Converse retira campanha com Karina após imagem ser associada à Ku Klux Klan

Converse retira campanha publicitária após acusações de conteúdo ofensivo envolvendo a artista Karina.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x
A Converse retirou de circulação uma imagem publicitária estrelada por Karina, integrante do grupo sul-coreano aespa, depois que elementos visuais da fotografia foram associados nas redes sociais à Ku Klux Klan (KKK) e à história de linchamentos racistas nos Estados Unidos. Na peça, publicada originalmente em canais da marca na Coreia do Sul, Karina aparece sentada usando uma saia clara e segurando um par de tênis. A combinação entre iluminação, sombra e tecido forma uma figura triangular branca que parte dos usuários interpretou como semelhante aos capuzes utilizados historicamente por integrantes da KKK. Outra interpretação surgiu a partir da posição dos calçados nas mãos da cantora. Internautas afirmaram que a composição lembrava pernas ou pés pendurados e relacionaram a imagem aos linchamentos de pessoas negras nos Estados Unidos. As associações partiram da reação do público à composição visual. Não há evidência de que Karina tenha participado da concepção artística da fotografia ou pretendido transmitir qualquer referência racista.
VEJA TAMBÉM:
Mano Brown é alvo de ataques racistas após publicação nas redes sociais

O que aparece na propaganda da Converse

A fotografia mostra Karina em uma composição predominantemente clara, segurando um par de tênis da Converse. O ponto que desencadeou a controvérsia está na região da saia da artista. A iluminação cria uma forma branca alongada e triangular sobre uma área mais escura. Nas redes sociais, usuários passaram a compartilhar recortes e ampliações da fotografia e afirmaram enxergar semelhança entre a forma e os capuzes pontiagudos associados à Ku Klux Klan. Outros usuários apontaram a posição dos tênis que Karina segura e interpretaram a composição como uma possível referência visual a corpos pendurados. As duas interpretações combinadas fizeram com que a fotografia fosse associada à violência racial nos Estados Unidos.
Converse é o assunto do momento após acusações de racismo e apito de cachorro | Foto: Reprodução

Por que a imagem foi associada à Ku Klux Klan

A Ku Klux Klan é uma organização supremacista branca surgida nos Estados Unidos no século 19 e historicamente associada ao terrorismo racial, perseguições e assassinatos de pessoas negras. Uma das imagens mais reconhecidas do grupo é o uso de vestimentas brancas acompanhadas de capuzes altos e pontiagudos. Foi essa semelhança visual apontada por usuários que levou a fotografia da Converse a circular acompanhada de referências à organização. A interpretação ganhou ainda mais peso nas redes quando a posição dos tênis foi associada por críticos a imagens de linchamento.

Converse retira imagem e pede desculpas

Com o crescimento da repercussão, a Converse retirou a fotografia de seus canais e divulgou um pedido público de desculpas. A empresa afirmou compreender por que a composição poderia ser considerada perturbadora e reconheceu que a imagem não deveria ter sido publicada daquela forma.
“Pedimos desculpas. Entendemos por que essa imagem é profundamente perturbadora e reconhecemos que erramos”, afirmou a Converse em comunicado.
A marca também informou que iniciou a retirada da fotografia dos locais em que havia sido divulgada.
“Isso não deveria ter acontecido e faremos melhor”, declarou a empresa.

Marca diz que associação não foi intencional

Ao responder à controvérsia, a Converse também negou que a fotografia tenha sido criada com a intenção de fazer referência à Ku Klux Klan ou a linchamentos. A explicação é importante porque diferencia dois pontos do episódio: as associações visuais apontadas pelo público e a intenção declarada pelos responsáveis pela campanha. Não há evidência pública de que a equipe responsável pela fotografia tenha deliberadamente inserido símbolos da organização supremacista ou referências à violência racial. O pedido de desculpas da empresa se concentrou no resultado final da imagem e no impacto provocado pela composição.

Karina não deve ser tratada como autora da campanha

A presença de Karina na fotografia também provocou discussões entre fãs do aespa. Não há informação pública que indique que a cantora tenha criado o conceito visual, definido a iluminação, escolhido o enquadramento ou participado das decisões responsáveis pela composição questionada. Por isso, atribuir à artista responsabilidade criativa pela imagem ou intenção de fazer referência à KKK não é sustentado pelas informações disponíveis. A controvérsia envolve a peça publicitária e os processos responsáveis por sua produção e divulgação.

Quem é Karina, estrela da campanha

Karina é o nome artístico da cantora sul-coreana Yoo Ji-min, integrante do aespa, grupo formado pela SM Entertainment. Ela estreou com o grupo em 2020 e se tornou uma das artistas mais conhecidas da atual geração do K-pop. A projeção internacional do aespa também transformou suas integrantes em nomes disputados por marcas globais de moda, beleza e consumo. Essa exposição fez com que a controvérsia ultrapassasse rapidamente o público sul-coreano e circulasse entre comunidades internacionais de fãs.
Karina faz parte do polêmico grupo AESPA | Foto: Reprodução

Converse pertence à Nike desde 2003

Fundada em 1908 nos Estados Unidos, a Converse construiu sua identidade principalmente em torno da família Chuck Taylor All Star. A companhia foi adquirida pela Nike em 2003 e permanece operando como uma marca do grupo. Apesar dessa relação societária, não há base suficiente para afirmar que a controvérsia com Karina tenha provocado uma queda específica nas ações da Nike ou uma reação mensurável de investidores. Movimentos no preço das ações de uma companhia desse porte podem envolver inúmeros fatores e não devem ser atribuídos a uma campanha isolada sem evidências de mercado que sustentem essa relação.

Caso levanta questionamentos sobre revisão de campanhas

A retirada da fotografia também provocou questionamentos nas redes sobre como peças publicitárias de grandes marcas passam pelos processos de criação e aprovação antes da publicação. A Converse reconheceu que a imagem não deveria ter chegado ao público, mas não detalhou, no posicionamento inicial, quais etapas internas permitiram sua divulgação. Também não foram anunciadas publicamente, naquele momento, mudanças específicas em equipes, treinamentos obrigatórios ou novos protocolos de aprovação relacionados ao episódio. Assim, eventuais alterações estruturais dentro da empresa não devem ser tratadas como confirmadas até que sejam anunciadas pela própria Converse ou pela Nike.
LEIA TAMBÉM:
Empresa é condenada por racismo após funcionário negro ser chamado de “macaco” no trabalho

Entenda O Contexto

A Converse retirou uma fotografia publicitária estrelada por Karina, do aespa, depois que a composição visual provocou acusações de referências à Ku Klux Klan e a linchamentos racistas. Usuários relacionaram uma forma triangular branca criada sobre a saia da cantora aos capuzes utilizados historicamente pela organização supremacista. A posição dos tênis segurados pela artista também foi interpretada por parte do público como semelhante a pés pendurados. A Converse pediu desculpas, reconheceu que a imagem era perturbadora e informou que iniciou sua retirada dos canais em que havia sido publicada. A empresa também afirmou que as referências apontadas pelo público não foram intencionais. Não há evidências de que Karina tenha participado da criação do conceito questionado ou pretendido fazer qualquer referência racista. Também não foram detalhadas inicialmente medidas estruturais específicas adotadas pela Converse após a controvérsia.
AS MAIS LIDAS DO NC NEWS:
Jatinho ligado a Vorcaro foi usado por Moraes em meio a negociação de R$ 50 milhões
Cobertura onde ocorreu caso Matsunaga tem dificuldade para ser vendida em SP
Recruta mata colega de serviço e tira a própria vida dentro de quartel em Macapá
Carregar Comentários