Aquela xícara de café que faz parte da rotina de milhões de pessoas pode estar relacionada a diferenças na composição corporal e no funcionamento do organismo. É o que sugere um estudo publicado no European Journal of Nutrition, que analisou dados de mais de 2,2 mil adultos.
Os pesquisadores observaram que as pessoas que consumiam mais café apresentavam, em média, menos gordura corporal e mais massa muscular esquelética, mesmo quando os índices de massa corporal eram semelhantes aos de participantes que bebiam menos café.
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Entenda o que aconteceu
A pesquisa foi realizada por cientistas da Universidade de Oulu, na Finlândia, e utilizou informações de 2.264 adultos com idade média de 46 anos.
Os participantes foram analisados de acordo com o consumo de café e diferentes características metabólicas e hormonais.
Um dos resultados que mais chamou atenção foi a diferença na composição corporal. O grupo que consumia mais café apresentou menor quantidade de gordura e maior massa muscular esquelética.
O resultado permaneceu mesmo depois que os pesquisadores levaram em consideração fatores como índice de massa corporal e estilo de vida.
O que o café tem a ver com a composição corporal
A relação encontrada não significa que beber café, por si só, provoque perda de gordura ou aumento de músculos.
O estudo é observacional e identificou uma associação entre o consumo da bebida e determinadas características do organismo.
Isso significa que pessoas que bebiam mais café apresentavam aquele perfil, mas não é possível afirmar, a partir dessa pesquisa, que o café tenha causado as diferenças.
Outros fatores relacionados ao estilo de vida podem participar dessa relação.
Pesquisa encontrou diferenças no metabolismo
Além da composição corporal, os cientistas observaram alterações em alguns marcadores metabólicos.
Um maior consumo de café esteve associado a níveis mais baixos de aminoácidos de cadeia ramificada, conhecidos como BCAAs.
Esses compostos participam de diferentes processos do organismo e níveis elevados no sangue já foram associados, em pesquisas anteriores, a alterações metabólicas, incluindo resistência à insulina e diabetes tipo 2.
Ainda assim, o novo estudo não permite concluir que o consumo de café previna essas doenças.
Hormônios também apresentaram diferenças
Os resultados foram diferentes entre homens e mulheres.
Entre os homens, o maior consumo de café esteve associado a níveis mais elevados de testosterona e a um perfil mais favorável de glicose e insulina.
Nas mulheres, as associações foram mais discretas. O consumo da bebida esteve relacionado a níveis mais altos de uma proteína responsável pelo transporte de hormônios no sangue e a uma menor disponibilidade de hormônios androgênicos.
Os pesquisadores destacaram que as diferenças hormonais observadas variaram de acordo com o sexo.
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Isso significa que café emagrece?
Não necessariamente.
Embora o estudo tenha encontrado uma associação entre maior consumo de café e menor quantidade de gordura corporal, ele não demonstrou que a bebida seja responsável pela redução.
Essa diferença é importante porque estudos observacionais identificam padrões, mas não conseguem estabelecer, sozinhos, uma relação de causa e efeito.
Por exemplo, pessoas que bebem mais café podem apresentar outros hábitos que também influenciam a composição corporal.
Por isso, seria incorreto dizer que o café funciona como um produto para emagrecimento com base apenas nesses resultados.
E o café pode aumentar os músculos?
Também não há essa conclusão.
Os participantes que consumiam mais café apresentaram maior quantidade de massa muscular esquelética, mas a pesquisa não demonstrou que a bebida tenha provocado o aumento.
O ganho de massa muscular depende de diversos fatores, como atividade física, alimentação, sono, idade, genética e condições de saúde.
O estudo apenas identificou uma relação estatística entre o consumo da bebida e determinadas características corporais.
Por que os resultados ainda precisam ser investigados
O trabalho não acompanhou os participantes durante vários anos para observar se mudanças no consumo de café eram seguidas por alterações na composição corporal ou nos hormônios.
Esse é um dos principais pontos que impedem uma conclusão de causa e efeito.
Os próprios pesquisadores defendem a realização de estudos com acompanhamento prolongado para entender melhor a relação encontrada e descobrir quais componentes do café poderiam estar envolvidos.
A bebida contém centenas de substâncias, e fatores como quantidade consumida, forma de preparo e características individuais podem influenciar seus efeitos.
Entenda o contexto
O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo e já foi estudado em relação a diferentes aspectos da saúde.
A nova pesquisa acrescenta mais uma peça a esse quebra-cabeça ao encontrar uma associação entre maior consumo da bebida, menor gordura corporal, maior massa muscular esquelética e diferenças em marcadores metabólicos e hormonais.
Mas o resultado precisa ser interpretado com cautela.
A pesquisa não mostra que beber café faça alguém emagrecer, ganhar músculos ou alterar os hormônios de maneira necessariamente benéfica. Ela mostra apenas que esses fatores apareceram relacionados entre os participantes analisados.
Para descobrir se existe realmente um efeito direto do café sobre o envelhecimento, metabolismo ou composição corporal, serão necessários estudos que acompanhem as pessoas ao longo do tempo e controlem de forma mais rigorosa os diferentes fatores envolvidos.
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