A disputa judicial envolvendo a série Tremembé ganhou um novo capítulo. A Amazon apresentou à Justiça sua defesa no processo movido por Sandra Regina Ruiz Gomes, conhecida como Sandrão, que pede R$ 3 milhões de indenização por danos morais e a retirada da produção da plataforma de streaming.
As informações sobre a defesa foram divulgadas com exclusividade pela coluna da jornalista Fábia Oliveira. Segundo os documentos do processo, a empresa contesta a versão apresentada pela autora e sustenta que a personagem foi construída a partir de decisões judiciais relacionadas ao crime pelo qual Sandrão foi condenada.
A ação foi apresentada em novembro de 2025 contra a Amazon Studios & Produções e a Medialand Produção e Comunicação. Sandrão afirma que a série teria apresentado uma versão incompatível com o que foi reconhecido pela Justiça na esfera criminal e que sua participação no sequestro teria sido exagerada na produção.
Na ação, ela também alegou que a série trouxe consequências para sua vida cotidiana e prejudicou seu processo de ressocialização. A defesa afirmou ainda que a repercussão da obra teria provocado hostilizações e aumentado o temor pela própria integridade física.
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Justiça já negou retirada imediata da série
Antes da apresentação da defesa da Amazon, Sandrão já havia pedido que Tremembé fosse retirada imediatamente do catálogo. A Justiça, porém, negou a liminar.
Em março de 2026, a 9ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo também rejeitou o pedido de suspensão da obra. Os desembargadores entenderam que não havia situação excepcional que justificasse a retirada imediata da produção enquanto o processo principal continua em andamento.
A decisão não encerra a discussão sobre eventual indenização ou outros pedidos apresentados por Sandrão. O mérito da ação ainda precisa ser analisado no decorrer do processo.
Na defesa apresentada à Justiça, a Amazon afirma que a representação de Sandrão na série foi baseada em documentos oficiais relacionados ao caso criminal.
Segundo a empresa, foram considerados a sentença condenatória, o julgamento de recurso de apelação e uma decisão posterior envolvendo revisão criminal. A Amazon sustenta que esses documentos demonstrariam a participação direta de Sandrão no crime de extorsão mediante sequestro retratado na produção.
A empresa, portanto, contesta a alegação de que a série teria criado uma participação inexistente no crime. Para a defesa da plataforma, a narrativa apresentada em Tremembé estaria amparada no conteúdo das decisões judiciais utilizadas como referência para a produção.
A versão apresentada pela Amazon é diferente da sustentada por Sandrão no processo. A autora afirma que a obra teria atribuído a ela uma atuação mais grave do que aquela reconhecida judicialmente.
O que Sandrão questiona na série
Sandra Regina Ruiz Gomes foi condenada por sua participação no sequestro que terminou na morte de um adolescente em Mogi das Cruzes, em São Paulo. A defesa dela afirma que a produção extrapolou o que teria sido reconhecido nas decisões criminais.
No processo, Sandrão sustenta que determinadas situações mostradas na série não correspondem aos fatos reconhecidos judicialmente. A defesa também afirma que a produção teria contribuído para uma exposição negativa e para dificuldades em sua vida após o período de prisão.
Documentos apresentados anteriormente no processo registram que Sandrão questiona justamente a forma como sua participação no crime foi representada e afirma que a série teria criado uma narrativa mais grave do que aquela estabelecida pela Justiça.
A discussão, portanto, envolve não apenas o direito de imagem, mas também os limites da liberdade de expressão e da dramatização de fatos reais em produções audiovisuais.
Disputa ainda não chegou ao fim
Com a apresentação da contestação da Amazon, o processo entra em uma nova etapa. A Justiça ainda terá de analisar os argumentos apresentados pelas partes antes de decidir sobre os pedidos feitos por Sandrão.
A autora busca uma indenização de R$ 3 milhões e questiona a permanência da produção na plataforma. A Amazon, por outro lado, defende a legalidade da representação e afirma que utilizou como base decisões judiciais relacionadas ao caso.
A decisão que negou a retirada imediata da série não representa, portanto, uma decisão definitiva sobre o pedido de indenização. O processo continua em tramitação.
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Entenda o contexto
Tremembé é uma série inspirada em histórias de pessoas que passaram pelo sistema penitenciário paulista e ganharam grande repercussão pública. A produção dramatiza acontecimentos relacionados a presos conhecidos nacionalmente e utiliza personagens baseados em pessoas reais. No caso de Sandrão, a controvérsia judicial está concentrada na forma como sua participação no crime foi retratada e nos possíveis impactos dessa representação sobre sua vida.
Sandrão afirma que a obra apresentou situações e condutas que não corresponderiam ao que foi reconhecido nas decisões judiciais e sustenta que isso teria provocado consequências pessoais. A Amazon nega essa interpretação e afirma que a construção da personagem teve como referência decisões da própria Justiça. Até o momento, não há decisão definitiva sobre o mérito da ação ou sobre eventual indenização.
A Justiça de São Paulo já rejeitou o pedido para retirar Tremembé do ar de forma imediata, considerando que a questão exige uma análise mais aprofundada durante o andamento do processo. Assim, a série permanece disponível enquanto a disputa judicial continua.
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