A vitória parecia completa. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) decidiu, por unanimidade, liberar a candidatura de Antonio Rueda à Câmara dos Deputados, afastando uma das maiores ameaças ao projeto eleitoral do presidente nacional do União Brasil.
Mas o alívio jurídico não apaga a sequência de episódios que colocou o dirigente no centro de uma das maiores crises de imagem de sua carreira política.
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O vídeo que viralizou
Tudo começou com gravações feitas em um hotel de São Paulo, que rapidamente se espalharam pelas redes sociais e por grupos de mensagens. Nas imagens, Rueda aparece de cueca durante uma discussão acalorada com a influenciadora digital Luana Dellevedove, ex-namorada de Jair Renan Bolsonaro, faz acusações de agressão e violência psicológica contra ele.
O conteúdo virou munição imediata para adversários políticos e multiplicou as buscas pelo seu nome na internet. Vale destacar: as acusações são negadas pelo próprio Rueda e não foram comprovadas pelas gravações que circularam até agora.
A sombra da milícia
Enquanto o episódio do hotel dominava as redes, outro capítulo mais grave se desenrolava nos bastidores da Justiça Eleitoral. Durante a análise do pedido de candidatura de Rueda, o Ministério Público Eleitoral chegou a pedir a rejeição do registro, argumentando que existiriam vínculos políticos e eleitorais com figuras ligadas a investigações sobre grupos milicianos atuantes na Baixada Fluminense. Os desembargadores do TRE-RJ, no entanto, rejeitaram a tese por unanimidade, concluindo que não havia elementos suficientes para barrar a candidatura.
Apesar de Rueda não ser alvo de denúncia criminal, condenação ou investigação formal ligada a milícias, fontes ouvidas pelo NC News confirmam uma proximidade política com lideranças da região, principalmente a conhecida relação Quem é Antonio Rueda? Líder do União Brasil aparece em vídeo íntimo e é alvo de acusações de ligação com milicianoscom o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, também do União Brasil e um dos principais aliados do partido no estado.
Aliados na mira da Polícia Federal
A situação ganhou novos contornos quando operações da Polícia Federal atingiram pessoas ligadas ao grupo político de Canella. As investigações em curso apuram suspeitas que vão de corrupção eleitoral a uso indevido da máquina pública, passando por coação de eleitores e possíveis conexões entre agentes públicos e estruturas criminosas na região — todos os investigados negam irregularidades.
O avanço dessas apurações aumentou a pressão sobre o círculo político de Rueda, e adversários passaram a questionar abertamente suas relações. A defesa do dirigente é enfática: ele não responde a nenhuma ação criminal, não é investigado nesses procedimentos e não tem qualquer ligação com organizações criminosas.
Um cargo estratégico sob holofote
A repercussão ganha peso extra por causa da posição que Rueda ocupa. Como presidente de um dos maiores partidos do Congresso, ele tem papel central em negociações eleitorais, na distribuição de recursos partidários e nas articulações entre governadores, prefeitos e parlamentares — um posto que faz qualquer escândalo pessoal ecoar muito além dele mesmo.
Às vésperas da campanha de 2026, Rueda terá que administrar duas frentes simultâneas: a repercussão dos vídeos que ainda circulam nas redes e o desgaste causado pelas investigações que cercam seus aliados na Baixada Fluminense. A vitória no TRE-RJ garantiu a ele um lugar na disputa, mas os episódios recentes deixam claro que a batalha pela sua imagem pública está longe de acabar.