A chuva que atingiu São Paulo em setembro pode ser apenas o começo de um período de maior instabilidade provocado pelo avanço de um El Niño de forte intensidade. O fenômeno climático deve ganhar força nos próximos meses e pode aumentar a ocorrência de eventos extremos em diferentes regiões do Brasil.
A cidade de São Paulo já registrou, em apenas 14 dias de setembro, o mês mais chuvoso desde o início das medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em 1943. Foram 253,8 milímetros de chuva no Mirante de Santana, volume três vezes superior à média histórica para o mês.
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Entenda o que está acontecendo
O El Niño é um fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança interfere na circulação atmosférica e altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
O episódio que está se formando em 2026 chama atenção pela intensidade. Monitoramentos indicam que a possibilidade de um El Niño muito forte supera 90%, e os efeitos podem continuar pelo menos até o primeiro semestre de 2027.
Chuva recorde em São Paulo
São Paulo já sente os efeitos de um período de chuvas muito acima do normal.
Até 14 de setembro, a estação do Mirante de Santana acumulou 253,8 milímetros, superando o recorde anterior para setembro, registrado em 1983, quando foram contabilizados 243,1 milímetros.
O volume também corresponde a cerca de três vezes a média climatológica de setembro, que é de 83,3 milímetros.
A situação provocou alagamentos, quedas de árvores, deslizamentos e problemas em diferentes regiões do estado. No Vale do Ribeira, por exemplo, o nível do rio Ribeira de Iguape subiu vários metros e deixou cidades em situação de emergência.
O que o Super El Niño pode provocar
A intensidade do fenômeno pode favorecer mudanças importantes nos padrões climáticos.
Entre os possíveis efeitos estão chuvas mais intensas, períodos de calor extremo e maior frequência de eventos meteorológicos severos, dependendo da região.
No Sudeste, a combinação entre o El Niño e outros sistemas atmosféricos pode contribuir para episódios de chuva volumosa. Em setembro, por exemplo, a atuação de frentes frias ajudou a intensificar as precipitações em São Paulo.
Fenômeno pode continuar até 2027
O cenário preocupa porque os efeitos do El Niño não devem ficar restritos às próximas semanas.
As projeções indicam que o fenômeno pode ganhar intensidade durante a primavera e permanecer ativo até o próximo ano. Segundo monitoramentos citados pela CNN, o episódio pode se estender pelo menos até o primeiro semestre de 2027.
Isso significa que o comportamento do clima deve continuar sendo acompanhado de perto, principalmente em regiões vulneráveis a enchentes, deslizamentos e outros eventos extremos.
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Por que o El Niño interfere nas chuvas?
O aquecimento das águas do Pacífico altera a circulação dos ventos e a distribuição de umidade na atmosfera. Como consequência, regiões que normalmente recebem determinados volumes de chuva podem ter períodos mais secos ou mais úmidos.
Os efeitos não são iguais em todo o Brasil e também dependem da interação do El Niño com outros sistemas meteorológicos, como frentes frias e ciclones.
Por isso, a presença do fenômeno não significa que todas as regiões terão necessariamente mais chuva.
Entenda o contexto
O recorde de chuva registrado em São Paulo acontece justamente enquanto o El Niño começa a ganhar força. O fenômeno ajuda a explicar parte das mudanças no padrão climático, mas os episódios extremos são resultado da combinação de diferentes fatores atmosféricos.
Para os próximos meses, a atenção estará voltada principalmente para a possibilidade de novos episódios de chuva intensa e eventos extremos, além da evolução das temperaturas.
A previsão também exige acompanhamento constante porque a intensidade e os impactos do fenômeno podem mudar ao longo do tempo.
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