“Turma do KN”: advogada do Master bancou viagem de Kassio e contratou Safadão para festa da filha

Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram relação entre a advogada Camilla Ramos, o Banco Master e pessoas próximas ao ministro Kassio Nunes Marques; magistrado confirmou viagem e negou favorecimento ao banco
Redação NC News
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Mensagens obtidas pela Polícia Federal e encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) colocaram novamente no centro das investigações sobre o Banco Master a relação entre a advogada Camilla Ramos e pessoas próximas ao ministro Kassio Nunes Marques.Segundo as informações divulgadas a partir do material apreendido no celular do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, Camilla Ramos teria custeado uma viagem de Kassio Nunes Marques e da esposa dele para Maceió, em novembro de 2025.A advogada é esposa do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Nas mensagens analisadas pela PF, Newton e Camilla aparecem associados à expressão “Turma do KN”, em referência às iniciais de Kassio Nunes Marques.

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Viagem para Maceió

De acordo com as informações divulgadas sobre o material da investigação, Kassio Nunes Marques e a esposa viajaram para Maceió em novembro de 2025 em um avião cujo custo teria sido bancado por Camilla Ramos.
O ministro confirmou a viagem, mas afirmou que o convite partiu da advogada e classificou a relação como de caráter pessoal. Nunes Marques negou ter recebido qualquer benefício relacionado à sua atuação no STF.
O ministro também afirmou que nunca conversou ou trocou mensagens com Daniel Vorcaro e que não autorizou terceiros a falar em seu nome.

Advogada mantém contrato com o Banco Master

O nome de Camilla Ramos aparece ainda relacionado a um contrato firmado entre seu escritório de advocacia e interesses ligados ao Banco Master.

Segundo documentos e mensagens analisados pela PF, o contrato poderia alcançar R$ 427 milhões em honorários caso fossem obtidos resultados favoráveis em 12 ações judiciais relacionadas a precatórios.

As ações poderiam envolver valores de até R$ 8,5 bilhões. O acordo previa honorários correspondentes a 5% dos valores recebidos pelo banco caso os processos tivessem resultado favorável.

Mensagens mencionam Kassio

Nas conversas analisadas pelos investigadores, aparecem pedidos de hospedagens, viagens e outros benefícios atribuídos a pessoas próximas ao ministro.

Em uma das mensagens, um assessor de Vorcaro menciona um pedido de reserva em hotel para “KN”. Em outro diálogo, o nome de Kassio Nunes Marques é associado ao pedido.

As mensagens fazem parte do material que está sendo analisado no contexto das investigações sobre as relações entre o empresário Daniel Vorcaro, integrantes do Judiciário e pessoas ligadas ao Banco Master.

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Safadão foi contratado para festa da filha

Além da viagem para Maceió, a advogada Camilla Ramos também contratou o cantor Wesley Safadão para a festa de 15 anos da filha, realizada em Brasília no ano passado.

O evento teve o artista como atração surpresa e foi registrado nas redes sociais. A contratação aparece em reportagens que passaram a circular no contexto das informações sobre a relação da advogada com pessoas ligadas ao Banco Master e ao ministro Kassio Nunes Marques.

O que dizem os envolvidos

Kassio Nunes Marques nega ter favorecido o Banco Master em decisões judiciais e afirma que não manteve contato com Daniel Vorcaro. O ministro também sustenta que uma decisão mencionada nas mensagens tratava de uma tese jurídica ampla, e não especificamente de interesses do Banco Master.

Newton Ramos afirmou que sua esposa atuava profissionalmente para o banco e negou ter julgado processos de interesse da instituição. Segundo o desembargador, a relação pessoal com Vorcaro era anterior aos fatos atualmente investigados.

Entenda o contexto

As informações fazem parte do conjunto de documentos e mensagens analisados pela Polícia Federal no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.

Os registros levantaram questionamentos sobre relações entre empresários, advogados e integrantes do Judiciário. As mensagens, por si só, não representam uma conclusão sobre eventual irregularidade ou crime por parte das pessoas citadas.

As versões apresentadas pelos envolvidos e a análise das autoridades competentes ainda fazem parte do processo de apuração.

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