Neymar entra em campo fora das quatro linhas e faz campanha aberta pela contratação de Philippe Coutinho pelo Santos, mas encontra resistência na diretoria do clube. Enquanto o craque trata o amigo como um “sonho”, a cúpula santista vê risco alto em apostar em um meia de 34 anos parado há sete meses.
Neymar vai às redes e eleva pressão sobre o clube
Nesta terça-feira, Neymar usa o X, antigo Twitter, para responder ao jornalista Lucas Musetti e escancara o desejo de ver Coutinho na Vila Belmiro. O atacante lembra o peso dos reforços que já ajudou a atrair e coloca o meia num patamar especial.
“Trouxe 2! Um já tem 20 gols, que é Gabigol, Arthur dispensa comentários na posição que exerce. Coutinho, meu sonho. Quanto ao Gil Cebola ou Cris Guedes, não dá, salário deles é alto demais para o futebol brasileiro”, escreve o jogador. O recado mira diretamente a diretoria e, de quebra, inflama o debate entre torcedores nas redes.
Neymar já colhe prestígio recente na Baixada. Teve participação decisiva na chegada do volante Arthur, um dos símbolos da reação santista na temporada. Agora, tenta usar o mesmo capital político para puxar Coutinho, sem clube desde o fim de sua passagem pelo Vasco.

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Diretoria freia empolgação e mira “atleta pronto”
No departamento de futebol, o entusiasmo é bem menor. Dirigentes avaliam que o Santos precisa de reforços em condição imediata de jogo, por disputar simultaneamente Brasileirão e Copa Sul-Americana. A prioridade é manter o embalo da equipe, que melhora o desempenho no segundo turno e se afasta da zona de risco.
Coutinho é visto como um nome sedutor esportiva e comercialmente, mas cercado de dúvidas. O meia não atua desde 14 de fevereiro, quando entra em campo pelo Vasco contra o Volta Redonda, pelo Campeonato Carioca. São sete meses sem jogo oficial, período considerado longo demais para um elenco que busca intensidade física e regularidade.
Internamente, a leitura é clara: qualquer acerto exigiria um plano específico de recondicionamento, com semanas de trabalho sob supervisão do preparador físico Ricardo Rosa. Em um calendário apertado, isso significaria ter uma estrela mais tempo na academia do que em campo, enquanto a equipe encara mata-mata continental e jogos decisivos no Nacional.
Coutinho se encaixa no perfil… até certo ponto
Um ponto joga a favor da operação: Coutinho está livre no mercado. Aos 34 anos, o meia rescinde com o Vasco e pode ser registrado sem pagamento de transferência, exatamente o tipo de oportunidade que a diretoria busca para fechar o elenco sem estourar o orçamento.
Esse alívio no custo inicial, porém, não resolve a equação. No Santos, ainda ecoa a análise sobre outros nomes indicados pelo círculo de Neymar, como Gil Cebola e Cris Guedes, descartados pelo impacto salarial. Embora Coutinho esteja sem vínculo, é um jogador de currículo europeu e tende a exigir remuneração alta para o padrão brasileiro.
Na prática, o clube teria de conciliar um salário robusto, um período de adaptação física e a incerteza sobre o nível de performance após sete meses inativo. A comissão técnica, que hoje trabalha com um elenco mais equilibrado, teme desorganizar a hierarquia do vestiário por um reforço que talvez só renda plenamente a médio prazo.
Três reforços fechados e Cebolinha na mira
Enquanto o debate sobre Coutinho ferve, o Santos segue ativo no mercado com uma lógica própria. Nesta janela, o clube já fecha com três jogadores: Arthur, o meia Lima, emprestado pelo Fluminense, e o lateral-direito Rodinei, vindo do Olympiacos, da Grécia. Todos chegam com aval direto da comissão técnica e com a promessa de impacto rápido em campo.
O nome que move esforços neste momento é Everton Cebolinha. Aos 30 anos, o atacante é liberado pelo Flamengo para negociar com outro clube, e o Santos avança nas conversas. A avaliação interna é de que Cebolinha entrega explosão, profundidade pelos lados e condição física para vestir a camisa e jogar em curto prazo, algo que pesa na comparação com Coutinho.
No CT, Ricardo Rosa coordena as atividades de um grupo que se prepara para enfrentar o Atlético-MG pela Copa Sul-Americana. O planejamento de carga física já está definido para os próximos jogos, e qualquer nova peça precisa se adaptar a essa rotina com o mínimo de sobressaltos.
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Torcida se divide entre sonho e pragmatismo
Nas arquibancadas e nas redes sociais, a movimentação de Neymar reorganiza o debate. Parte da torcida enxerga em Coutinho um reforço capaz de elevar o patamar técnico do meio-campo e projetar o Santos novamente no noticiário internacional. Outra fatia teme repetir apostas em jogadores de nome pesado, mas em fase descendente física.
O departamento de marketing observa de perto a discussão. A chegada de um campeão europeu, associado à figura de Neymar, teria potencial imediato para vender camisas, atrair patrocinadores e aumentar engajamento digital. Em tempos de orçamentos apertados, porém, qualquer ação de marketing precisa caminhar ao lado da responsabilidade financeira.
Na mesa da diretoria, o recado é de cautela. O clube indica que seguirá ouvindo Neymar, mas não está disposto a abrir mão de critérios técnicos e médicos. A tendência hoje é manter o foco em Everton Cebolinha e em eventuais oportunidades de atletas prontos para jogar, deixando o sonho Coutinho em compasso de espera.
As próximas semanas serão decisivas. Exames detalhados, conversas sobre salários e, sobretudo, a evolução do time em campo vão pesar na escolha final. Se Coutinho aceitar um projeto de recondicionamento físico e um contrato alinhado à realidade santista, o cenário pode mudar. Se não houver convergência, o Santos seguirá o plano atual: reforçar o elenco com peças de impacto imediato, enquanto Neymar segue como influenciador de luxo, mas não como decisor final.
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