Trabalhadores dos Correios iniciam hoje uma greve nacional por tempo indeterminado, após assembleias em todo o país rejeitarem a proposta da direção da estatal para o acordo coletivo.
A paralisação atinge serviços de entrega de cartas, encomendas e logística em todas as regiões, em um momento em que a empresa soma prejuízos bilionários e depende de um empréstimo de R$ 7 bilhões para seguir operando.
Impasse em torno do plano de saúde e reajuste
A mobilização ganha força depois que 35 sindicatos aprovaram a greve em assembleias realizadas na noite de quinta-feira. O ponto central do impasse é o plano de saúde dos funcionários, que a direção pretende alterar.
A Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect) afirma que as mudanças propostas transferem custos para os trabalhadores e podem reduzir a cobertura. “A decisão das assembleias ocorre depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores”, diz a entidade.
Os Correios sustentam que buscaram um acordo e destacam que a proposta apresentada contempla 78 das 80 cláusulas do atual acordo coletivo. Entre os pontos, está um reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, além da promessa de manter a assistência à saúde. Mesmo assim, a categoria considera o pacote insuficiente diante do risco de perda de proteção no plano.
Serviços travados e plano de contingência
Com o início da greve, agências e centros de distribuição funcionam de forma parcial, dependendo da adesão local. Em algumas capitais, portas fechadas e filas em frente às unidades marcam o primeiro dia da paralisação.
Na Paraíba, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do estado, Tony Sérgio, resume o cenário. “Durante a paralisação, apenas os serviços administrativos internos estão funcionando”, afirma. Situação semelhante se repete em diferentes regiões, com a operação focada em rotinas internas e baixa capacidade de entrega.
Em nota, a direção tenta tranquilizar os clientes. “Diante do anúncio de paralisação por entidades sindicais, os Correios executam seu Plano de Continuidade de Negócios, com medidas para garantir a manutenção dos serviços e minimizar eventuais impactos aos clientes”, informa a empresa. Entre as ações, estão o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e medidas logísticas específicas para tentar preservar, tanto quanto possível, o fluxo de entregas.
Greve atinge todo o país e pressiona setores econômicos
A adesão dos sindicatos é ampla. Entidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Acre, Paraíba, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia, Distrito Federal e praticamente todos os demais estados aprovam a paralisação. Em grandes centros logísticos, como São Paulo e Rio, o efeito é imediato sobre a circulação de encomendas.
Empresas que dependem da rede dos Correios para vender e distribuir produtos, sobretudo no comércio eletrônico, sentem o impacto já nas primeiras horas. Indústrias que usam a estatal para remessa de peças e documentos, bancos e financeiras que enviam cartões e correspondências e órgãos públicos que despacham notificações e comunicados também entram na fila dos prejudicados.
Na prática, consumidores devem enfrentar atrasos generalizados em entregas e serviços como Sedex, PAC e correspondências simples. A abrangência nacional da greve torna difícil a adoção de soluções alternativas em regiões menos atendidas por transportadoras privadas, onde a estatal é praticamente a única opção de logística.
Crise financeira agrava o conflito
O embate entre direção e empregados acontece em meio a uma das piores fases financeiras da empresa. Os Correios acumulam 15 trimestres consecutivos no vermelho e registram prejuízo de R$ 5,6 bilhões apenas no primeiro semestre deste ano.
O resultado mais recente indica uma leve melhora em relação aos trimestres anteriores, mas não altera o quadro de fragilidade. A estatal espera receber até 15 de setembro um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, negociado com um consórcio de bancos internacionais e o Banrisul, para reforçar o caixa e manter compromissos básicos.
Esse cenário torna a negociação ainda mais tensa. A direção argumenta que precisa ajustar custos para garantir a sobrevivência da empresa. Os sindicatos respondem que não aceitam pagar a conta da crise com cortes em benefícios essenciais, como o plano de saúde, e manutenção de salários que consideram defasados.
O que pode acontecer a partir de agora
A greve não tem prazo para terminar. A Findect fala em mobilização por tempo indeterminado, com possibilidade de intensificação caso a direção não apresente nova proposta. Reuniões de avaliação ocorrem ao longo do dia em diversos estados, para medir a adesão e organizar piquetes e atos públicos.
No campo institucional, o TST volta ao centro do tabuleiro. O tribunal já tenta mediar o conflito e pode ser chamado a arbitrar condições mínimas para o funcionamento dos serviços ou até impor um acordo, se considerar que o impasse ameaça direitos da população.
Se a paralisação se arrastar pelas próximas semanas, a pressão política deve aumentar, tanto sobre a cúpula dos Correios quanto sobre o governo federal, responsável pela estatal. Com o empréstimo de R$ 7 bilhões à vista e uma greve que expõe a fragilidade do negócio, a empresa entra em um período decisivo para sua capacidade de manter a rede nacional de serviços postais em pé e com algum grau de confiança do público.
Quando começou a greve dos Correios em 2026?
A greve dos Correios começou nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, após assembleias realizadas na noite de quinta-feira aprovarem uma paralisação nacional por tempo indeterminado em todos os estados, em meio a negociações salariais e de benefícios fracassadas e impasse específico sobre alterações no plano de saúde dos empregados.
Qual foi a proposta rejeitada pelos trabalhadores dos Correios que levou à greve?
A proposta rejeitada previa reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios a partir de 1º de agosto, manutenção formal da assistência à saúde e atendimento de 78 das 80 cláusulas do acordo anterior, mas incluía mudanças no plano de saúde consideradas prejudiciais pelos trabalhadores, que temem mais custos e menor cobertura.
Quais estados do Brasil estão com os Correios em greve atualmente?
Os Correios enfrentam hoje greve nacional com adesão de sindicatos em todos os estados brasileiros, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Acre, Paraíba, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e demais unidades da federação, formando uma paralisação ampla que atinge a rede operacional em praticamente todo o território.
Qual o impacto da greve dos Correios para os serviços postais no país?
A greve nacional dos Correios provoca hoje atrasos generalizados na entrega de cartas, encomendas e serviços de logística, reduz a operação de agências e centros de distribuição e afeta comércio eletrônico, indústria, bancos e órgãos públicos, especialmente em regiões onde a estatal é praticamente a única fornecedora de transporte e distribuição de mercadorias.
A greve dos Correios tem previsão de término?
A greve dos Correios não tem previsão de término, porque foi aprovada como paralisação nacional por tempo indeterminado, depende de nova rodada de negociações entre direção e sindicatos, pode ser influenciada por eventual intervenção do Tribunal Superior do Trabalho e tende a continuar enquanto não houver acordo sobre plano de saúde e reajuste.
Como os trabalhadores dos Correios justificam a greve nacional por tempo indeterminado?
Os trabalhadores justificam a greve nacional por tempo indeterminado afirmando que a direção dos Correios manteve posição rígida sobre alterações no plano de saúde, mesmo após várias mediações no TST, e que a proposta de reajuste não compensa o risco de perda de cobertura, tornando necessária a paralisação para defender benefícios e salários.