As chamadas canetas emagrecedoras podem ser incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) com uma redução de 80% a 90% no preço de aquisição dos medicamentos, segundo estimativa do Ministério da Saúde. A pasta calcula que seriam necessários cerca de R$ 1,5 bilhão por ano para oferecer o tratamento gratuitamente a pacientes que se enquadrem nos critérios que ainda serão definidos.
Apesar do anúncio, os medicamentos ainda não estão disponíveis gratuitamente de forma ampla pelo SUS. O Ministério da Saúde protocolou na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) um pedido para avaliar a inclusão de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida no tratamento da obesidade.
O desconto projetado de até 90% não significa que o consumidor encontrará necessariamente as canetas com essa redução nas farmácias. A estimativa se refere ao preço que poderá ser obtido pelo governo em compras de grande escala para abastecer o SUS, considerando também o aumento da concorrência e a produção nacional.
“Canetas emagrecedoras” no SUS: saiba o que falta para o tratamento chegar à rede pública
Governo estima gasto de R$ 1,5 bilhão por ano
Segundo o Ministério da Saúde, a maior concorrência entre fabricantes abriu espaço para uma redução significativa dos preços. A pasta afirma que os valores encontrados nas farmácias já caíram cerca de 70% em menos de um ano.
O governo calcula que a escala de compras do SUS, combinada à produção nacional, poderá ampliar essa redução e permitir a aquisição dos medicamentos por valores entre 80% e 90% menores.
“Na farmácia, o preço já está 70% mais barato. Quando você pensa na escala de compras do SUS, com produção local, isso nos traz a possibilidade de uma redução de 80% a 90% do preço.”
A declaração é do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo ele, a projeção atual é de aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano para uma eventual incorporação dos medicamentos ao sistema público.
Canetas ainda passam por avaliação
O Ministério da Saúde formalizou em 24 de setembro o pedido para que a Conitec avalie a incorporação de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida ao SUS.
O protocolo não significa que a distribuição já esteja autorizada. A comissão deverá analisar evidências sobre eficácia, segurança e efetividade dos medicamentos, além do impacto econômico para o sistema público.
Caso a incorporação seja aprovada, o Ministério da Saúde ainda terá de estabelecer os critérios clínicos que determinarão quais pacientes poderão receber o tratamento.
A intenção anunciada pela pasta é direcionar a terapia a pessoas com obesidade para as quais o tratamento possa trazer benefícios relevantes à saúde, especialmente em situações associadas a complicações ou à necessidade de procedimentos de maior complexidade.
Concorrência aumentou no mercado brasileiro
O Ministério da Saúde atribui parte da redução dos preços à entrada de novos fabricantes no mercado e ao incentivo à produção nacional.
A pasta e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vêm adotando medidas desde 2025 para estimular registros de novos produtos. Segundo o governo, dezenas de apresentações de medicamentos dessa classe já estão registradas no país, incluindo genéricos, similares e versões fabricadas no Brasil.
O número de pessoas que utilizam medicamentos agonistas do receptor GLP-1 também cresceu. Dados divulgados pelo Ministério apontam que o total de usuários passou de aproximadamente 400 mil para mais de 750 mil por mês.
Quem poderá receber pelo SUS?
Ainda não existe uma lista definitiva de pacientes que terão direito às canetas caso a incorporação seja aprovada.
O Ministério da Saúde realiza estudos para avaliar a utilização desses medicamentos em pessoas atendidas pelo SUS. Uma das pesquisas acompanha pacientes com obesidade e analisa, entre outros pontos, se o tratamento pode reduzir complicações e a necessidade de cirurgia bariátrica em determinados casos.
A pasta ressalta que a eventual oferta não será voltada ao emagrecimento exclusivamente por finalidade estética. O tratamento deverá depender de indicação médica e fazer parte de uma estratégia de cuidado contra a obesidade, associada a medidas como alimentação adequada e atividade física.
Próximos passos
A proposta segue em avaliação pela Conitec. Portanto, ainda não há uma data definida para o início da distribuição ampla das canetas emagrecedoras pelo SUS.
Se a incorporação for aprovada, deverão ser definidos os medicamentos disponibilizados, os grupos de pacientes atendidos, os protocolos de acompanhamento e a estratégia de aquisição e distribuição na rede pública.