O avanço dos agentes de inteligência artificial capazes de realizar tarefas em nome dos usuários, incluindo etapas de compras e pagamentos, acendeu um alerta no setor financeiro para novos riscos de golpes e fraudes.
Esses sistemas vão além dos tradicionais assistentes de IA que apenas respondem perguntas. Dependendo das permissões concedidas, um agente pode pesquisar produtos, comparar preços, acessar plataformas e executar ações para concluir uma tarefa solicitada pelo consumidor.
A preocupação dos bancos está principalmente na segurança das informações utilizadas nessas operações e na possibilidade de criminosos explorarem falhas, páginas falsas ou instruções maliciosas para interferir nas decisões tomadas pelos sistemas.
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Agentes de IA podem agir em nome do usuário
Os chamados agentes de IA representam uma nova etapa no desenvolvimento da inteligência artificial. Em vez de somente fornecer respostas ou recomendações, eles podem receber um objetivo e realizar uma sequência de ações para tentar cumpri-lo.
Em uma compra pela internet, por exemplo, a tecnologia pode ser utilizada para procurar determinado produto, avaliar alternativas e avançar nas etapas necessárias para realizar a aquisição, conforme os recursos disponíveis e as autorizações concedidas pelo usuário.
Essa autonomia também significa que os sistemas podem ter contato com informações sensíveis. Por isso, mecanismos de autenticação, limites para as ações executadas e confirmação humana em etapas críticas ganham importância à medida que esse tipo de tecnologia avança.
Onde estão os riscos de fraude?
Um dos riscos é a possibilidade de um agente interpretar conteúdo malicioso encontrado durante a navegação como se fosse uma instrução legítima. Sites ou páginas manipuladas podem tentar induzir sistemas automatizados a executar ações diferentes daquelas originalmente solicitadas pelo usuário.
Também existe preocupação com o acesso a credenciais, informações financeiras e outros dados pessoais necessários para determinadas tarefas. Quanto maior a autonomia concedida ao sistema, maior é a necessidade de estabelecer controles sobre o que ele pode acessar e executar.
Para o consumidor, uma das recomendações é não abrir mão da conferência das informações antes da autorização definitiva de uma operação financeira, especialmente dados do destinatário, valor da compra e empresa responsável pela cobrança.
Bancos ampliam investimentos em inteligência artificial
Ao mesmo tempo em que acompanham os riscos, os próprios bancos brasileiros estão ampliando o uso da inteligência artificial. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, as instituições estimam investir cerca de R$ 3 bilhões em inteligência artificial, analytics e big data neste ano.
O valor representa crescimento de 8% em relação a 2025. Entre os bancos pesquisados, 48% identificam ganhos na utilização da tecnologia para detecção e prevenção de fraudes.
A pesquisa também mostra que os agentes inteligentes já aparecem entre as tecnologias avaliadas pelo setor. Entre as principais aplicações mapeadas estão a automação de processos internos e o atendimento aos clientes por meio de chatbots e voicebots.
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Como reduzir os riscos
Os cuidados recomendados para transações digitais continuam importantes mesmo quando uma inteligência artificial participa do processo. Antes de concluir pagamentos, é necessário verificar os dados apresentados e evitar autorizações amplas ou desnecessárias a ferramentas de terceiros.
A Febraban também orienta consumidores a desconfiar de ofertas com preços muito abaixo dos praticados pelo mercado, verificar cuidadosamente os dados do beneficiário antes de confirmar pagamentos por Pix ou boleto e priorizar estabelecimentos conhecidos.
Para compras pela internet, outra orientação da entidade é utilizar cartões virtuais disponibilizados pelos aplicativos bancários, reduzindo a exposição dos dados do cartão físico.
Entenda O Contexto
O desenvolvimento dos agentes de IA ocorre em meio à rápida adoção da inteligência artificial pelo setor financeiro e pelos consumidores. Diferentemente dos chatbots convencionais, os agentes são desenvolvidos para realizar sequências de tarefas com maior grau de autonomia.
A segurança acompanha essa evolução como uma das principais preocupações. Pesquisa do Observatório Febraban realizada pelo Ipespe entre 9 e 20 de junho de 2026, com 3 mil pessoas nas cinco regiões brasileiras, mostrou que 84% dos entrevistados estavam preocupados com golpes, fraudes e crimes digitais envolvendo inteligência artificial.
O desafio passa a ser permitir que essas ferramentas executem tarefas úteis sem ampliar desnecessariamente o acesso a dados e recursos financeiros. Para isso, instituições financeiras e empresas de tecnologia estudam mecanismos de autenticação, controle de permissões e confirmação das operações.
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