Celebrado nesta quinta-feira, 1º de outubro, o Dia Internacional do Café coloca em destaque uma das bebidas mais presentes na rotina dos brasileiros. Entre o cafezinho ao acordar, depois do almoço e durante o trabalho, uma dúvida também acompanha quem não dispensa a xícara: afinal, quanto café é possível consumir por dia sem exagerar?
Uma declaração científica publicada em 2026 pela American Heart Association (AHA) aponta que, para a maioria dos adultos, o consumo de até 400 miligramas de cafeína por dia é considerado seguro e não aumenta o risco cardiovascular. No café, isso equivale aproximadamente a três a cinco xícaras de 240 ml, dependendo do tipo da bebida e da forma de preparo.
A quantidade, porém, não funciona como uma regra igual para todas as pessoas. O teor de cafeína varia bastante de uma bebida para outra e a resposta do organismo também pode mudar conforme idade, condições de saúde, medicamentos, genética e velocidade com que cada pessoa metaboliza a substância.
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Até cinco xícaras podem estar dentro do limite
A referência de 400 mg de cafeína pode representar de três a cinco xícaras de aproximadamente 240 ml de café comum. Isso não significa, entretanto, que qualquer cinco cafés tenham necessariamente essa quantidade.
Concentração dos grãos, tamanho da porção e método de preparo interferem diretamente no teor de cafeína. Por isso, contar apenas o número de xícaras pode não ser suficiente para determinar quanto da substância foi consumido ao longo do dia.
A própria American Heart Association ressalta que não existe uma quantidade ideal única para todas as pessoas. Há quem apresente palpitações, ansiedade ou alterações no sono mesmo consumindo doses menores.
Café pode estar associado a benefícios para o coração
As evidências analisadas pela entidade indicam que o consumo moderado de café com cafeína está associado a menor risco de algumas condições cardiovasculares.
Estudos relacionam o consumo de duas a quatro xícaras por dia a menor risco de doença cardíaca, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC). O consumo também aparece associado a menor risco de diabetes tipo 2.
Há ainda dados sobre o ritmo cardíaco. Pesquisas indicam que o consumo moderado não está associado ao aumento do risco de fibrilação atrial e alguns estudos apontam uma possível redução do risco dessa arritmia.
Isso não significa que o café previna essas doenças. Grande parte das pesquisas sobre cafeína e saúde cardiovascular é observacional e, portanto, consegue identificar associações, mas não necessariamente estabelecer uma relação direta de causa e efeito.
Nem todo efeito sobre o coração é positivo
Apesar das associações favoráveis encontradas nos estudos, a cafeína também pode produzir efeitos indesejados.
Ensaios clínicos analisados pela American Heart Association indicam que o café com cafeína pode aumentar a frequência de contrações ventriculares prematuras, batimentos que se originam antes do esperado nas câmaras inferiores do coração.
Doses elevadas de cafeína também podem aumentar a pressão arterial e favorecer alterações do ritmo cardíaco. A entidade chama atenção especialmente para bebidas energéticas e produtos concentrados, que não devem ser tratados como equivalentes ao café tradicional.
O jeito de preparar o café também importa
A discussão não se limita à cafeína. A maneira como o café chega à xícara também pode alterar sua composição.
Cafés preparados sem filtro de papel, como os feitos em prensa francesa, café turco e algumas preparações de espresso, apresentam maior quantidade de cafestol. A substância está associada ao aumento do colesterol LDL, conhecido popularmente como colesterol “ruim”.
O filtro de papel consegue reter grande parte desse composto. Por isso, o café filtrado dessa maneira apresenta níveis muito menores de cafestol.
A diferença ajuda a mostrar por que pesquisas sobre os efeitos do café não podem considerar apenas a quantidade ingerida. Método de preparo, frequência e características da própria bebida também entram na equação.
Açúcar, xaropes e creme mudam a conta
O que acompanha o café também merece atenção. A American Heart Association aponta que adicionar açúcar, xaropes saborizados, leite ou creme pode reduzir alguns dos potenciais benefícios associados à bebida.
Um café preto sem açúcar é nutricionalmente diferente de preparações que recebem grandes quantidades de açúcar, chantilly, cremes e xaropes.
Por isso, avaliar o hábito de tomar café envolve olhar não apenas para a cafeína, mas para tudo o que é colocado na xícara.
Por que o Dia Internacional do Café é comemorado em 1º de outubro?
O Dia Internacional do Café é celebrado oficialmente em 1º de outubro. A data foi estabelecida pela Organização Internacional do Café (OIC) para reunir em uma única celebração países produtores, consumidores e os diferentes profissionais envolvidos na cadeia cafeeira.
A decisão de criar uma data internacional foi tomada pelos países-membros da organização em 2014. Além de celebrar a bebida, a iniciativa busca chamar atenção para os milhões de produtores e trabalhadores que dependem economicamente da cafeicultura em diferentes partes do mundo.
O café também ocupa posição de destaque na economia brasileira e faz parte de hábitos cotidianos que vão muito além do consumo da cafeína. A bebida está presente em encontros, intervalos de trabalho, refeições e diferentes formas de preparo.
Então, quanto café posso tomar?
Para a maioria dos adultos, a referência científica atual é de até 400 mg de cafeína ao longo do dia. Na prática, a quantidade de café necessária para atingir esse limite varia conforme o tamanho da xícara e o preparo.
Também não é necessário chegar aos 400 mg para obter eventuais benefícios associados ao consumo da bebida. O limite representa uma referência geral de segurança, e não uma meta diária.
Pessoas que sentem palpitações, ansiedade, tremores ou dificuldade para dormir após consumir cafeína podem ter tolerância menor. Condições de saúde, uso de medicamentos e características individuais também podem exigir cuidados específicos.