Líder do PCC citado no caso Milton Leite é preso na Bolívia e trazido para SP

Márcio Barbosa da Silva, conhecido como “Beiço de Mula”, era procurado pela Justiça brasileira e aparece em mensagens da investigação sobre a suposta infiltração da facção no transporte público de São Paulo
Redação NC News
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Márcio Barbosa da Silva, conhecido como “Beiço de Mula” e apontado pelas investigações como uma liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) no ABC Paulista, foi preso em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Ele era procurado pela Justiça brasileira e aparece em mensagens que integram a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) relacionada à Operação Vectura Corrupta, investigação que também levou à prisão do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite.

A prisão ocorreu no sábado (19), em uma ação das autoridades bolivianas realizada a partir do intercâmbio de informações com órgãos de segurança brasileiros. Depois dos procedimentos na Bolívia, Márcio foi expulso do país e entregue às autoridades brasileiras. Ele chegou a São Paulo nesta segunda-feira (21), em voo que pousou no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Quem é “Beiço de Mula”

Márcio Barbosa da Silva é apontado pelas investigações como integrante do chamado núcleo político do PCC e como uma liderança da organização criminosa na região do ABC Paulista.

Ele era procurado no Brasil por organização criminosa e porte ilegal de arma de fogo e também estava incluído na difusão vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar pessoas procuradas internacionalmente.

A captura ocorreu em Santa Cruz de la Sierra. A operação contou com atuação da Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN), da Polícia Boliviana, após troca de informações com a Polícia Federal e a Polícia Civil de São Paulo.

Após a prisão, as autoridades bolivianas adotaram os procedimentos para a expulsão do brasileiro. Ele foi entregue às autoridades nacionais e transferido para São Paulo.

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Nome aparece na investigação do caso Milton Leite

O nome de Márcio aparece no material reunido pelo Ministério Público de São Paulo na investigação que apura a suposta infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo da capital paulista.

Segundo a denúncia, “Beiço de Mula” é mencionado em trocas de mensagens analisadas pelos investigadores. Em uma delas, um interlocutor pergunta se outra pessoa havia conseguido falar com Márcio. A resposta indica que ele tinha o contato e poderia fazer a ligação caso tivesse interesse.

Em outro trecho citado no material, um integrante da organização criminosa afirma ter acabado de receber uma ligação de “Beiço”. O conteúdo dessa conversa telefônica não é detalhado na denúncia.

As menções colocam Márcio dentro do conjunto de relações analisadas pelos investigadores, mas, isoladamente, não permitem atribuir a ele participação em todos os fatos investigados no caso envolvendo Milton Leite.

 

Operação investiga presença do PCC no transporte de SP

A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada em 17 de setembro pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo para investigar a suposta infiltração do PCC no setor de transporte coletivo.

A investigação aponta que integrantes ou pessoas ligadas à facção teriam exercido controle direto ou indireto sobre 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo por ônibus na capital paulista.

Além da eventual influência sobre empresas, os investigadores apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, fraudes, movimentações financeiras e a participação de intermediários.

A operação teve 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão, com diligências em diferentes cidades do estado de São Paulo.

 

Milton Leite está entre os investigados

Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, é um dos nomes investigados na Operação Vectura Corrupta.

Ele foi alvo de um mandado de prisão temporária e se apresentou à polícia na sexta-feira (18), em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.

O ex-vereador nega ter ligação com o PCC e também rejeita as acusações relacionadas ao controle de empresas de transporte. As suspeitas apresentadas pelas autoridades ainda serão analisadas no processo, com direito à manifestação das defesas.

A prisão de Márcio Barbosa ocorre poucos dias depois da operação e acrescenta um novo desdobramento às investigações sobre a estrutura atribuída à organização criminosa.

 

Investigadores apuram núcleo político da facção

Além das empresas de transporte, diferentes investigações conduzidas em São Paulo buscam esclarecer uma possível estratégia de integrantes do PCC para estabelecer relações e influência no ambiente político.

Márcio já havia sido relacionado pelas autoridades a outra investigação envolvendo o ex-vereador de Santo André Thiago Rocha.

Nesse caso, a Polícia Civil investigou suspeitas de que integrantes da facção buscavam ampliar sua presença no poder público por meio de candidaturas e contatos políticos.

A eventual responsabilidade individual dos citados depende das provas reunidas em cada investigação e das decisões da Justiça.

 

Prisão na Bolívia termina período como foragido

A captura em território boliviano encerrou o período em que Márcio era considerado foragido pelas autoridades brasileiras.

Depois da prisão, ele foi expulso da Bolívia e colocado sob custódia das autoridades brasileiras.

A chegada ao Aeroporto Internacional de Guarulhos ocorreu na segunda-feira, dois dias depois da captura em Santa Cruz de la Sierra.

Com o investigado novamente no Brasil, os procedimentos judiciais relacionados aos mandados existentes contra ele poderão avançar.

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Entenda o contexto

A Operação Vectura Corrupta investiga suspeitas de que o PCC tenha ampliado sua atuação sobre o transporte coletivo de São Paulo por meio de empresas, intermediários e pessoas relacionadas ao setor.

Segundo a investigação, 12 das 22 empresas que operam ônibus na capital teriam algum nível de controle direto ou indireto atribuído à organização criminosa. A apuração também procura esclarecer movimentações financeiras e a atuação individual dos investigados.

Milton Leite aparece entre os principais alvos da operação e nega envolvimento com a facção. Márcio Barbosa da Silva, por sua vez, é citado em mensagens incluídas na denúncia e era procurado pela Justiça brasileira até ser localizado na Bolívia. As investigações continuam e as acusações contra os envolvidos ainda estão sujeitas à análise judicial.

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