Representantes do governo, empresas e entidades do setor portuário cobraram maior estabilidade regulatória e continuidade de projetos para ampliar a competitividade dos portos brasileiros.
O debate ocorreu nesta terça-feira (22), durante o 2º Encontro Porto & Mar, realizado no Píer Mauá, no Rio de Janeiro.
Infraestrutura, concorrência, cabotagem, integração logística e demora na tomada de decisões estiveram entre os principais temas discutidos por autoridades e executivos.
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Estabilidade regulatória vira cobrança central
Parte importante das discussões se concentrou na necessidade de oferecer previsibilidade para empresas que planejam investimentos de longo prazo.
Representantes do setor argumentaram que mudanças frequentes de regras, demora na análise de projetos e troca constante de dirigentes reduzem a confiança de investidores.
O diretor-presidente da PortosRio, Flavio Vieira da Silva, defendeu continuidade administrativa para que projetos consigam avançar além do período de uma gestão.
“Planejamento a gente sabe fazer. A grande dificuldade está na execução”
O consultor para assuntos portuários Maxwell Rodrigues apontou que o Brasil precisa transformar diagnósticos em decisões concretas para disputar espaço com os principais sistemas logísticos do mundo.
“A gente não pode ser competitivo só localmente. Precisamos ser competitivos globalmente. Acho que o Brasil não aprendeu isso ainda”, afirmou Maxwell Rodrigues.
Ele também criticou a lentidão na execução de investimentos e projetos.
“Planejamento a gente sabe fazer. A grande dificuldade está na execução”, afirmou.
Antaq defende política de Estado para portos
O diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, Alber Vasconcelos, defendeu uma política de Estado capaz de projetar o setor portuário para além de ciclos de governo.
“O Brasil é grandioso demais. Temos que parar com a mentalidade simplesmente colonialista de pensarmos que a gente exporta o que a natureza nos deu e de importarmos a engenharia que os outros países criam. Isso tem que acabar”, afirmou Alber Vasconcelos.
A avaliação é que infraestrutura física precisa avançar junto com tecnologia, qualificação e modernização regulatória.
Cabotagem cresce e ganha espaço na estratégia logística
A cabotagem também apareceu como uma das alternativas para reduzir custos e retirar parte da pressão sobre rodovias.
Segundo dados apresentados pelo secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, a movimentação de contêineres por cabotagem cresceu em média 10,9% ao ano entre 2010 e 2025.
Entre 2023 e 2025, a expansão média anual chegou a 14,2%.
“Nosso país tem um compromisso perante o mundo para tentar descarbonizar a nossa matriz logística”, afirmou Otto Burlier.
Gargalos ainda limitam avanço do transporte marítimo
Entre os obstáculos apontados estão deficiência em acessos e estruturas portuárias, custos e demora das operações, baixa previsibilidade dos serviços, burocracia e despesas elevadas na primeira e na última milhas.
Também foram citados desequilíbrios regionais de cargas, disponibilidade limitada de embarcações adequadas e custos de combustíveis e insumos.
A integração entre portos, ferrovias, rodovias e hidrovias foi tratada como condição para que ganhos obtidos dentro do terminal não sejam perdidos durante o transporte terrestre.
Concorrência depende de confiança para investir
O painel de encerramento reuniu representantes do Ministério de Portos e Aeroportos, Antaq, PortosRio, terminais privados e entidades empresariais.
A avaliação predominante foi de que os investimentos privados dependem de regras previsíveis, segurança jurídica e continuidade de projetos de infraestrutura.
O setor também cobrou decisões mais rápidas de órgãos públicos para impedir que projetos permaneçam paralisados durante anos.
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Entenda O Contexto
O 2º Encontro Porto & Mar foi realizado em 22 de setembro no Píer Mauá, Terminal Internacional de Cruzeiros do Rio de Janeiro.
O evento reuniu autoridades, executivos e representantes de entidades para discutir infraestrutura, concorrência, regulação, transporte de cargas e cabotagem.
Entre as principais cobranças estiveram estabilidade regulatória, continuidade de projetos e maior velocidade na execução de investimentos.
A cabotagem também ganhou destaque como alternativa para reduzir o custo logístico e ampliar a participação do transporte marítimo dentro do país.
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