O Brasil chegou a 103 milhões de pessoas ocupadas em 2025, o maior contingente anual desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012. O avanço do mercado de trabalho também revela uma mudança importante na composição desse grupo: em 13 anos, o número de mulheres trabalhando cresceu 20,5%, em ritmo superior ao registrado entre os homens.
Os dados divulgados na última quarta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 44,8 milhões de mulheres estavam ocupadas em 2025. Eram 7,6 milhões a mais do que em 2012. Entre os homens, o contingente chegou a 58,2 milhões, após crescimento de 11,7%, equivalente a 6,1 milhões de trabalhadores no mesmo período.
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Mulheres avançaram mais no mercado de trabalho
O crescimento da ocupação feminina é um dos principais movimentos revelados pelo levantamento.
Em 2012, havia cerca de 37,2 milhões de mulheres ocupadas no país. Em 2025, esse número chegou a 44,8 milhões, uma expansão de 20,5%.
Com isso, as mulheres representaram 43,5% de todas as pessoas ocupadas no Brasil em 2025. Os homens ainda eram maioria, com 56,5% do total, mas apresentaram crescimento proporcional menor ao longo da série.
Entre eles, o número de ocupados passou de cerca de 52,1 milhões em 2012 para 58,2 milhões em 2025, alta de 11,7%.
- 44,8 milhões de mulheres ocupadas em 2025;
- 43,5% de todas as pessoas ocupadas eram mulheres;
- 7,6 milhões de trabalhadoras foram incorporadas ao contingente desde 2012;
- 20,5% foi o crescimento da ocupação feminina em 13 anos;
- entre os homens, o crescimento no mesmo período foi de 11,7%.
Segundo Jefferson Mariano, analista socioeconômico do IBGE, o avanço da participação feminina está relacionado principalmente à expansão de setores com maior presença de mulheres, como educação e saúde. Para ele, o crescimento do mercado de trabalho nos últimos anos também contribuiu para ampliar a entrada feminina nas ocupações.
“ No caso da administração pública vale o destaque para a participação de mulheres. É um setor no qual a gente tem uma grande presença feminina, especialmente em função das atividades de educação e de saúde, que são setores nos quais a presença feminina é expressiva e aí mostra que a expansão do mercado de trabalho de uma certa forma trouxe um número mais expressivo de mulheres para o mercado.”
A análise do IBGE mostra que o crescimento da ocupação feminina ocorreu junto a uma mudança no perfil do mercado de trabalho brasileiro, com maior participação das mulheres em diferentes áreas da economia.

Depois de dez anos dedicada ao filho, ela decidiu voltar
Por trás dos números nacionais estão histórias de mulheres que retornaram ao mercado de trabalho depois de períodos longe da atividade profissional.
Foi o que aconteceu com a cabeleireira Déborah Karine Santos, de São Paulo. Ela decidiu interromper a carreira após o nascimento do filho para se dedicar à maternidade e à família.
O retorno aconteceu quando o filho completou 10 anos. Mas, desta vez, ela decidiu que não queria apenas voltar a trabalhar: procurava uma profissão que também trouxesse satisfação pessoal.
Quando ele completou 10 anos, eu senti que era o momento de retornar à minha vida profissional, mas eu também queria fazer algo que realmente me trouxesse um prazer, uma realização e eu me sentisse viva de novo na área. Então, foi então que eu decidi investir em uma área que realmente eu sempre admirei muito, que é a área da beleza. Eu fiz um curso de cabeleireira e descobri uma nova paixão e uma nova versão de mim também
A escolha foi pelo setor da beleza, área que ela já admirava. Depois de fazer um curso profissionalizante de cabeleireira, começou a enxergar uma nova possibilidade de carreira.

Curso abriu caminho para uma nova profissão
A transformação foi rápida. Ainda durante o curso, a cabeleireira começou a se destacar. Depois da formação, conseguiu uma oportunidade como assistente em um salão de grande porte em São Paulo.
A experiência, segundo ela, foi decisiva para desenvolver técnicas e ganhar experiência na profissão.
Hoje, trabalha profissionalmente em um salão próximo de casa, na Zona Sul da capital paulista, e diz viver uma fase marcada por aprendizado, crescimento e realização.
“Financeiramente tem sido uma experiência muito positiva. Estou construindo minha carreira, conquistando minhas clientes, meu espaço e vendo esse trabalho crescer.”

Brasil ganhou 13,7 milhões de trabalhadores desde 2012
O avanço das mulheres faz parte de uma expansão mais ampla do mercado de trabalho brasileiro.
Em 2012, primeiro ano da série histórica, o país tinha 89,3 milhões de pessoas ocupadas. Em 2025, eram 103 milhões.
Isso significa que cerca de 13,7 milhões de pessoas foram acrescentadas ao contingente de ocupados ao longo de 13 anos, uma alta de 15,4%.
- 2012: 89,3 milhões de pessoas ocupadas;
- 2025: 103 milhões;
- Crescimento: 15,4%;
- Aumento absoluto: 13,7 milhões de pessoas.
59,1% da população em idade de trabalhar estava ocupada
Outro indicador também alcançou o maior resultado da série histórica.
O nível de ocupação chegou a 59,1% em 2025. Esse indicador mostra qual parcela das pessoas em idade de trabalhar efetivamente estava ocupada.
Em 2024, o percentual era de 58,6%. No início da série, em 2012, estava em 58,1%.
A taxa média anual de desemprego, por sua vez, ficou em 5,6% em 2025, também no menor nível da série iniciada em 2012.
Emprego com carteira também alcançou recorde
O avanço não ocorreu apenas no número total de pessoas trabalhando.
O contingente de empregados do setor privado com carteira assinada chegou a 38,9 milhões em 2025, o maior resultado anual da série. O número foi 2,8% superior ao de 2024.
O dado ajuda a mostrar que parte da expansão ocorreu no mercado formal, embora a informalidade e as diferenças de participação entre grupos continuem sendo pontos importantes para compreender a qualidade das vagas disponíveis.
Trabalho também significou retomada da própria identidade
Na trajetória de Déborah, voltar ao mercado significou mais do que recuperar uma fonte de renda.
A profissional conta que a relação construída com as clientes passou a fazer parte da sensação de realização que procurava quando decidiu recomeçar.
“Ver a satisfação delas é uma das partes mais gratificantes do meu trabalho. A autoestima tem um papel muito importante na vida de cada mulher.”
Para ela, trabalhar com cabelos também significa participar de momentos em que outras mulheres recuperam confiança e passam a se enxergar de uma maneira diferente.
“Muitas vezes é um momento de se olhar com mais carinho, se sentir mais bonita e recuperar confiança. Poder proporcionar isso é muito especial.”
Avanço não elimina diferença entre homens e mulheres
Apesar de o número de mulheres ocupadas ter crescido proporcionalmente mais desde 2012, elas ainda representavam menos da metade da população ocupada em 2025.
Dos 103 milhões de trabalhadores contabilizados pelo IBGE, 44,8 milhões eram mulheres e 58,2 milhões eram homens.
O resultado mostra duas tendências simultâneas: a presença feminina cresceu de forma mais intensa ao longo da série, mas ainda existe diferença na composição do mercado de trabalho.
Dados mais recentes do mercado formal também apontam aumento da presença das mulheres. Em junho de 2026, elas respondiam por 46,6% dos vínculos formais do país, segundo levantamento já publicado pelo NC News.
Uma carreira que ainda está começando
Depois de retornar ao mercado e mudar completamente de área,Déborah agora planeja seguir investindo na formação profissional.
Entre os próximos passos estão novos cursos, aprendizado de técnicas e a ampliação da própria clientela.
“Quero fazer novos cursos, aprender novas técnicas, me atualizar sempre e me tornar uma profissional cada vez mais preparada.”
A história individual não explica, sozinha, as mudanças observadas pelo IBGE. Mas ajuda a mostrar quem está por trás de um dos principais movimentos captados pela pesquisa: milhões de mulheres passaram a integrar o mercado de trabalho ao longo dos últimos 13 anos.
Entenda o levantamento
Os números fazem parte do módulo Características Adicionais do Mercado de Trabalho 2025, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).
A série histórica utilizada pelo IBGE começa em 2012 e permite acompanhar mudanças na ocupação, na posição dos trabalhadores no mercado, na formalização e em diferentes características da população ocupada.
Os dados de 2025 mostram um mercado de trabalho com número recorde de pessoas ocupadas e aumento da presença feminina. Ao mesmo tempo, a composição por sexo indica que os homens ainda representam a maior parte dos trabalhadores do país.