A Prefeitura de Coari, no interior do Amazonas, passou a ser comandada temporariamente por Jeany de Paula Amaral Pinheiro, irmã do prefeito afastado Manoel Adail Amaral Pinheiro, o Adail Pinheiro. Presidente da Câmara Municipal, ela tomou posse como prefeita interina nesta quinta-feira (17), após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) determinar o afastamento do prefeito por 90 dias.
A mudança ocorreu dois dias depois da deflagração da Operação Dinastia do Lago, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à administração municipal de Coari.
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Entenda o que aconteceu
A Operação Dinastia do Lago foi deflagrada pela PF na quarta-feira (16). Ao todo, foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari, além de medidas cautelares determinadas pelo STF.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura a possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros. Entre as suspeitas estão direcionamento de licitações, desvio de recursos e movimentações financeiras que poderiam estar relacionadas ao pagamento de vantagens indevidas e à ocultação da origem dos valores.
A investigação começou após a apreensão de aproximadamente R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo, transportados por três empresários em um voo entre Manaus e Brasília, em maio de 2025. A partir da análise de documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos, os investigadores passaram a apurar possíveis relações entre empresas e contratos da Prefeitura de Coari.
É importante destacar que Adail Pinheiro é investigado e o afastamento cautelar não representa condenação. As suspeitas ainda são objeto de apuração.
Por que Jeany assumiu a Prefeitura?
A presidente da Câmara chegou ao comando do Executivo porque o vice-prefeito Emanoel Pinheiro, filho de Adail, também não estava apto a assumir o cargo.
Emanoel havia se afastado das funções executivas para disputar uma vaga de deputado estadual nas eleições de outubro. Segundo documentos lidos durante a sessão da Câmara, o afastamento está previsto até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, com possibilidade de retorno a partir do dia seguinte, conforme a legislação eleitoral.
Com o prefeito afastado e o vice impedido de assumir, a sucessão chegou à presidente da Câmara Municipal.
Jeany foi empossada em uma sessão extraordinária realizada na sala de reuniões da Prefeitura. O espaço está sendo utilizado temporariamente pelo Legislativo porque o prédio da Câmara passa por reformas.
Com a saída de Jeany da presidência da Câmara, o vice-presidente da Casa, Orleilson de Oliveira Lima, passou a conduzir os trabalhos do Legislativo municipal.
O que a PF investiga em Coari
De acordo com a PF e a CGU, a investigação apura possíveis irregularidades em contratos públicos e processos de licitação da Prefeitura de Coari.
As instituições afirmam que foram identificados indícios de possível direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e movimentações financeiras que podem ter relação com vantagens indevidas e ocultação de valores.
Os investigadores também analisam possíveis conexões entre empresas e agentes públicos, além da origem e do destino de recursos envolvidos nas operações sob suspeita.
A CGU informou que participou do levantamento e da análise de informações relacionadas às pessoas físicas e jurídicas investigadas, incluindo dados sobre licitações, contratações públicas e movimentações financeiras.
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Dinheiro e veículos foram apreendidos
Durante a operação, foram apreendidos cerca de R$ 990,5 mil em dinheiro, além de US$ 10 mil, € 1.255 e 21 veículos, segundo informações divulgadas após as diligências. Também foram encontrados joias e relógios em endereços ligados aos investigados.
A PF informou que as medidas foram determinadas pelo STF e que os valores e bens apreendidos fazem parte do conjunto de diligências da investigação.
A operação também alcançou o deputado federal Adail Filho, filho do prefeito afastado. A apuração busca esclarecer possíveis relações entre empresários, agentes públicos e contratos firmados pelo município.
Investigação começou após apreensão de R$ 1,25 milhão
O caso teve origem em maio de 2025, quando três empresários foram abordados durante um voo entre Manaus e Brasília transportando aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie.
A partir desse episódio, documentos e equipamentos eletrônicos apreendidos durante a investigação foram analisados com autorização judicial. Segundo a PF, o material levou os investigadores a apurar possíveis relações financeiras e contratuais envolvendo pessoas e empresas ligadas à administração municipal.
A PF afirma que os fatos investigados podem, em tese, caracterizar crimes como organização criminosa, fraude à licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.
Entenda o contexto
O afastamento de Adail Pinheiro é uma medida cautelar, adotada durante uma investigação. Isso significa que a decisão não equivale a uma condenação ou à confirmação das suspeitas.
A Operação Dinastia do Lago continua em andamento, e a PF busca reunir elementos para esclarecer a origem dos recursos, a eventual participação dos investigados e possíveis irregularidades em contratos públicos de Coari.
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