Clubes de futebol e federações foram convocados para uma reunião com integrantes do governo federal nesta terça-feira (29), em Brasília, após a proibição das bets no Brasil. O encontro deve reunir representantes das quatro divisões do Campeonato Brasileiro e terá como foco os efeitos financeiros provocados pelo fim das operações e da publicidade das casas de apostas no país.
A reunião é conduzida pelos ministérios do Esporte e da Fazenda e ocorre em meio à preocupação dos clubes com a perda de contratos de patrocínio. A discussão também envolve alternativas para a situação financeira das equipes, incluindo uma proposta de linha de crédito que já vinha sendo negociada antes da decisão sobre as apostas.
O encontro foi marcado para as 15h e terá participação de representantes das Séries A e B, das federações estaduais e da CBF. Segundo informações divulgadas pelo UOL, o convite enviado pelo Ministério do Esporte estabelece como tema central o fortalecimento dos clubes e do futebol brasileiro.
LEIA TAMBÉM
Governo acelera plano de até R$ 20 bilhões para ajudar clubes após possível fim das bets
Governo quer medir impacto do fim das bets sobre o futebol
A reunião acontece poucos dias depois da entrada em vigor da medida que determinou o fim das operações e da publicidade das apostas de quota fixa no mercado brasileiro. Para os clubes, uma das principais consequências está na necessidade de substituir receitas que estavam previstas em contratos comerciais com empresas do setor.
As casas de apostas se tornaram uma presença importante nas camisas, placas, propriedades comerciais e ações de marketing das equipes brasileiras. Antes da mudança, clubes e entidades do futebol já haviam manifestado preocupação com a possibilidade de interrupção desses contratos e defendido uma transição para reorganizar os acordos existentes.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou anteriormente que o governo queria ouvir clubes e federações para dimensionar o impacto da mudança. A intenção é reunir informações sobre a dependência das equipes em relação às receitas provenientes das bets antes de avaliar novas medidas.
Patrocínios são um dos principais pontos de preocupação
A preocupação dos dirigentes está diretamente ligada ao peso que as empresas de apostas passaram a ter no financiamento comercial do futebol. Segundo estimativas citadas pelo ge e pelo UOL, os patrocínios das bets representam cerca de R$ 1 bilhão por ano apenas para clubes da Série A.
O valor não representa uma transferência única nem significa que todos os clubes tenham a mesma exposição. A distribuição varia de acordo com os contratos, posições nas camisas, propriedades comerciais e acordos firmados individualmente pelas equipes.
Com o fim das operações, os clubes precisam encontrar novos parceiros ou reorganizar seus planejamentos financeiros para absorver a perda dessas receitas. O tema ganha peso principalmente entre equipes que já haviam estruturado orçamentos considerando contratos de patrocínio de médio ou longo prazo.
Reunião também envolve plano de crédito para clubes
Além dos patrocínios, a situação financeira dos clubes está no centro das negociações. Uma proposta discutida pelo governo prevê uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões para clubes e Sociedades Anônimas do Futebol, as SAFs.
O programa, que já vinha sendo negociado antes da decisão sobre as bets, tem como objetivo permitir que as equipes substituam dívidas mais caras por financiamentos com condições mais favoráveis. A proposta está associada ao BNDES e ainda não representa uma liberação definitiva dos recursos.
O desenho discutido prevê prazo de até 20 anos para pagamento, com possibilidade de dois anos de carência. Os recursos poderiam ser direcionados para determinadas obrigações financeiras e investimentos em infraestrutura das categorias de base, mas não para despesas correntes, contratações de jogadores ou distribuição de lucros.
Crédito não significa perdão das dívidas
Um ponto importante da proposta é que o eventual programa não funcionaria como perdão das dívidas dos clubes. O modelo em discussão é de financiamento: as equipes continuariam responsáveis pelo pagamento dos valores contratados, mas poderiam trocar passivos mais caros por uma estrutura de prazo mais longo.
O desenho também prevê mecanismos de controle sobre a utilização dos recursos. Caso o dinheiro seja empregado fora das finalidades autorizadas ou o clube deixe de cumprir as condições do financiamento, poderão existir consequências previstas no programa.
Ainda não estão definidos todos os critérios de acesso, o montante efetivamente disponibilizado para cada equipe nem o formato final da operação. Essas questões fazem parte das negociações entre governo, clubes e entidades do futebol.
CBF e federações participam das articulações
A Confederação Brasileira de Futebol participa das conversas como articuladora, enquanto as federações estaduais também foram incluídas no encontro desta terça-feira. A participação amplia a discussão para além dos principais clubes da Série A e coloca na mesa representantes de diferentes níveis do futebol nacional.
O objetivo é avaliar como a mudança nas regras das apostas pode atingir equipes com estruturas financeiras diferentes. A perda de patrocínios tende a ter impactos distintos conforme o tamanho dos contratos e o grau de dependência comercial de cada clube.
As conversas sobre o programa de reestruturação financeira, por sua vez, já aconteciam havia meses. A CBF participa das articulações, mas o pedido por alternativas para o endividamento partiu dos próprios clubes, segundo informações divulgadas pelo ge.
Fim das bets muda contratos e publicidade no futebol
A mudança não afeta apenas o dinheiro recebido diretamente pelos clubes. A proibição também altera a presença das marcas de apostas em propriedades comerciais do futebol, como camisas, placas e campanhas publicitárias.
Com isso, as equipes precisam revisar contratos e espaços comerciais que estavam associados às empresas do setor. O governo estabeleceu um cronograma para o encerramento das atividades e para a retirada das marcas relacionadas às apostas.
Segundo o cronograma divulgado após a medida, os sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar a partir de 6 de outubro. Antes disso, os usuários terão prazo para retirar valores das contas, enquanto instituições financeiras participarão das etapas seguintes de devolução dos saldos remanescentes.
Clubes já haviam reagido à possibilidade de proibição
Antes da decisão do governo, clubes e federações já haviam se mobilizado contra mudanças que pudessem inviabilizar o mercado regulado de apostas. Em manifesto divulgado em setembro, equipes de diferentes estados defenderam a manutenção do setor regulamentado e alertaram para o impacto financeiro que a retirada das empresas poderia provocar no futebol.
O posicionamento dos clubes fazia parte de