Estagiária descobre demissão após perder acessos da empresa e vídeo viraliza

Lavínia Faust viraliza ao relatar sua demissão inesperada após perder acesso digital, gerando debate sobre direitos trabalhistas.
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A estudante de Design e empreendedora Lavínia Faust percebeu que seria demitida antes mesmo de conversar com o chefe. Estagiária em uma empresa de marketing, ela perdeu em sequência o acesso a ferramentas usadas no trabalho e registrou a própria desconfiança em um vídeo que ultrapassou 1,1 milhão de visualizações no TikTok.

O primeiro sinal apareceu quando Lavínia tentou agendar uma publicação em uma ferramenta ligada ao Meta e foi desconectada. A situação chamou mais atenção quando ela também perdeu o acesso ao Google Drive corporativo e percebeu que a senha utilizada anteriormente já não funcionava.

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“Tenho certeza que vou ser demitida”

Antes da conversa com o gestor, Lavínia gravou o momento em que percebeu que algo estava errado.

“Eu tenho certeza que vou ser demitida assim que eu entrar na ligação com o chefe”

A estudante explicou que ser desconectada de uma ferramenta isoladamente não seria suficiente para causar preocupação. A sucessão de bloqueios, porém, mudou a percepção.

“O Meta deslogar, tranquilo, normal, acontece direto. Agora, o Drive deslogar e a senha estar errada? Alguma coisa tá errada”

Pouco depois, a suspeita foi confirmada durante a conversa com o chefe. Após a reunião, Lavínia voltou ao vídeo e contou o resultado.

“Quem adivinha o que aconteceu? Fui demitida”

Empresa disse buscar outro perfil profissional

Em uma segunda publicação, Lavínia afirmou que cumpria um estágio obrigatório da graduação e que o contrato estava previsto para terminar no mês seguinte.

Segundo a estudante, a justificativa apresentada para o desligamento foi a busca por um perfil diferente.

“Eles falaram que estão procurando um perfil profissional diferente do meu”

Lavínia também relatou que já não pretendia renovar o contrato e estava procurando novas oportunidades.

Ao falar sobre a rotina profissional, disse que atuava em diferentes frentes, entre elas marketing, design, redes sociais, produção de vídeos, gestão de site, tráfego pago e cobertura de eventos.

Repercussão virou vitrine para negócio próprio

Depois que o relato ganhou alcance nas redes sociais, Lavínia passou a mostrar também o trabalho que desenvolve fora do estágio.

Ela apresentou o Studio Accos, negócio de marketing que, segundo a própria estudante, mantém há cerca de dois anos e conta com outras duas colaboradoras.

O estúdio trabalha com serviços como gestão de redes sociais, planejamento de conteúdo, produção e captação de vídeos e eventos. Lavínia também afirmou que passou a considerar uma nova graduação em Publicidade e Propaganda.

Empresa pode bloquear acessos antes de comunicar desligamento?

O caso levantou dúvidas sobre uma prática adotada por empresas para proteger informações corporativas durante desligamentos: retirar previamente o acesso do profissional a e-mails, arquivos, redes sociais e sistemas internos.

A advogada trabalhista Flavia Derra Eadi de Castro explica que a restrição de acessos corporativos pode ser adotada pelo empregador para proteger informações e sistemas da empresa. A medida, isoladamente, não significa necessariamente uma irregularidade.

A forma como o procedimento é realizado, porém, pode ser relevante juridicamente. Segundo a especialista, situações envolvendo exposição, humilhação ou constrangimento precisam ser analisadas individualmente para verificar eventual configuração de assédio moral ou dano moral.

No caso relatado por Lavínia, não há informação de decisão judicial reconhecendo assédio ou qualquer outra irregularidade cometida pela empresa.

Estágio tem regras diferentes de um emprego com carteira assinada

Apesar de a repercussão ter provocado uma discussão mais ampla sobre demissões, Lavínia afirmou que mantinha um estágio. Por isso, os direitos relacionados ao encerramento do vínculo não são automaticamente os mesmos aplicáveis a um empregado contratado pela CLT.

O estágio é regulamentado por legislação própria e pode ser encerrado antes do prazo previsto, observadas as condições do termo de compromisso firmado entre estudante, instituição de ensino e parte concedente.

Isso significa que verbas típicas de uma dispensa sem justa causa pela CLT, como aviso-prévio, multa de 40% do FGTS e seguro-desemprego, não devem ser automaticamente atribuídas ao caso da estudante.

A repercussão do vídeo, portanto, vai além do desligamento em si. O episódio chama atenção principalmente para a forma como relações profissionais passaram a ser encerradas em ambientes digitais, nos quais o bloqueio de uma senha pode revelar uma decisão da empresa antes mesmo de ela ser comunicada ao trabalhador.

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