Pesquisa Datafolha divulgada hoje coloca Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico na disputa pela Presidência em 2026, tanto no primeiro quanto no segundo turno. O levantamento mostra um cenário mais apertado e volátil que o de 2022 e pressiona campanhas e alianças às vésperas da eleição.
Disputa nacional fica mais apertada que em 2022
No cenário estimulado de primeiro turno, em que o questionário apresenta a lista de candidatos, Lula aparece com 39% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro soma 36%. A diferença de 4 pontos percentuais está dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos, o que caracteriza empate estatístico entre os dois principais nomes da corrida.
O escritor Augusto Cury (Avante) surge em terceiro lugar, com 6%. Em seguida aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 2%. Samara (UP), Rui Costa Pimenta (PCO), Clariana Barao (DC) e Edmilson Costa (PCB) registram 1% cada. Wilson Grassi (Democrata) e Hertz Dias (PSTU) são citados, mas não alcançam 1%. Brancos e nulos somam 6%, e indecisos, 4%.
Em simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o Datafolha aponta nova situação de empate técnico: o presidente marca 46% e o senador, 44%. O próprio instituto registra que “em uma eventual disputa de segundo turno, os dois estavam tecnicamente empatados: Lula registrava 46% e Flávio, 44%, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais”.
O instituto também testa outros confrontos. Lula e Augusto Cury empatam em 44% a 44%. Em duelo com Ronaldo Caiado, o petista aparece com 46%, contra 42% do governador goiano, novamente em cenário apertado. O quadro reforça a leitura de uma eleição competitiva, sem favorito isolado.
Retrato do eleitorado e comparação com 2022
A pesquisa Datafolha foi realizada entre 15 e 17 de setembro, com 2.002 entrevistas presenciais em 125 municípios de todas as regiões do país. O nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04029/2026.
O cenário atual contrasta com o que o Datafolha registrava na reta final de 2022, quando Lula abria vantagem confortável sobre Jair Bolsonaro no primeiro e no segundo turno. Na ocasião, segundo o próprio instituto, “na pesquisa de 11 de setembro de 2022, Lula aparecia com 45% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro registrava 33%”. Também em simulação de segundo turno de então, o petista tinha mais de dez pontos de frente.
Agora, a distância é mínima. Em rodada recente, o instituto já havia ressaltado que “a distância atual entre Lula e Flavio Bolsonaro no 1º turno é a mais curta desde a primeira quinzena de maio deste ano”. O novo levantamento mantém esse quadro de equilíbrio, com leve vantagem numérica do presidente dentro da margem de erro.
Na pesquisa espontânea, em que o entrevistador não apresenta nomes, Lula é lembrado por 33% dos eleitores. Flávio Bolsonaro é citado por 25%. O contingente de indecisos cai para 23%, abaixo do registrado na rodada anterior, o que indica um eleitorado mais definido às vésperas da votação.
Forças de cada campo e efeitos da decisão sobre Marçal
A divisão do voto por grupos sociais reforça o contraste entre os dois principais projetos políticos. Lula mantém vantagem folgada entre eleitores com ensino fundamental, em que chega a 52%, contra 24% de Flávio Bolsonaro. Entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, o petista marca 47%, enquanto o adversário tem 27%.
No mapa regional, o presidente segue dominante no Nordeste, onde atinge 53% das intenções de voto, contra 25% do senador. Entre católicos, Lula também lidera com folga, com 46% a 29%. Trata-se da base histórica do petista, que sustenta sua presença no segundo turno e lhe garante uma espécie de piso eleitoral.
Flávio Bolsonaro reage em outros segmentos. O senador lidera ou empata entre homens, por 40% a 36%, e aparece mais forte entre eleitores com ensino médio e superior e renda acima de dois salários mínimos. Nessas faixas, Lula perde a vantagem que conserva entre os mais pobres. Nas regiões Sudeste, Sul e Norte/Centro-Oeste, o quadro é de equilíbrio ou leve vantagem do candidato do PL.
Entre evangélicos, a assimetria é maior: Flávio Bolsonaro alcança 50% das intenções de voto, contra 22% de Lula. Essa fatia do eleitorado, que ganha peso a cada eleição, consolida-se como um dos pilares da direita, com capacidade de influenciar debates sobre costumes, segurança e educação.
O levantamento não inclui o nome de Pablo Marçal (PRTB), que teve a candidatura indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral. O partido indica Leonardo Avalanche como substituto, mas ele não foi testado pelo Datafolha. A troca tende a embaralhar a disputa por eleitores de direita e pode afetar a distribuição de votos residuais no primeiro turno.
Convicção de voto alta e pressão sobre estratégias
O Datafolha registra um eleitorado já bastante decidido. “75% dos eleitores brasileiros que têm uma opção de voto no 1º turno dizem ter certeza sobre essa escolha”, afirma o instituto. Entre os eleitores de Lula, o índice de convicção chega a 84%. Entre os de Flávio Bolsonaro, 81% dizem não ter intenção de mudar.
Com apenas um quarto dos eleitores ainda aberto à troca de candidato, as campanhas tendem a buscar ajustes finos, mirando segmentos específicos. A pesquisa sugere que o PT precisa furar o bloqueio em faixas de renda e escolaridade mais altas e reduzir a desvantagem entre evangélicos e no Sul e Sudeste. O campo bolsonarista, por sua vez, depende de ampliar o alcance entre eleitores de baixa renda e consolidar presença no Nordeste, onde ainda enfrenta forte rejeição.
O ambiente econômico e o humor do mercado também entram na equação. Um cenário de empate técnico aumenta a incerteza sobre quem comandará o país a partir de 2027. Investidores, empresários e lideranças setoriais acompanham com atenção cada oscilação de percentuais, que pode influenciar apostas sobre políticas fiscais, programas sociais e reformas estruturais.
A poucos dias do pleito, a nova fotografia do Datafolha não oferece respostas definitivas, mas impõe uma conclusão clara: a eleição presidencial de 2026 chega ao momento decisivo aberta, tensa e fragmentada. As próximas pesquisas, já registradas no TSE, vão indicar se algum dos dois principais candidatos consegue romper o empate ou se o país caminha para um desfecho no limite.
Qual é o resultado da pesquisa Datafolha para presidente hoje?
A pesquisa Datafolha divulgada hoje para a eleição presidencial de 2026 mostra Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 36% no cenário estimulado de primeiro turno, configurando empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos; Augusto Cury aparece com 6%, e brancos, nulos e indecisos somam 10%.
Como a nova pesquisa Datafolha se compara à de 2022?
A pesquisa Datafolha atual para presidente em 2026 mostra Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro por 39% a 36%, cenário bem mais apertado que em 2022, quando, na mesma fase da campanha, o instituto registrava Lula com 45% e Jair Bolsonaro com 33%, diferença de 12 pontos percentuais no primeiro turno.
O que significa o empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro?
O empate técnico entre Lula, com 39%, e Flávio Bolsonaro, com 36%, significa que a diferença de 4 pontos fica dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais, o que impede afirmar com segurança quem está à frente; esse equilíbrio eleva a incerteza sobre o resultado e obriga campanhas a disputarem nichos específicos do eleitorado.
Quantas pessoas o Datafolha entrevistou e qual é a margem de erro?
A pesquisa Datafolha sobre a eleição presidencial de 2026 entrevistou 2.002 eleitores em 125 municípios, entre 15 e 17 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%, estando registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04029/2026.