As notificações são analisadas para verificar uma possível relação com a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noiana), condição rara que compromete o fluxo sanguíneo do nervo óptico e pode deixar sequelas permanentes na visão.
Os registros incluem cinco notificações envolvendo Ozempic, três com Wegovy, duas com Wegovy FlexTouch, duas com Rybelsus e uma com Mounjaro. Uma notificação de evento adverso, porém, não significa que o medicamento tenha sido comprovadamente responsável pelo problema relatado.
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O que a Anvisa está investigando
A Noiana pode provocar perda súbita e permanente da visão. A investigação busca esclarecer se há relação entre os casos notificados e os medicamentos utilizados pelos pacientes ou se outros fatores podem explicar os problemas apresentados.
A própria Anvisa já havia incluído a perda rara de visão associada à semaglutida entre os riscos acompanhados pela farmacovigilância. A Agência mantém o monitoramento dos agonistas do receptor GLP-1 diante do crescimento do uso desses medicamentos no Brasil.
Até o momento, os dados disponíveis não estabelecem uma relação causal entre todas as notificações investigadas e o uso das canetas. Especialistas também não indicam a suspensão generalizada dos medicamentos enquanto a análise está em andamento.
Painel registra outras queixas relacionadas à visão
Além das 13 notificações investigadas em relação à Noiana, o painel de farmacovigilância reúne 74 registros de outras complicações visuais relatadas por usuários desses medicamentos.
São 22 registros associados ao Rybelsus, 19 ao Wegovy, 17 ao Mounjaro e 16 ao Ozempic. Esses números também representam notificações de suspeitas de eventos adversos e, isoladamente, não comprovam que os medicamentos tenham causado os sintomas.
A queixa mais frequente é visão turva, com 37 registros. O comprometimento visual aparece em 29 relatos. Também há notificações de redução da acuidade visual, perda da visão central, perda súbita da visão e alterações no campo visual.
Uma mesma notificação pode reunir mais de um sintoma. Por isso, a quantidade de registros de manifestações visuais não corresponde necessariamente ao número de pacientes envolvidos.
Fabricantes acompanham dados de segurança
A Novo Nordisk, fabricante de medicamentos à base de semaglutida, informou que uma análise de seus ensaios clínicos não identificou aumento de casos da doença e afirmou que o balanço entre benefícios e riscos dos produtos permanece favorável.
A Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro, informou que monitora continuamente os dados de segurança de seus medicamentos, incluindo possíveis ocorrências oftalmológicas.
Anvisa reforça acompanhamento no uso das canetas
Os agonistas do receptor GLP-1 são utilizados no tratamento de condições como diabetes e obesidade, conforme a indicação aprovada para cada medicamento. A Anvisa orienta que esses produtos sejam utilizados de acordo com a bula, mediante prescrição e acompanhamento de profissional habilitado.
O monitoramento dos efeitos adversos faz parte da farmacovigilância e permite identificar sinais que precisam de investigação adicional. Em registros desse tipo, a existência de uma notificação representa uma suspeita e não a confirmação automática de que o medicamento provocou determinado problema de saúde.