O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a soberania dos países e o princípio da não interferência em assuntos internos durante o discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22/9). Em meio à tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos e à reta final da eleição presidencial brasileira, Lula afirmou que o país não permitirá interferências externas no processo eleitoral.
VEJA TAMBÉM:
AO VIVO: Trump discursa na ONU logo após Lula abrir Assembleia Geral em Nova York
Lula diz que Brasil não “cabe no quintal de ninguém”
Ao defender o multilateralismo, Lula afirmou que o mundo precisa escolher entre “soberania ou subordinação”. Segundo o presidente, o Brasil deve buscar parceiros com uma agenda voltada ao desenvolvimento e não aceitar relações baseadas em submissão.
“Este Conselho [de Segurança da ONU] agora deve se debruçar sobre temas determinantes sobre o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre o multilateralismo e o unilateralismo. Soberania ou subordinação?”, declarou.
Em outro momento, Lula afirmou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” e defendeu maior integração entre países vizinhos, independentemente de diferenças ideológicas.
Presidente cita interferência nas eleições
Lula também levou o processo eleitoral brasileiro ao discurso. Para o presidente, a votação de 4 de outubro não servirá apenas para escolher presidente, governadores e representantes do Legislativo, mas também para definir, em suas palavras, “entre democracia e negacionismo”.
O petista afirmou que a eleição será “transparente e competitiva” e que os candidatos terão ampla liberdade de expressão. Na sequência, porém, disse que “interesses estrangeiros contrários ao país” estariam abusando dessa liberdade.
“Não subestimamos o desafio da rede de desinformação que pretende desvirtuar o debate público durante a campanha. Mas possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto, sob olhar atento de cidadania plural e de uma imprensa livre”, afirmou.
Lula encerrou o trecho sobre o processo eleitoral dizendo que “a democracia brasileira pertence aos brasileiros” e que o país continuará soberano.
LEIA TAMBÉM:
Protesto em Nova York projeta Flávio Bolsonaro entregando faixa presidencial a Trump
Tensão com os Estados Unidos marca discurso
As declarações ocorrem em um momento de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Lula e integrantes do governo brasileiro têm manifestado preocupação com uma eventual interferência americana nas eleições, enquanto o governo de Donald Trump adotou tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, medidas contestadas pelo Palácio do Planalto.
Lula disputa a Presidência com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi recebido por Trump na Casa Branca em maio, durante uma viagem aos Estados Unidos.
O presidente americano também foi citado por Lula em declarações anteriores à Assembleia Geral, quando o brasileiro afirmou que Trump tem o direito de governar os Estados Unidos, mas não outros países.
Meio ambiente e exploração de recursos
Na área ambiental, Lula afirmou que o Brasil pode conciliar desenvolvimento econômico, redução das emissões e preservação ambiental. O presidente destacou a redução do desmatamento e apresentou o país como referência em energia limpa.
Lula também defendeu a ideia de que “a floresta vale mais em pé”, mas afirmou que o governo continuará buscando explorar recursos naturais, incluindo os da Margem Equatorial e as terras raras consideradas necessárias para a transição energética.
Segundo o presidente, essas riquezas pertencem ao povo brasileiro e devem ser utilizadas em benefício da população, sem abandonar o processo de descarbonização.
Outros temas abordados por Lula
Além de soberania, democracia e meio ambiente, o presidente tratou de temas como combate ao crime organizado, inteligência artificial, negociações de paz, comércio internacional, tarifas e defesa do multilateralismo.
Lula também defendeu o Pix e abordou a necessidade de ampliar a cooperação internacional diante dos desafios tecnológicos e econômicos.
A Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo das Nações Unidas e reúne representantes dos 193 Estados-membros. Durante o debate geral, chefes de Estado e de governo apresentam suas posições e prioridades sobre temas internacionais.
Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar no debate geral, posição mantida desde 1955. Neste ano, Lula foi seguido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Entenda o contexto
O discurso de Lula ocorre a menos de duas semanas das eleições presidenciais brasileiras, marcadas para 4 de outubro. A disputa também se desenvolve em meio a divergências entre Brasília e Washington envolvendo comércio, tarifas e questões relacionadas à soberania nacional.
Ao levar o tema das eleições à Assembleia Geral, Lula associou a defesa do processo eleitoral brasileiro à discussão mais ampla sobre soberania e não interferência entre países.
AS MAIS LIDAS DO NC NEWS
Novo sinal de celular muda buscas por helicóptero com Rick na Serra catarinense
Mensagens ligam gabinete de Flávio Bolsonaro a pedido de emenda feito por condenado no caso Marielle
Justiça dá 15 dias para AGU comprovar por que pode defender Janja em ação sobre viagens