TJSP rejeita pedido de Willer Tomaz para bloquear R$ 145 milhões da Blaze

Advogado queria preservar patrimônio da empresa para garantir eventual ressarcimento de perdas em apostas; Justiça considerou insuficientes os argumentos apresentados
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A Justiça de São Paulo rejeitou nesta terça-feira (29) o pedido do advogado Willer Tomaz para bloquear até R$ 145 milhões em bens e ativos da Foggo Entertainment, empresa responsável pela operação da Blaze no Brasil. O pedido fazia parte de uma ação em que Tomaz busca recuperar valores que afirma ter perdido em apostas na plataforma.

A defesa havia solicitado o bloqueio preventivo do patrimônio da empresa sob o argumento de que a proibição das bets poderia provocar uma redução ou transferência de ativos e dificultar um eventual ressarcimento caso a ação fosse julgada favoravelmente ao advogado. O juiz Guilherme Madeira Dezem, da 44ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, rejeitou a solicitação.

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Willer Tomaz tenta recuperar perdas em apostas

A ação principal foi apresentada por Tomaz para cobrar da Blaze cerca de R$ 163 milhões que afirma ter perdido em apostas online, além de indenização por danos morais. A defesa sustenta que a plataforma não teria adotado medidas adequadas de jogo responsável diante do comportamento de apostas do advogado.

Documentos apresentados no processo apontam que Tomaz realizou milhares de apostas e movimentou valores bilionários na plataforma. Segundo os dados anexados aos autos, entre janeiro de 2025 e julho de 2026 foram realizados 53.310 jogos, que somaram cerca de R$ 6,6 bilhões em apostas.

Pedido de bloqueio ocorreu após MP contra as bets

O pedido de bloqueio foi apresentado no sábado (26), um dia depois de o governo federal publicar a medida provisória que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no país.

A defesa argumentou que a mudança no funcionamento do mercado poderia afetar o patrimônio da empresa e, por isso, pediu que os valores fossem preservados judicialmente enquanto a ação principal não fosse julgada.

Na decisão, o magistrado considerou que o bloqueio preventivo de bens é uma medida excepcional e que os argumentos apresentados pela defesa não demonstravam, naquele momento, risco concreto de insolvência ou fraude que justificasse a indisponibilidade do patrimônio.

Justiça também retirou sigilo do processo

Além de rejeitar o bloqueio, a Justiça determinou a retirada do sigilo dos autos. O entendimento foi de que a publicidade dos processos é a regra e que não havia justificativa para manter a ação integralmente sob segredo.

A decisão não encerra o processo principal nem representa uma conclusão sobre o pedido de ressarcimento apresentado por Tomaz. A discussão sobre as perdas alegadas e a responsabilidade da plataforma continuará sendo analisada no processo.

Blaze contesta acusações

A Blaze contesta a versão apresentada pela defesa de Tomaz. A empresa afirma que só teve conhecimento formal do diagnóstico de ludopatia apresentado no processo quando foi citada judicialmente e sustenta que ofereceu mecanismos de limite de depósitos e autoexclusão ao advogado em momentos anteriores.

A defesa de Tomaz, por sua vez, sustenta que ele teria pedido o bloqueio de sua conta e continuado a receber incentivos para apostar. As alegações ainda são discutidas judicialmente.

Próximos passos

Com a negativa do bloqueio, o processo principal continua em tramitação na Justiça paulista. O pedido de ressarcimento das perdas e a eventual responsabilidade da plataforma ainda não foram julgados definitivamente.

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