O engenheiro Cristiano Vivacqua e Isis Brandão, apontados pela Polícia Civil como responsáveis pela construtora ligada ao prédio que desabou e matou seis pessoas na Penha, Zona Leste de São Paulo, permanecem foragidos há dez dias. Os dois são procurados desde 13 de setembro, quando a Justiça determinou prisões temporárias no curso da investigação.
O desabamento aconteceu na madrugada de 12 de setembro, na Rua Tequici. O prédio em construção caiu sobre uma residência vizinha, deixando seis mortos e duas pessoas resgatadas com vida. Além das mortes, a polícia investiga irregularidades relacionadas à obra e outras suspeitas envolvendo a atuação dos responsáveis pelas empresas.
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Cristiano Vivacqua era o responsável técnico pela obra, enquanto Isis Brandão aparece ligada à administração da construtora New Home. Os dois tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça e não haviam sido localizados até a última atualização.
Ronaldo dos Santos Vivacqua, pai de Cristiano e apontado pela investigação como sócio oculto da empresa, foi preso em 13 de setembro. Ele nega ter participação na New Home.
A defesa de Cristiano e Isis afirmou anteriormente que eles estavam fora de São Paulo e que pretendiam se apresentar às autoridades. Até esta terça-feira (22), porém, os dois continuavam sendo procurados.
Três foram indiciados por homicídio com dolo eventual
A Polícia Civil indiciou Cristiano Vivacqua, Isis Brandão e Ronaldo Vivacqua por homicídio com dolo eventual no âmbito da investigação sobre o desabamento.
Nessa modalidade, a investigação sustenta que há elementos para apurar se os responsáveis assumiram o risco de produzir o resultado ao manter determinadas condutas relacionadas à construção.
O indiciamento é uma etapa da investigação policial e não equivale a uma condenação. A responsabilização criminal depende do andamento do caso e das decisões posteriores do Ministério Público e da Justiça.
Desabamento matou seis pessoas
O prédio em obras desabou por volta das 2h de 12 de setembro e atingiu uma residência vizinha onde vivia uma família de imigrantes bolivianos. O imóvel também era utilizado como oficina de costura.
Seis pessoas morreram. Entre as vítimas estavam uma criança e uma mulher grávida. Outras duas pessoas foram retiradas com vida dos escombros.
O Corpo de Bombeiros trabalhou por mais de um dia no local. As buscas foram encerradas em 13 de setembro, depois que a última vítima foi encontrada.
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Obra acumulava histórico de irregularidades
O terreno onde ocorreu o desabamento era acompanhado pela Prefeitura de São Paulo desde 2019, quando foram identificadas irregularidades e a construção foi embargada.
Em 2021, o município entrou com uma ação judicial para tentar interromper os trabalhos e obter a demolição da estrutura existente.
Posteriormente, os responsáveis apresentaram um novo projeto. Um alvará foi emitido em 2023 sob a condição de que a construção anterior fosse demolida antes da execução da nova edificação.
Após o desabamento, as autoridades passaram a investigar se essa exigência foi efetivamente cumprida e como ocorreu a fiscalização da obra.
Servidora da Prefeitura também é investigada
Uma servidora da Prefeitura de São Paulo que atuou no processo relacionado ao imóvel também passou a ser investigada.
A apuração busca esclarecer as circunstâncias de uma vistoria realizada em 2024 e os documentos produzidos no processo de regularização da construção.
A Prefeitura afastou a funcionária enquanto realiza uma investigação administrativa. A defesa da servidora contesta as acusações e sustenta que a atuação dela seguiu critérios técnicos.
Polícia também apura suspeitas de golpes
Além da investigação sobre as seis mortes, a Polícia Civil apura denúncias relacionadas à comercialização de imóveis vinculados aos responsáveis pelas empresas.
Compradores relataram às autoridades problemas envolvendo unidades negociadas em empreendimentos e prejuízos financeiros. A investigação busca verificar contratos, pagamentos e a situação das obras envolvidas.
As suspeitas são investigadas separadamente e ainda dependem da análise de documentos e depoimentos para a definição de eventuais responsabilidades.
Perícia deve ajudar a esclarecer causa do colapso
A causa técnica do desabamento ainda é objeto de apuração. Especialistas indicados por entidades do setor de engenharia e construção devem participar das análises relacionadas ao imóvel.
Entre as entidades que indicaram profissionais estão o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP), o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e o Instituto de Engenharia.
Os trabalhos técnicos devem ajudar a esclarecer as condições estruturais do prédio e os fatores que provocaram o colapso.
Entenda o contexto
O prédio em construção desabou na madrugada de 12 de setembro, na Penha, Zona Leste de São Paulo, atingindo uma casa vizinha e deixando seis mortos.
A investigação identificou Cristiano Vivacqua como responsável técnico, Isis Brandão como ligada formalmente à construtora e Ronaldo Vivacqua como suposto sócio oculto. Ronaldo foi preso, enquanto Cristiano e Isis permanecem procurados.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias do desabamento, as condições da obra, a atuação dos responsáveis e suspeitas relacionadas à comercialização de imóveis. As apurações continuam, e os investigados têm direito à defesa durante o processo.
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