Lavanderias self-service se espalham por São Paulo e mercado cresce mais de 400% em quatro anos

Estado já concentra cerca de 2 mil unidades de autoatendimento, impulsionadas por apartamentos menores, rotina mais corrida e busca por praticidade
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Quem vive em grandes cidades brasileiras provavelmente já percebeu a mudança: lavanderias de autoatendimento, antes pouco comuns fora de regiões específicas, passaram a ocupar espaços em bairros residenciais, centros comerciais e condomínios.

São Paulo está no centro dessa expansão. O estado saiu de menos de 400 estabelecimentos em 2022 para aproximadamente 2 mil atualmente, segundo levantamento da Associação Nacional das Empresas de Lavanderia (Anel) feito a pedido do g1.

O crescimento paulista acompanha uma transformação nacional ainda mais ampla. O Brasil tinha cerca de 1,5 mil unidades de lavanderias em 2022, considerando estabelecimentos compartilhados em condomínios e aqueles abertos ao público. Até 15 de setembro de 2026, o número havia chegado a 8 mil, alta superior a 430%.

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Por que as lavanderias viraram tendência

A expansão não está relacionada apenas à abertura de novos negócios. Mudanças no perfil das cidades e dos consumidores ajudaram a criar demanda para um serviço que terceiriza uma tarefa doméstica.

Apartamentos menores, menos espaço para máquinas e varais e uma rotina com menos tempo disponível estão entre os fatores apontados para o avanço do modelo.

O próprio mercado também mudou. As lavanderias deixaram de depender exclusivamente de estabelecimentos tradicionais e passaram a incorporar modelos de franquia, máquinas automatizadas e sistemas de pagamento que permitem ao cliente realizar todo o processo sem a necessidade de um funcionário acompanhando a lavagem.

A praticidade ajudou o serviço a conquistar consumidores das classes B e C.

O modelo de autosserviço começou a ganhar espaço no Brasil depois de experiências internacionais e teve expansão inicial no Rio de Janeiro antes de avançar para outros grandes centros, especialmente São Paulo.

Lavanderias self-service tem explosão de mercado em SP | Foto: Reprodução

São Paulo concentra um quarto das unidades

Com cerca de 2 mil estabelecimentos, São Paulo responde por aproximadamente 25% das lavanderias existentes no país.

O crescimento também aparece nos dados de movimentação econômica da capital. Empresas do segmento emitiram R$ 468,69 milhões em notas fiscais na cidade em 2024, segundo dados da Secretaria Municipal da Fazenda. Até agosto de 2026, o valor acumulado chegava a R$ 336,13 milhões.

A expansão ocorre em diferentes formatos, desde pequenos estabelecimentos de bairro até operações vinculadas a grandes redes de franquias.

Setor de franquias também acelera

A expansão das lavanderias acompanha o desempenho mais amplo do segmento de serviços de limpeza e conservação.

Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), esse foi o segmento que mais cresceu no segundo trimestre de 2026 entre os setores de franquias analisados, com alta nominal de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O faturamento chegou a quase R$ 685 milhões entre abril e junho.

Para a entidade, o crescimento das lavanderias expressas e de autosserviço está relacionado à redução do tempo disponível para tarefas domésticas, ao mercado de trabalho aquecido e às mudanças no perfil das moradias urbanas.

A lógica é simples: em vez de dedicar tempo e espaço em casa à lavagem e secagem de roupas, parte dos consumidores prefere pagar pelo serviço e transformar a tarefa em uma atividade mais rápida.

Algumas buscam se destacar fornecendo experiências no atendimento | Foto: Reprodução

Quanto custa abrir uma lavanderia?

O crescimento do setor também despertou o interesse de empreendedores.

De acordo com dados citados na reportagem, o investimento inicial para abrir uma lavanderia pode variar de aproximadamente R$ 70 mil a R$ 400 mil, dependendo do modelo escolhido, do tamanho da operação e da rede de franquia.

A Associação Brasileira de Lavanderias (Abralav) estima prazo médio de retorno entre 12 e 48 meses, com possibilidade de lucratividade de até 60%. Esses números, porém, não representam garantia de retorno para novos estabelecimentos.

A localização é um dos principais fatores.

O presidente da Anel, Othon Barcellos, alerta que regiões de São Paulo como Moema, Itaim Bibi, Higienópolis e Tatuapé já apresentam concentração elevada de lavanderias. Isso significa que o crescimento do setor não elimina a necessidade de avaliar concorrência, demanda local e custos de operação.

O faturamento também pode variar de acordo com a época do ano, quantidade de máquinas, localização e qualidade do serviço.

Mercado movimentou bilhões

O mercado brasileiro de lavanderias movimentou R$ 6,2 bilhões em 2023, segundo dados da Abralav citados na reportagem.

Desde 2020, o crescimento médio anual do setor foi de 4,8%, de acordo com a associação.

Dentro do universo de franquias, entretanto, as operações de autosserviço vêm apresentando expansão mais acelerada.

Uma das redes citadas no levantamento registrou crescimento de 78% no primeiro semestre de 2026. Outra rede, de origem francesa, faturou R$ 330 milhões no Brasil em 2025 e avançou 12,4% no primeiro semestre deste ano.

A tendência deve continuar?

A Anel estima que o Brasil poderá chegar a cerca de 10 mil lavanderias até 2030. Para 2050, a projeção apresentada pela entidade é de aproximadamente 30 mil unidades.

A expansão dependerá, porém, da capacidade de o modelo continuar encontrando espaço nas cidades.

O aumento das moradias compactas e a valorização do tempo tendem a favorecer serviços que substituem tarefas domésticas. Ao mesmo tempo, a concentração de estabelecimentos em determinadas regiões pode aumentar a competição e reduzir o espaço para novas unidades.

Por isso, o crescimento observado nos últimos quatro anos não significa que qualquer ponto comercial tenha demanda suficiente para sustentar uma lavanderia.

O fenômeno mostra, principalmente, uma mudança na forma como parte dos consumidores urbanos lida com uma tarefa cotidiana: lavar e secar roupas deixou de ser necessariamente uma atividade feita dentro de casa e passou a ser, para um número crescente de pessoas, um serviço que pode ser comprado por uso.

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