Nunes exonera de cargo de chefia servidora investigada após desabamento que matou seis na Penha

Viviane Rodrigues de Palma deixa função de chefia na Subprefeitura da Penha, mas continua servidora municipal; CGM e Polícia Civil apuram circunstâncias relacionadas à obra
Redação NC News
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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), exonerou do cargo de chefia a servidora Viviane Rodrigues de Palma, investigada após o desabamento de um prédio em construção que matou seis pessoas na Penha, Zona Leste da capital. A arquiteta estava à frente da Unidade Técnica de Aprovação de Projetos da Subprefeitura da Penha.

A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Município nesta terça-feira (22) e tem efeito retroativo a 14 de setembro, quando Viviane já havia sido afastada de suas atividades pela Controladoria Geral do Município (CGM). Ela deixa a função de chefia, mas permanece no quadro de servidores municipais.

 

Servidora deixa chefia, mas continua na Prefeitura

A exoneração atinge especificamente o cargo de chefe de Unidade I da Unidade Técnica de Aprovação de Projetos. O procedimento aberto pela CGM para investigar os atos administrativos relacionados à obra da Rua Tequici continua em andamento.

Inicialmente, Viviane havia sido afastada por 30 dias. Posteriormente, a administração municipal ampliou o afastamento cautelar para até 120 dias enquanto prosseguem as apurações.

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Documento de 2024 está no centro da apuração

A investigação administrativa analisa, entre outros pontos, uma vistoria realizada por Viviane em fevereiro de 2024. Segundo a Prefeitura, o documento registrou que a demolição de uma construção existente no terreno havia sido efetuada integralmente e que uma nova edificação estava em andamento.

A servidora contesta a interpretação dada ao relatório. Em manifestação após o desabamento, afirmou que a demolição mencionada no documento se referia a uma edificação anterior existente no terreno e não ao prédio que posteriormente caiu.

Viviane também declarou que a vistoria não tinha como objetivo avaliar a segurança estrutural do edifício. As versões e os documentos administrativos estão sendo analisados pelas autoridades, e não há conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade da servidora pelo desabamento.

 

Prédio desabou sobre uma casa e matou seis pessoas

O desabamento aconteceu por volta das 2h de 12 de setembro, na Rua Tequici. O prédio em construção caiu sobre uma residência vizinha, provocando uma grande operação de busca e salvamento.

Seis pessoas morreram, entre elas uma mulher grávida e uma criança. Outras duas vítimas foram retiradas com vida dos escombros. As buscas do Corpo de Bombeiros terminaram no dia seguinte, após a localização da última vítima.

 

 

Obra acumulava histórico de problemas

A construção já havia sido alvo de medidas da Prefeitura antes da tragédia. Em 2019, o município identificou irregularidades e interditou a obra. Em 2021, a administração municipal recorreu à Justiça para tentar impedir o avanço dos trabalhos.

Um novo projeto foi apresentado posteriormente e recebeu alvará em 2023. A autorização estava condicionada à demolição da estrutura anterior, ponto que passou a ocupar posição central nas investigações depois do desabamento.

 

 

Polícia Civil também investiga responsabilidades

Além do procedimento administrativo da Prefeitura, a Polícia Civil investiga as circunstâncias da tragédia e as condutas de pessoas relacionadas à construção.

Ronaldo Vivacqua, apontado pela investigação como sócio oculto de uma das empresas envolvidas na obra, foi preso temporariamente. Cristiano Vivacqua, engenheiro responsável pela construção e filho de Ronaldo, e Isis Brandão, apontada como proprietária formal da empresa, tiveram prisões temporárias decretadas e permaneciam procurados na última atualização.

A Polícia Civil informou que analisa a possibilidade de indiciamentos por homicídio com dolo eventual. Essa avaliação integra uma investigação ainda em andamento e não representa condenação dos investigados.

 

 

Servidora também responde a outro inquérito administrativo

Viviane é alvo de uma apuração administrativa anterior relacionada a eventual incompatibilidade patrimonial. Segundo a Prefeitura, o caso teve origem em uma sindicância patrimonial iniciada em 2020 e resultou em um inquérito instaurado pela Corregedoria em maio de 2025.

O procedimento aborda suspeitas de eventual enriquecimento ilícito e possíveis atos de improbidade administrativa. A CGM informou anteriormente que Viviane foi interrogada e apresentou manifestação por meio da defesa.

O inquérito é sigiloso e ainda não foi concluído. A Prefeitura informou que o processo está em fase final de instrução e que os documentos apresentados pela defesa estão sendo analisados.

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Entenda o contexto

O prédio que desabou na Penha tinha histórico de intervenções do poder público. A obra começou em 2019 e foi alvo de interdição e multas. Em 2021, a Prefeitura acionou a Justiça para interromper a construção.

Posteriormente, um novo projeto recebeu autorização municipal condicionada à demolição da estrutura anterior. Uma vistoria feita em fevereiro de 2024 registrou a demolição, mas esse procedimento passou a ser questionado após a tragédia.

As investigações agora tentam esclarecer as condições estruturais da obra, os procedimentos adotados pela construtora e a atuação dos agentes públicos envolvidos na fiscalização e no licenciamento. A exoneração de Viviane da função de chefia é uma medida administrativa e não representa conclusão sobre sua responsabilidade no caso.

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