Estelionatos disparam em Rondônia e golpes pela internet crescem 79,6% em dois anos

Estado registrou 59.902 ocorrências de estelionato entre 2023 e 2025; golpe do falso advogado já acumula mais de 400 denúncias em um único ano.
Redação NC News
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Rondônia registrou 59.902 ocorrências de estelionato entre 2023 e 2025, e os golpes praticados pela internet ganharam espaço nesse período. Os registros de crimes classificados como ocorridos em ambiente virtual passaram de 4.355, em 2023, para 7.824, em 2025, um aumento de 79,6%.

Os dados são da Polícia Civil de Rondônia, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). O levantamento mostra que o número total de estelionatos também avançou: foram 15.600 casos em 2023, 21.158 em 2024 e 23.144 em 2025.

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Porto Velho concentra maior número de registros

Porto Velho aparece como o município com a maior quantidade de ocorrências no estado. A capital concentra 36,8% dos casos registrados entre 2023 e 2025.

Na sequência aparecem Ji-Paraná, com 8,4%, Vilhena, com 7,6%, Ariquemes, com 7%, e Cacoal, com 6,7%.

Em 2025, os registros classificados como ocorridos em ambiente virtual e em residências somaram 13.018 ocorrências, o equivalente a cerca de 56,3% dos 23.144 casos de estelionato registrados naquele ano.

Golpe do falso advogado ganha força

Entre as fraudes praticadas pela internet, uma das que mais chama atenção é o chamado golpe do falso advogado.

Segundo a OAB de Rondônia, mais de 400 denúncias relacionadas a esse tipo de golpe foram registradas no estado somente em 2025.

A fraude funciona de maneira relativamente simples: criminosos se passam por advogados, advogadas ou funcionários de escritórios e entram em contato com pessoas que possuem processos judiciais em andamento.

Para convencer as vítimas, eles utilizam informações verdadeiras dos processos, muitas vezes disponíveis publicamente na internet. A partir desses dados, criam uma narrativa para fazer parecer que o contato é legítimo.

O golpe geralmente termina com um pedido de Pix ou outra transferência urgente, sob a alegação de que a vítima precisa pagar uma taxa para liberar um dinheiro que teria sido obtido em uma ação judicial.

Criminosos usam WhatsApp e até identidade de advogados

De acordo com Luiz Felipe Andrade, vice-presidente da Comissão de Defesa das Prerrogativas e conselheiro seccional da OAB-RO, os criminosos podem utilizar processos públicos, informações coletadas na internet e até bases clandestinas para encontrar dados das vítimas.

Depois, entram em contato principalmente pelo WhatsApp, mas também podem utilizar ligações telefônicas, perfis falsos em redes sociais, fotos de advogados e logotipos de escritórios.

A estratégia é criar uma aparência de legitimidade antes de fazer a cobrança.

Um dos principais alertas é justamente o pedido de pagamento para liberar valores de processos. O Judiciário não exige que uma pessoa faça um Pix para liberar dinheiro de uma ação judicial.

Advogados também têm identidade usada pelos criminosos

O problema não atinge apenas quem recebe a mensagem.

Advogados de Rondônia relatam que seus nomes, fotos e identidades profissionais também estão sendo utilizados pelos criminosos para convencer clientes.

O advogado e professor universitário Cláudio Ramos, de Porto Velho, relatou que teve a imagem utilizada em tentativas de golpe.

Outro profissional, Fábio de Paula Nunes, que atua na região do Vale do Guaporé, também contou que passou a encontrar esse tipo de situação com maior frequência.

A orientação repassada aos clientes é desconfiar de qualquer cobrança inesperada e confirmar diretamente com o advogado, por um canal oficial, antes de realizar qualquer pagamento.

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O que fazer se cair no golpe

Quem perceber que caiu em uma fraude deve agir rapidamente.

No caso de pagamentos feitos por Pix, a orientação é entrar em contato imediatamente com o banco e solicitar a contestação da transação por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED), quando a situação se enquadrar nas regras do sistema.

A vítima também deve registrar um boletim de ocorrência e guardar todas as provas.

É importante preservar prints das conversas, números de telefone, nomes utilizados pelos golpistas, chaves Pix, comprovantes de pagamento e arquivos enviados. Esses materiais podem ajudar na investigação.

Se o nome de um advogado tiver sido utilizado, o profissional também deve ser comunicado.

Entenda o contexto

O avanço dos golpes digitais acompanha uma mudança na forma como criminosos abordam as vítimas. Em vez de depender apenas de contatos presenciais, os estelionatários passaram a explorar WhatsApp, redes sociais, plataformas digitais e informações disponíveis na internet.

No caso do falso advogado, a estratégia ganha força porque o criminoso pode chegar à vítima já sabendo detalhes reais de um processo. Isso cria uma sensação de segurança e facilita a manipulação.

Em Rondônia, o crescimento dos registros mostra a dimensão do problema. Entre 2023 e 2025, os casos de estelionato passaram de 15.600 para 23.144 ocorrências, enquanto os registros classificados como ambiente virtual aumentaram quase 80%.

A recomendação para quem possui processo judicial é manter os contatos do advogado atualizados e não realizar pagamentos solicitados por mensagens sem confirmar a informação diretamente com o profissional ou escritório responsável.

A Polícia Civil e a Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania foram procuradas para informar quais medidas estão sendo adotadas diante do aumento dos registros de estelionato pela internet, mas não haviam respondido até a última atualização da reportagem.

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