A Tesla enfrenta nesta segunda-feira (21) um importante julgamento na Califórnia por acusações de discriminação racial contra trabalhadores negros. O processo foi apresentado pelo Departamento de Direitos Civis da Califórnia (CRD) e envolve principalmente a fábrica da montadora em Fremont.
A ação foi aberta em 2022 e acusa a fabricante de veículos elétricos de permitir um ambiente de trabalho marcado por assédio racial, além de supostas diferenças de remuneração, tratamento disciplinar e oportunidades de promoção entre funcionários negros e outros trabalhadores.
O julgamento ocorre em Oakland, no Tribunal Superior da Califórnia, diante do juiz Peter Borkon. A previsão é que o processo se estenda até 30 de outubro.
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Processo aponta assédio racial na fábrica da Tesla
Segundo o Departamento de Direitos Civis da Califórnia, trabalhadores negros da fábrica de Fremont teriam sido submetidos durante anos a insultos racistas e pichações ofensivas no ambiente profissional.
A agência afirma que a Tesla tinha conhecimento de reclamações apresentadas por funcionários, mas não teria adotado medidas suficientes para impedir ou corrigir as práticas.
As acusações também envolvem alegações de segregação profissional, remuneração inferior e dificuldade de acesso a promoções e cargos de maior responsabilidade.
Agência aponta diferenças de remuneração
O Departamento de Direitos Civis apresentou ao processo uma análise de dados salariais referentes ao período entre junho de 2018 e junho de 2024.
Segundo a agência, a remuneração mensal de trabalhadores negros teria sido, em média, US$ 1.533 inferior à de trabalhadores brancos. O dado integra as alegações apresentadas pelo órgão e será analisado no julgamento.
A ação também sustenta que funcionários negros eram direcionados com maior frequência para trabalhos mais intensos e ocupavam níveis inferiores da estrutura profissional da empresa.
Relatos incluem insultos e pichações
Entre os elementos reunidos pela agência estão relatos de trabalhadores sobre o uso frequente de expressões racistas dentro das instalações da empresa e a presença de pichações ofensivas em áreas comuns.
A acusação sustenta que alguns episódios teriam ocorrido na presença de supervisores e gestores.
O processo também aponta supostas retaliações contra funcionários que reclamavam das condições, incluindo avaliações profissionais negativas, advertências e demissões.
Tesla nega tolerar discriminação
A Tesla já rejeitou anteriormente as acusações de que permitiria uma cultura de discriminação racial em suas instalações.
A empresa afirma que se opõe a todas as formas de discriminação e assédio e sustenta que funcionários envolvidos em comportamentos inadequados foram submetidos a medidas disciplinares, incluindo demissões.
A companhia e seus advogados não responderam aos pedidos mais recentes de comentários sobre o julgamento.
Justiça permitiu que processo chegasse a julgamento
Antes do julgamento, a Tesla tentou encerrar o processo sem que as acusações fossem analisadas em um julgamento completo.
Em maio, porém, a Justiça da Califórnia rejeitou o pedido. A decisão considerou que as evidências apresentadas levantavam questões factuais que deveriam ser examinadas durante o julgamento.
Isso não significa que as acusações contra a Tesla tenham sido consideradas comprovadas. Caberá ao tribunal analisar as provas e os argumentos apresentados pelas partes antes de decidir sobre a responsabilidade da empresa.
Tesla enfrenta outros processos relacionados ao tema
O processo movido pelo governo da Califórnia não é a única disputa judicial enfrentada pela Tesla envolvendo alegações de discriminação racial.
A empresa também já foi alvo de ações apresentadas por trabalhadores e pela Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego dos Estados Unidos (EEOC).
Um dos casos de maior repercussão envolveu um ex-funcionário negro da fábrica de Fremont que acusou a empresa de não impedir episódios de racismo no ambiente de trabalho. O processo passou por diferentes decisões judiciais relacionadas ao valor da indenização.
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Julgamento pode se estender até outubro
Advogados do Departamento de Direitos Civis da Califórnia e da Tesla apresentarão documentos, depoimentos e outros elementos reunidos ao longo do processo.
A legislação estadual da Califórnia permite indenizações por discriminação no ambiente profissional sem o mesmo limite de danos compensatórios previsto na legislação federal norte-americana para determinados processos.
Por isso, uma eventual responsabilização da montadora poderá ter consequências financeiras relevantes. O valor dependerá das conclusões do tribunal e das medidas eventualmente determinadas no processo.
Entenda o Contexto
O Departamento de Direitos Civis da Califórnia iniciou a ação contra a Tesla em fevereiro de 2022, após uma investigação que, segundo o órgão, durou aproximadamente três anos.
A agência acusa a empresa de violar leis estaduais de proteção contra discriminação e de igualdade salarial. Entre as alegações estão assédio racial, diferenças de remuneração, tratamento disciplinar desigual, restrições a promoções e retaliação contra trabalhadores negros que apresentaram reclamações.
A Tesla contesta as acusações e já afirmou publicamente que não tolera discriminação ou assédio. Com o início do julgamento, as alegações e as defesas apresentadas pela companhia passam agora pela análise judicial.
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