Endividamento atinge 82% das famílias e bate novo recorde no Brasil

Pesquisa da CNC mostra que número se manteve no maior nível da série histórica em agosto; inadimplência também avançou e atingiu 29,9%
Redação NC News
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O orçamento das famílias brasileiras continua sob pressão. O percentual de famílias endividadas chegou a 82% em agosto de 2026, mantendo o maior nível da série histórica pelo sétimo mês consecutivo, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O índice ficou estável em relação a julho, quando também havia registrado 82%, mas permaneceu acima do observado no mesmo período do ano anterior, quando o endividamento atingia 78,8% das famílias.

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Entenda o que aconteceu

O levantamento considera famílias que possuem dívidas a vencer em modalidades como cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas, crédito consignado, empréstimos pessoais e financiamentos de veículos e imóveis.

Na prática, o dado mostra que oito em cada dez famílias brasileiras declararam ter algum tipo de dívida. O percentual, porém, não significa necessariamente que todas estejam com pagamentos atrasados. Endividamento e inadimplência são indicadores diferentes.

A situação fica mais preocupante quando se observa a capacidade de pagamento.

Inadimplência também avançou

Depois de recuar em julho, a inadimplência voltou a subir em agosto e chegou a 29,9% das famílias. O levantamento da CNC também aponta que 12,5% disseram não ter condições de quitar as dívidas atrasadas, maior percentual desde fevereiro.

O cenário mostra que, embora o percentual de famílias endividadas tenha permanecido estável, uma parcela maior passou a enfrentar dificuldades para colocar as contas em dia.

Famílias de menor renda concentram pressão

A deterioração dos indicadores foi mais forte entre as famílias de menor renda. Segundo os dados divulgados em setembro, a piora da inadimplência se concentrou justamente nesse grupo.

O quadro ajuda a explicar por que o aumento do endividamento não pode ser analisado apenas pelo número geral. O impacto sobre o orçamento varia de acordo com a renda, o tamanho das dívidas e o comprometimento mensal com os pagamentos.

Dívida não significa necessariamente conta atrasada

Uma família pode estar endividada e, ainda assim, pagar todas as parcelas dentro do prazo. É o caso de quem utiliza o cartão de crédito ou possui um financiamento e mantém os pagamentos em dia.

A inadimplência ocorre quando a dívida deixa de ser paga no prazo. Por isso, os dois indicadores precisam ser observados em conjunto para entender a situação financeira dos consumidores.

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O cartão de crédito continua entre as principais dívidas

O cartão de crédito está entre as modalidades consideradas pela pesquisa da CNC para medir o endividamento das famílias. A modalidade também tem peso importante no orçamento dos consumidores porque permite antecipar o consumo, mas pode elevar rapidamente o valor das parcelas quando há parcelamentos sucessivos ou pagamento parcial da fatura.

Por isso, o crescimento do endividamento precisa ser analisado em conjunto com a renda disponível e a capacidade de pagamento de cada família.

O que os números mostram

Os dados de agosto traçam um cenário diferente daquele observado em julho. Naquele mês, o endividamento havia permanecido em 82%, enquanto a inadimplência havia recuado para 29,8%. Em agosto, o endividamento continuou em 82%, mas a inadimplência voltou a subir para 29,9%.

Outro indicador que chama atenção é a parcela de famílias que se considera muito endividada. O percentual passou de 17,1% em julho para 17,4% em agosto.

Entenda o contexto

O resultado ocorre depois de uma sequência de meses em que o endividamento permaneceu em níveis elevados. Em julho, a CNC já havia apontado que os 82% representavam o sexto mês consecutivo no maior patamar da série histórica.

Em agosto, o índice permaneceu no mesmo nível, consolidando o sétimo mês consecutivo nesse patamar histórico. Ao mesmo tempo, o avanço da inadimplência e da parcela de famílias que afirmam não conseguir pagar as contas atrasadas indica que o problema não está apenas na existência de dívidas, mas também na capacidade de algumas famílias de honrar esses compromissos.

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