguns outros confrontos: 40% para Lula contra 34% para Cury.
Rejeição pesa no cenário eleitoral
Outro componente importante da pesquisa é o potencial de voto dos candidatos. Lula e Flávio aparecem entre os nomes com maior resistência do eleitorado, enquanto Cury apresenta índice de rejeição menor.
Em levantamento divulgado anteriormente pela Quaest, 53% diziam que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto a rejeição a Flávio Bolsonaro chegava a 55%. Cury aparecia com 25% de rejeição.
O dado ajuda a explicar por que a disputa pode mudar significativamente quando os candidatos passam de uma lista ampla de primeiro turno para confrontos diretos.
A pesquisa também mede se o eleitor considera sua escolha definitiva ou se ainda pode mudar de voto, além de avaliar o governo Lula, a economia, o interesse pela eleição e as características procuradas pelo eleitor no próximo presidente.
7 de Setembro coloca Lula e Flávio em palanques diferentes
A divulgação da pesquisa ocorre no mesmo dia em que Lula e Flávio Bolsonaro ocupam espaços políticos distintos no 7 de Setembro.
Enquanto o presidente participa do desfile cívico-militar na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, Flávio participa do ato organizado pela direita na Avenida Paulista, em São Paulo.
A manifestação paulista passou por uma mudança de foco nos últimos dias. Inicialmente pensada para impulsionar a candidatura de Flávio, a mobilização incorporou o mote “Fora Lula, Fora Moraes”, colocando o presidente e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no centro dos discursos.
O pastor Silas Malafaia, um dos principais articuladores do ato, prometeu fazer seu discurso mais duro em manifestações desse tipo. A mobilização também reúne outras lideranças da direita e ocorre em meio à crise envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça.
A pesquisa encontra uma eleição marcada pela polarização
O levantamento da Quaest mostra que, embora Lula mantenha a liderança no primeiro turno, Flávio Bolsonaro consegue reduzir significativamente a distância quando o cenário passa a ser de confronto direto.
Ao mesmo tempo, o crescimento de Augusto Cury indica que existe espaço para um candidato que tenta se apresentar distante da disputa tradicional entre PT e bolsonarismo. A questão central para os próximos meses será saber se esse espaço se transforma em votos suficientes para romper a predominância dos dois principais polos.
O comportamento do eleitor também pode ser influenciado pela avaliação do governo, pela economia, pela rejeição aos candidatos e pelo nível de mobilização das campanhas. Em uma eleição ainda distante da votação, pequenas mudanças nesses indicadores podem alterar o equilíbrio entre os principais concorrentes.
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Entenda O Contexto
A pesquisa Quaest faz parte de uma sequência de levantamentos que vem mostrando uma disputa presidencial competitiva entre Lula e Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo em que candidatos como Augusto Cury buscam espaço fora da polarização tradicional. No levantamento mais recente, Lula lidera o primeiro turno, mas a vantagem praticamente desaparece em um eventual segundo turno contra Flávio.
A pesquisa também mostra que Cury já ocupa uma posição relevante entre os demais concorrentes. A divulgação ocorre em um momento de forte mobilização política no 7 de Setembro, com Lula em Brasília e Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista, onde o ato da direita passou a incorporar críticas simultâneas ao governo federal e ao ministro Alexandre de Moraes.
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