Foto mostra tabelião com Flávio Bolsonaro em mansão de R$ 6 milhões após levar escritura para assinatura

Registro de janeiro de 2021 divulgado nesta quinta-feira mostra Allan Guerra ao lado do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, de Flávio e de Fernanda Bolsonaro; tabelião já havia sido alvo de questionamentos pela forma como tratou dados da escritura do imóvel
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Uma foto até então inédita relacionada à compra da mansão de Flávio Bolsonaro (PL) em Brasília começou a circular nesta quinta-feira (1º). A imagem, revelada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, mostra o atual candidato à Presidência ao lado da mulher, Fernanda Bolsonaro, do tabelião Allan Guerra e de Paulo Henrique Costa, que presidia o Banco de Brasília (BRB) na época da negociação.

O registro foi feito no fim de janeiro de 2021, período em que Flávio e Fernanda compraram o imóvel localizado no Lago Sul. Segundo a publicação, Allan Guerra teria ido pessoalmente à residência para levar a escritura de compra e venda para que Flávio assinasse o documento.

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Mansão foi comprada com financiamento do BRB

A residência foi adquirida em 2021 por R$ 5,97 milhões. Flávio Bolsonaro e Fernanda declararam na escritura o pagamento de R$ 2,87 milhões com recursos próprios, enquanto outros R$ 3,1 milhões foram financiados pelo BRB.

O financiamento foi contratado por um prazo de 30 anos. Na época, Paulo Henrique Costa ocupava a presidência da instituição financeira.

O imóvel fica no Lago Sul, área nobre de Brasília, e possui aproximadamente 1.100 metros quadrados de área construída em um terreno de 2.400 metros quadrados. A residência conta com quatro suítes e piscina.

Na declaração de bens apresentada por Flávio à Justiça Eleitoral para as Eleições 2026, a casa aparece avaliada em R$ 6,22 milhões e representa a maior parcela dos R$ 8,18 milhões em patrimônio informados pelo candidato.

Tabelião foi pessoalmente à mansão, diz publicação

Allan Guerra é titular do 4º Ofício de Notas, Protesto de Títulos, Registro Civil, Títulos e Documentos e Pessoas Jurídicas de Brazlândia, no Distrito Federal.

De acordo com a publicação de O Globo, foi ele quem levou pessoalmente a escritura da negociação até a mansão para a assinatura de Flávio.

A fotografia divulgada agora mostra Allan, Paulo Henrique Costa, Flávio e Fernanda juntos dentro da residência, que ainda aparecia parcialmente vazia no período da compra.

A presença do tabelião no imóvel para colher a assinatura não indica, por si só, irregularidade na negociação.

Cartório já havia sido questionado por escritura

O 4º Ofício de Notas de Brazlândia já havia entrado no noticiário em 2021 por causa da mesma transação imobiliária.

Naquele ano, uma cópia da escritura fornecida pelo cartório apresentava trechos cobertos por tarjas pretas. Entre as informações omitidas estavam números de documentos pessoais e dados sobre a renda de Flávio e Fernanda.

Especialistas ouvidos na época pelo Estadão questionaram o procedimento e afirmaram que a legislação referente à atividade cartorial não previa sigilo para uma escritura pública nos moldes adotados naquele caso.

Allan Guerra afirmou à época que tomou a decisão para preservar dados pessoais do casal e negou qualquer motivação política.

“Zero de motivação política, nenhuma. Quem decidiu colocar a tarja fui eu.”

A situação chegou a ser encaminhada para apuração pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. O então deputado federal Ivan Valente também acionou a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça para questionar a conduta do tabelião.

Compra da casa voltou ao debate eleitoral

A mansão voltou a ganhar atenção durante a campanha presidencial de 2026 por representar a maior parte do patrimônio declarado por Flávio Bolsonaro à Justiça Eleitoral.

O candidato informou R$ 8,18 milhões em patrimônio no registro de sua candidatura. Em 2018, quando concorreu ao Senado, havia declarado R$ 1,74 milhão.

A casa foi declarada em 2026 pelo valor de R$ 6,22 milhões.

A declaração patrimonial apresentada à Justiça Eleitoral registra os bens e valores informados pelo próprio candidato e, isoladamente, não permite estabelecer a origem de eventuais variações patrimoniais.

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