Pets podem ajudar o sistema imunológico? Veja o que dizem os estudos

Pesquisas relacionam a convivência com animais a mudanças no microbioma e a menor risco de algumas doenças alérgicas, principalmente durante a infância.
Redação NC News
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Ter um cachorro ou outro animal de estimação em casa pode representar mais do que companhia e afeto. Pesquisas científicas vêm investigando como a convivência com animais pode influenciar o sistema imunológico, especialmente durante os primeiros anos de vida.

Alguns estudos encontraram associação entre a exposição precoce a animais e uma menor ocorrência de problemas como asma, eczema e outras doenças alérgicas. Uma das possíveis explicações está no contato com uma maior diversidade de microrganismos presentes nos animais e no ambiente.

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Entenda o que os estudos descobriram

Uma das linhas de pesquisa analisa o chamado “efeito minifazenda”, hipótese segundo a qual crianças que têm contato desde cedo com animais e uma maior variedade de microrganismos podem desenvolver respostas imunológicas diferentes.

Um estudo publicado em 2025 na revista Allergy, por exemplo, analisou quase 280 mil pessoas e identificou uma associação entre a convivência com cães nos primeiros dois anos de vida e menor probabilidade de eczema em crianças geneticamente predispostas à condição.

Isso não significa, porém, que ter um cachorro impeça o desenvolvimento da doença. Os estudos observam associações e investigam possíveis mecanismos biológicos envolvidos.

O contato com animais pode aumentar a diversidade de microrganismos

Uma das principais hipóteses envolve o microbioma, conjunto de microrganismos que vivem no corpo humano e no ambiente.

Animais carregam diferentes bactérias e outros microrganismos para dentro de casa. O contato frequente com essa diversidade pode influenciar a formação do microbioma intestinal e, consequentemente, a maneira como o sistema imunológico reage.

Um estudo publicado na PLOS One em 2024 encontrou associações entre a composição da microbiota intestinal na primeira infância, a convivência com animais e o ambiente de criação.

Crianças que convivem com cães podem ter menor risco de algumas doenças

Pesquisas anteriores também encontraram resultados relacionados à exposição a cães durante os primeiros anos de vida.

Segundo levantamento citado pela CNN Brasil, um estudo de coorte publicado em 2015 encontrou uma redução de aproximadamente 13% a 14% no risco de asma entre crianças expostas a animais domésticos antes do primeiro ano de vida.

Os resultados, no entanto, precisam ser interpretados dentro do contexto de cada pesquisa, já que fatores genéticos, ambientais e socioeconômicos também podem influenciar o risco de desenvolver doenças respiratórias e alérgicas.

Estudo com comunidades rurais chamou atenção dos pesquisadores

Outro trabalho frequentemente citado nessa área comparou comunidades Amish e Huteritas, nos Estados Unidos.

As crianças Amish apresentaram taxas muito menores de asma e alergias do que as crianças Huteritas. Os pesquisadores observaram diferenças na exposição a microrganismos e na diversidade microbiana encontrada dentro das residências.

A hipótese levantada é que o contato mais intenso com animais e com o ambiente rural poderia contribuir para uma resposta imunológica mais regulada.

Pets podem funcionar como uma espécie de “treino” para a imunidade?

A ideia ainda está sendo investigada.

Uma das possibilidades é que a exposição precoce a uma variedade maior de microrganismos ajude o sistema imunológico a diferenciar melhor ameaças reais de estímulos inofensivos.

Esse processo poderia reduzir respostas exageradas do organismo, que estão relacionadas a algumas doenças alérgicas.

Pesquisadores também estudam a possibilidade de que a convivência com cães altere a composição das bactérias intestinais. Por isso, alguns cientistas usam a comparação de que os animais poderiam ter um efeito semelhante ao de probióticos, embora isso não signifique que um pet possa substituir alimentos, medicamentos ou tratamentos indicados por profissionais de saúde.

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Os resultados são iguais para todas as crianças?

Não.

Uma meta-análise que reuniu dados de 77.434 pares de mães e filhos, provenientes de nove coortes europeias, não encontrou uma associação geral entre ter cães ou gatos no início da vida e a ocorrência de asma na idade escolar.

O trabalho também mostrou que a relação pode variar conforme o momento da exposição, o tipo de animal e a sensibilização alérgica da criança.

Por isso, a ciência ainda não permite afirmar que simplesmente ter um cachorro ou gato em casa protege todas as crianças contra alergias ou asma.

Ter um pet não substitui cuidados de saúde

Apesar dos resultados promissores de algumas pesquisas, os animais não devem ser considerados uma forma de tratamento ou prevenção médica.

Pessoas que já apresentam alergia a cães ou gatos, por exemplo, podem ter sintomas desencadeados ou agravados pelo contato com o animal.

A decisão de ter um pet deve levar em conta as condições de saúde dos moradores, além dos cuidados necessários para garantir o bem-estar do próprio animal.

Passear com o pet também pode influenciar a exposição

Os possíveis benefícios não estariam relacionados apenas ao animal dentro de casa.

Caminhar com um cachorro, por exemplo, aumenta o contato dos tutores com parques, solo, plantas e outros ambientes, ampliando a exposição a diferentes microrganismos.

Esse contato ambiental também é investigado pelos pesquisadores como um dos fatores que podem influenciar o microbioma e a resposta imunológica.

Entenda o contexto

A relação entre animais de estimação e sistema imunológico ainda é um campo de pesquisa em desenvolvimento.

Os estudos disponíveis sugerem que a exposição a animais e a diferentes microrganismos durante a infância pode estar associada a mudanças no microbioma e a menor ocorrência de algumas doenças alérgicas. Ao mesmo tempo, outras pesquisas não encontram associação significativa para determinadas condições, mostrando que o efeito não é simples nem igual para todas as pessoas.

Mais do que considerar o pet como um “remédio”, os pesquisadores buscam entender como o ambiente em que uma criança cresce influencia a formação do sistema imunológico. A convivência responsável com animais pode fazer parte desse ambiente, mas não substitui vacinação, acompanhamento médico, alimentação adequada ou tratamentos quando necessários.

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