Ausência em debate, festas com prostitutas e crise com santa: as polêmicas que podem definir a eleição entre Lula e Flávio

Possível ausência de Lula no último debate da Globo e denúncias contra Flávio Bolsonaro criam semana decisiva numa disputa que caminha para ser resolvida pelos indecisos
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A eleição presidencial de 2026 entrou na fase em que qualquer erro vale mais do que dezenas de acertos. Com Lula (PT) e Flávio Bolsonaro tecnicamente separados por poucos pontos nas pesquisas mais recentes de segundo turno, a reta final deixou de ser uma disputa de propostas e virou uma guerra de percepções. Quem parecer mais forte, mais confiável e menos vulnerável pode levar vantagem na reta de chegada.

Duas situações — uma sinalizada pela própria campanha, outra imposta pelas circunstâncias — podem pesar diretamente no voto de quem ainda não decidiu. De um lado, a crescente sinalização de que Lula pode faltar ao último grande debate da TV Globo. Do outro, a explosão de denúncias sobre a vida privada de Flávio Bolsonaro somada a um conflito político-religioso que atingiu em cheio o eleitorado católico.

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Entenda o cenário

Dentro da campanha petista, a avaliação sobre o debate é prático. A exposição de Lula em um confronto nacional, cercado de ataques de todos os lados, pode gerar cortes virais negativos nas redes — risco ampliado numa eleição cada vez mais disputada no ambiente digital.

Mas a ausência tem um custo simbólico. Ela pode reforçar a narrativa que adversários tentam construir há meses — a de que Lula estaria evitando o confronto direto. Debates raramente decidem eleições sozinhos, mas costumam cristalizar percepções já existentes.

Se Lula faltar, Flávio terá praticamente uma noite inteira para ocupar sozinho o noticiário político e reforçar temas centrais de sua campanha, como as críticas ao STF, à economia e ao desgaste do governo.

O efeito da idade

Há ainda uma preocupação adicional: aos 80 anos, Lula enfrenta comparações inevitáveis com versões anteriores de si mesmo e com Flávio, que é muito mais jovem. Assessores admitem que uma voz mais rouca e fraca ou qualquer sinal de fragilidade física poderia ser amplificado por adversários. O cálculo, portanto, é de que o risco de comparecer é  maior do que o risco de faltar.

Os escândalos ao redor de Flávio

Enquanto Lula administra o risco da ausência, Flávio enfrenta um problema de outra natureza. Reportagem do PlatôBR traz relatos e registros atribuídos a Alexandre Santini, ex-sócio e antigo amigo do senador.

Segundo a publicação, Santini afirma ter mensagens, fotos e outros registros relacionados a encontros privados que envolveriam Flávio Bolsonaro e garotas de programa. A campanha do candidato foi procurada pelo NC News, mas não respondeu, e o caso segue no centro do debate público, sem confirmação independente até o momento.

O episódio ganha peso adicional pelo contraste: atinge um candidato cuja base política se apoia fortemente em discurso de valores familiares e religiosos — o que abre espaço para adversários explorarem a contradição entre o discurso público e as denúncias, independentemente do desfecho que a apuração vier a ter.

A guerra religiosa que ninguém previa

Nos últimos dias, a campanha de Flávio foi atravessada por uma polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, a CNBB e declarações religiosas que extrapolaram as fronteiras tradicionais do debate eleitoral.

Não há evidências de que Flávio pretenda retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, mas a polêmica ganhou vida própria nas redes sociais e abriu uma disputa simbólica relevante.

A reação do candidato incluiu críticas à CNBB e a setores da Igreja Católica — movimento que parte dos analistas interpreta como tentativa de consolidar o eleitorado religioso já alinhado ao bolsonarismo. Outros avaliam que a postura pode dificultar o diálogo com católicos moderados ou ainda indecisos, justamente o público que tende a decidir a eleição.

Entenda o contexto

A eleição dificilmente será decidida entre evangélicos fortemente bolsonaristas ou petistas históricos — esses grupos já fizeram suas escolhas. O jogo está nos eleitores que transitam entre conservadorismo moral, identidade católica e preocupações econômicas: um segmento menos ideológico, mais pragmático e potencialmente decisivo para o resultado do primeiro turno.

Lula tenta evitar uma armadilha televisiva que pode expor fragilidades. Flávio tenta impedir que escândalos pessoais e conflitos religiosos afastem eleitores que ainda precisa conquistar. Cada um carrega um risco diferente nos últimos dias de campanha: um corre o risco de parecer ausente; o outro, de parecer excessivamente vulnerável.

Numa disputa com margem mínima, não costumam ser os grandes eventos que decidem uma eleição — são os detalhes: um debate vazio, uma manchete inesperada, uma dúvida de última hora.

 

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