O partido Rússia Unida, associado ao presidente Vladimir Putin, liderava a eleição parlamentar da Rússia com 57,5% dos votos após a apuração de quase 14% do total, segundo dados divulgados neste domingo (20) pela Comissão Eleitoral Central. Os números são preliminares e ainda podem mudar com o avanço da contagem.
A votação foi encerrada às 21h no horário local, após três dias de pleito, e registrou participação superior a 56%. A eleição define a composição das 450 cadeiras da Duma Estatal, a Câmara Baixa do Parlamento russo, onde o Rússia Unida mantém maioria há mais de duas décadas.
Rússia Unida abre vantagem na apuração
Os primeiros números oficiais colocaram o partido ligado a Putin com ampla vantagem sobre as demais legendas autorizadas a disputar a eleição.
Com aproximadamente 14% dos votos contabilizados, o Rússia Unida aparecia com 57,5%. Partido Comunista, LDPR, Novas Pessoas e Rússia Justa também disputam cadeiras no Parlamento.
Uma pesquisa de boca de urna divulgada pelo instituto estatal VCIOM apresentou números diferentes da apuração oficial inicial, mas também colocou o Rússia Unida na primeira posição, com 49,4%.
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Eleição renova as 450 cadeiras da Duma
O pleito parlamentar define os ocupantes das 450 cadeiras da Duma Estatal, uma das duas casas do Parlamento da Rússia.
Metade das cadeiras é distribuída pelo sistema de listas partidárias, enquanto a outra metade é preenchida por disputas em distritos eleitorais.
O Rússia Unida ocupa posição dominante no Parlamento russo desde 2003 e tem sido a principal base de sustentação política do governo de Vladimir Putin.
Participação supera 56%
Segundo a Comissão Eleitoral Central, a participação no pleito superou 56% dos eleitores habilitados.
Mais de 111 milhões de pessoas estavam aptas a votar. A votação começou na sexta-feira (18) e terminou neste domingo.
O processo também ocorreu em territórios ucranianos ocupados e reivindicados pela Rússia. A Ucrânia e a União Europeia contestam a validade da votação realizada nessas regiões.
Primeira eleição parlamentar desde o início da guerra
Esta é a primeira eleição para a Duma realizada desde que a Rússia iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Putin apresentou o pleito como uma demonstração de unidade nacional e de apoio às políticas do governo durante o conflito.
Críticos do Kremlin, por outro lado, questionam as condições de competição eleitoral. Candidatos e movimentos contrários à guerra enfrentaram restrições, e o partido liberal Yabloko, que defendia o fim do conflito, ficou fora da disputa parlamentar.
Oposição questiona condições da disputa
A eleição ocorreu em um ambiente político marcado por restrições à oposição e à manifestação pública contra a guerra.
Críticos do governo afirmam que essas condições limitam a competição política e favorecem os partidos alinhados ao Kremlin. O governo russo sustenta que medidas de controle e restrições são necessárias para preservar a segurança e a unidade nacional durante o conflito.
A ausência de parte dos grupos críticos ao Kremlin é um dos pontos levantados por opositores para questionar a representatividade do processo eleitoral.
Último dia de votação teve ataques de drones
O último dia da eleição também foi marcado por uma grande ofensiva de drones contra Moscou e outras regiões russas.
Autoridades da Rússia atribuíram os ataques à Ucrânia e afirmaram que centenas de aeronaves não tripuladas foram interceptadas. A ofensiva provocou mortes e atingiu, entre outros locais, uma instalação de uma refinaria de petróleo na região de Moscou.
A Ucrânia não assumiu oficialmente a responsabilidade pelos ataques registrados durante a votação.
Kremlin relacionou eleição ao apoio durante a guerra
Ao longo do processo eleitoral, Putin relacionou a votação à necessidade de demonstrar unidade interna em um momento de guerra.
Para o Kremlin, o desempenho do Rússia Unida pode ser apresentado como demonstração de respaldo às políticas conduzidas pelo governo.
Essa interpretação é contestada por opositores e observadores críticos, que apontam as restrições à participação de candidatos contrários à guerra e a ausência de uma disputa política mais ampla.
Resultado ainda é preliminar
Os 57,5% registrados pelo Rússia Unida correspondem apenas aos primeiros dados da apuração e não representam o resultado definitivo da eleição.
A Comissão Eleitoral Central continuará contabilizando os votos para definir tanto a votação nacional das legendas quanto os vencedores dos distritos eleitorais.
A composição definitiva da Duma dependerá da conclusão da contagem e da distribuição das cadeiras previstas pelo sistema eleitoral russo.
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Entenda o contexto
A eleição parlamentar russa ocorreu entre os dias 18 e 20 de setembro e foi a primeira desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022. O pleito renova integralmente as 450 cadeiras da Duma Estatal.
O Rússia Unida é a principal força política do país e mantém maioria parlamentar desde 2003. O partido funciona como a principal base de apoio ao governo de Vladimir Putin no Legislativo.
A votação ocorreu em meio à continuidade da guerra e a restrições contra movimentos políticos críticos ao Kremlin. A realização do pleito em territórios ucranianos ocupados pela Rússia também foi contestada por Kiev e pela União Europeia.
Com quase 14% dos votos contabilizados, o Rússia Unida aparecia com 57,5%. Como a apuração ainda estava em andamento, a distribuição definitiva das 450 cadeiras não havia sido estabelecida.
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