PF identifica R$ 1,4 milhão em notas fiscais frias e liga empresa investigada à produtora de filme sobre Bolsonaro

Investigação aponta movimentações consideradas suspeitas entre empresas, entidades e a produtora responsável por Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro; operação foi autorizada pelo STF
Redação NC News
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A Polícia Federal identificou cerca de R$ 1,4 milhão em notas fiscais consideradas frias em uma investigação que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo entidades privadas, empresas contratadas e a produtora do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração integra a Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10).

Segundo a PF, os investigadores encontraram indícios de que empresas e organizações teriam sido utilizadas para movimentar recursos de forma irregular, incluindo repasses que acabaram chegando a negócios ligados à produção do longa-metragem. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Entenda o que aconteceu

De acordo com a investigação, uma das empresas analisadas pela PF recebeu recursos de entidades ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse. Os investigadores identificaram transferências financeiras consideradas atípicas entre empresas e organizações controladas pelo mesmo grupo.

A PF também aponta que parte das movimentações financeiras foi realizada por meio de notas fiscais que, segundo os investigadores, apresentam indícios de irregularidades. O valor total dessas notas chegaria a aproximadamente R$ 1,4 milhão, conforme os documentos analisados durante a operação.

Empresa ligada ao caso nega irregularidades

A empresa Complexsys Soluções Integradas, citada na investigação, afirmou que os recursos recebidos foram utilizados exclusivamente em contratos relacionados à manutenção da rede de wi-fi da cidade de São Paulo e negou qualquer participação no financiamento do filme.

Em manifestação divulgada à imprensa, a empresa declarou que não existe vínculo entre os valores recebidos por seus contratos e a produção de Dark Horse. A companhia também afirmou que perícias independentes apontariam a inexistência dessa relação.

O deputado Mário Frias, o senador Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme ‘Dark Horse’ (O Azarão), sobre a vida do ex-presidente brasileiro. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

PF apura possível uso indireto de recursos públicos

As investigações buscam esclarecer se recursos oriundos de emendas parlamentares e contratos financiados com dinheiro público foram desviados para beneficiar empresas e entidades privadas. A PF sustenta que há indícios de uma estrutura utilizada para movimentar e ocultar recursos entre organizações ligadas entre si.

Entre os alvos da operação está o deputado federal Mario Frias (PL-SP), apontado pela investigação como figura central em repasses que estão sendo analisados pelos investigadores. A defesa do parlamentar não havia se manifestado sobre os novos elementos da investigação até a publicação das reportagens.

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O que acontece agora

A Polícia Federal continuará analisando documentos, movimentações bancárias e contratos apreendidos durante a operação. Os investigadores tentam determinar a origem dos recursos e verificar se houve efetivamente utilização indevida de verbas públicas.

Até o momento, a investigação segue em andamento e não há condenações relacionadas aos fatos apurados. Os envolvidos negam irregularidades e afirmam que irão colaborar com as autoridades.

Entenda o contexto

O filme Dark Horse é uma cinebiografia sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A produção tem participação do deputado Mario Frias como roteirista e é conduzida no Brasil pela Go Up Entertainment. Nos últimos meses, o longa passou a ser alvo de diferentes investigações sobre a origem dos recursos utilizados em sua produção.

A Operação Make Up apura suspeitas de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro, falsidade documental e fraudes em contratos. A PF afirma que ainda trabalha para esclarecer se houve utilização direta ou indireta de verbas públicas para financiar atividades relacionadas ao filme.

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