Formalização bate recorde, mas 65% dos empregadores e autônomos ainda trabalham sem CNPJ

Dados divulgados pelo IBGE mostram avanço do registro de negócios no país, mas revelam que a informalidade ainda predomina quando empregadores e trabalhadores por conta própria são considerados em conjunto.
Redação NC News
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A formalização dos negócios avançou no Brasil, mas uma parcela expressiva dos brasileiros que trabalham por conta própria ou como empregadores ainda mantém suas atividades sem registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Dados divulgados nesta quarta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a proporção de trabalhadores por conta própria e empregadores com CNPJ alcançou o maior patamar da série histórica em 2025. Mesmo com o avanço, cerca de 65% desse contingente ainda não possuía CNPJ. O resultado evidencia que o crescimento da formalização convive com um mercado de trabalho no qual milhões de pequenos empreendedores e profissionais autônomos permanecem fora do registro empresarial.
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Trabalhadores por conta própria puxam número de pessoas sem CNPJ

O percentual geral precisa ser analisado com atenção porque reúne dois grupos bastante diferentes: empregadores e trabalhadores por conta própria. Entre os empregadores, ter uma empresa registrada é muito mais comum. Já entre os trabalhadores por conta própria, a parcela sem CNPJ continua elevada e tem peso maior sobre o resultado geral, já que esse grupo é muito mais numeroso. Na prática, estão nesse universo profissionais que trabalham individualmente, prestadores de serviços, comerciantes e outros trabalhadores que desenvolvem atividades econômicas por conta própria.

Formalização vem crescendo no país

Apesar da parcela ainda elevada sem CNPJ, os dados mostram uma trajetória de crescimento da formalização ao longo dos últimos anos. O avanço está relacionado à maior presença de empreendimentos registrados entre os trabalhadores por conta própria e à expansão de modelos simplificados de formalização, como o Microempreendedor Individual (MEI). Ter CNPJ permite ao profissional emitir notas fiscais, facilita a abertura de conta empresarial e pode ampliar o acesso a linhas de crédito e outros serviços destinados a empresas.

Trabalhadores por conta própria são maioria

Uma das razões para o percentual elevado de pessoas sem CNPJ é o tamanho do grupo de trabalhadores por conta própria. Esse contingente é várias vezes maior que o número de empregadores no Brasil. Por isso, mesmo com uma parcela elevada de empresários formalizados, o grande número de autônomos sem registro mantém alta a proporção geral de pessoas que desenvolvem atividades econômicas sem CNPJ.
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Ter CNPJ não significa necessariamente ter funcionários

O registro empresarial também não significa, necessariamente, que o trabalhador tenha empregados ou mantenha uma estrutura empresarial tradicional. Um profissional que trabalha sozinho pode possuir CNPJ e continuar sendo classificado como trabalhador por conta própria. É o caso de muitos microempreendedores individuais e prestadores de serviços formalizados. Da mesma maneira, a abertura de um CNPJ não deve ser confundida automaticamente com a criação de um novo emprego. Muitos pequenos negócios são formados apenas pelo próprio titular.

Brasil abriu milhões de pequenos negócios em 2026

O avanço observado pelo IBGE também ocorre em um período de forte abertura de empresas. Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil registrou 3,6 milhões de novos negócios. Desse total, 3,4 milhões eram microempreendedores individuais, microempresas ou empresas de pequeno porte. Os MEIs concentraram a maior parcela das novas formalizações entre os pequenos negócios, reforçando o papel do regime como uma das principais portas de entrada para quem decide obter um CNPJ.

Informalidade continua sendo desafio

Mesmo com a expansão da formalização, o número de trabalhadores sem CNPJ mostra que a informalidade empresarial permanece disseminada no país. Custos, características da atividade exercida, rendimento, burocracia e desconhecimento sobre os regimes disponíveis podem influenciar a decisão de formalizar ou não um negócio. Os números do IBGE ajudam a mostrar que crescimento na abertura de empresas e redução da informalidade são fenômenos relacionados, mas não equivalentes. Um país pode registrar milhões de novos CNPJs e, ao mesmo tempo, manter uma grande população trabalhando informalmente.

Entenda O Contexto

O IBGE considera trabalhadores por conta própria aqueles que exploram o próprio empreendimento, sozinhos ou com sócios, sem possuir empregados. Já os empregadores também exploram o próprio negócio, mas contam com pelo menos um empregado. A existência de CNPJ é um dos indicadores utilizados para analisar o grau de formalização dessas atividades econômicas. O novo levantamento mostra que o país atingiu um recorde de formalização em 2025, mas o avanço ainda não alcançou a maior parte do conjunto formado por trabalhadores por conta própria e empregadores.
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