O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) explicou, na noite desta quinta-feira (1º), por que decidiu não participar do último debate presidencial da TV Globo antes do primeiro turno das Eleições 2026. Durante entrevista ao Flow Podcast, o candidato à reeleição afirmou que não gosta do formato adotado nos confrontos com vários presidenciáveis e considera que esse modelo não permite uma discussão aprofundada sobre o país.
Lula participa do podcast ao vivo na noite desta quinta (1º), justamente no período em que estava prevista a realização do debate da Globo. A entrevista havia sido confirmada antes do cancelamento do encontro pela emissora. A campanha do presidente já havia comunicado oficialmente que ele não compareceria ao debate.
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Questionado no Flow sobre o motivo de estar no podcast e não no debate, Lula respondeu inicialmente em tom descontraído.
“Porque eu gosto mais de você do que da Globo.”
Na sequência, o presidente apresentou sua justificativa e afirmou que questiona há algum tempo o modelo de debates realizado pela emissora.
Lula recordou participações em disputas presidenciais anteriores e citou os debates de 1989 e 2002. Também mencionou as eleições de 1994 e 1998, anos em que, segundo ele, não houve debate presidencial promovido pela Globo.
Ao falar sobre 1994, Lula afirmou que a emissora não realizou o encontro porque “defendia a eleição” de Fernando Henrique Cardoso e não queria expô-lo. A declaração é uma acusação feita pelo presidente durante a entrevista.
Presidente critica formato com vários candidatos
Para Lula, o principal problema está na dinâmica dos encontros com muitos participantes. O presidente argumentou que os intervalos entre as falas impedem que um candidato desenvolva uma linha de raciocínio contínua.
“Quando você tem cinco ou seis candidatos, você fala um minuto e espera dez minutos. Fala dois minutos e espera dez minutos. Não tem sequência.”
Lula comparou o formato a um jogador que dá um pique e depois volta para descansar. Segundo ele, um debate deveria permitir uma discussão mais contínua entre os participantes.
“Eu, sinceramente, acho que esses debates estão infrutíferos. Não produzem nada. Não dão sequência.”
Lula critica busca por “lacração” nos debates
O presidente também disse considerar que parte dos confrontos acaba concentrada em frases de efeito, piadas e momentos pensados para repercutir fora do programa.
Na avaliação apresentada por Lula, uma disputa pela Presidência deveria privilegiar discussões sobre questões nacionais.
“Quando você está numa disputa para presidente da República, é uma coisa mais séria. Você está discutindo o país, está discutindo o povo brasileiro, a soberania brasileira.”
Em outro momento, Lula criticou o que chamou de tentativa de “lacrar” durante os confrontos.
“Você não está discutindo merreca, quem é mais engraçado, quem vai lacrar mais naquela piadinha. Não é assim que faz.”
Lula diz preferir outro modelo de debate
Durante a entrevista, Lula afirmou que preferiria um formato no qual todos os candidatos respondessem às mesmas perguntas, permitindo ao eleitor comparar diretamente as posições apresentadas por cada concorrente.
“Eu preferia que fosse feito um debate em que uma televisão ou você mesmo fizesse a mesma pergunta para vários candidatos.”
A declaração detalha publicamente a avaliação pessoal de Lula sobre o modelo de debate, apontada anteriormente por integrantes de sua campanha como um dos fatores considerados na decisão de não comparecer à Globo. Antes da entrevista, veículos já haviam relatado que o presidente avaliava que o formato dos debates havia se esgotado.
Entrevista aconteceu após Globo cancelar debate
A participação de Lula no Flow estava prevista para começar às 20h45, enquanto o debate da Globo havia sido marcado para as 21h30. A decisão do presidente de não comparecer ao confronto, portanto, foi tomada antes de a emissora cancelar o programa.
Horas antes da transmissão, o cenário do debate sofreu uma série de mudanças. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impediu a Globo de manter identificado o espaço reservado a Lula e de aplicar a dinâmica de perguntas direcionadas ao candidato ausente. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também determinou a participação de Renan Santos (Missão).
Flávio Bolsonaro (PL), que estava confirmado, anunciou posteriormente que não compareceria e relacionou a decisão à determinação do TSE.
Diante das alterações, a Globo cancelou o encontro. Em nota, a emissora afirmou que as decisões judiciais tomadas pouco antes do programa provocaram, na avaliação da empresa, “insegurança jurídica” e representaram uma “interferência indevida” na liberdade dos veículos de imprensa para organizar debates eleitorais.
Com o cancelamento, Lula permaneceu no Flow News e utilizou a entrevista para explicar diretamente os motivos que o levaram a escolher o podcast em vez do último debate televisivo antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).